PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 203: O PANDINHA E O RATO


Abertura do Velocult ontem no Cine Livraria Cultura do Conjunto Nacional. É claro que eu não poderia deixar de ir, nem de levar o filhote. Mesmo sem saber como seria o evento de abertura da exposição.

Foi emocionante. O vídeo em homenagem aos pilotos brasileiros foi de arrepiar. Idem as homenagens aos velhos pilotos, jornalistas, mecânicos (representados pelo eterno Miguel Crispim Ladeira) e construtores de carros de corrida (como Toni Bianco) que tiveram, cada um a seu modo, importância fundamental na história do automobilismo brasileiro.

Quando Emerson Fittipaldi entrou na sala do cinema, o burburinho diminuiu. A reverência ao eterno campeão foi coletiva e espontânea. Gabriel nunca o viu correr, a não ser antigos vídeos. Nunca teve oportunidade de torcer por ele, ou por vitória da equipe Fittipaldi. Mesmo assim, conhece a importância do "Rato" para o automobilismo brasileiro. E o ar entediado, típico de pré-adolescente que não conhece o significado de "esperar", foi substituído por um desejo: "Quero tirar uma foto com o Emerson!".

Esperamos todas as homenagens e fizemos a foto. E ainda pudemos conversar um pouco com Emerson sobre seus netos Pietro e Enzo, que já estão ganhando corridas nos Estados Unidos. Nessa hora, os olhos do campeão brilharam e o rosto ganhou uma expressão tão juvenil quanto a que havíamos visto minutos antes, nos vídeos com imagens das históricas conquistas na Fórmula 3, na Fórmula 1 e na Fórmula Indy. Um daqueles momentos para serem guardados para sempre.

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

BAÚ DO PANDINI - NÚMERO IV: PACE? NÃO, PACINO

Pace? Não: Al Pacino com o capacete do piloto brasileiro, sentado no cockpit do Brabham BT45-Alfa Romeo durante as filmagens de "Bobby Deerfield".

Pace no GP da África do Sul de 1976 (acima). Logo acima do capacete, no canto da asa traseira, nota-se a bandeira dos Estados Unidos colocada no lugar habitualmente ocupado pela do Brasil (abaixo).  




Al Pacino paramentado como Pace.

Capa (ou contracapa) do DVD de "Bobby Deerfield".


Nas duas imagens acima: bandeira dos EUA (sempre ela) e nome "Bobby Deerfield" bordados no macacão de Pace.

Al Pacino com Anny Duperey, uma das atrizes do filme.

Cena de acidente produzida especialmente para "Bobby Deerfield".

Este tema já tem várias referências na rede, mas em 2004 não tinha. Foi quando o amigo Victor Lagrotta (por onde anda ele?) fez um comentário sobre “um filme em que o Moco era stuntman do Al Pacino”. Lagrotta mencionou também algo sobre a participação de Jackie Stewart e François Cevert nesse mesmo filme. Minha resposta a ele foi o texto e as fotos reproduzidos abaixo – e o infame título publicado acima.

O filme chama-se “Bobby Deerfield”, que é também o nome do personagem de Al Pacino. Ele interpreta um piloto estadunidense que vai correr na Europa e descobre que sua namorada, Lilian (Marthe Keller), está com câncer. Bobby passa então a se consolar (me faço entender?) com uma fã, Lydia (Anny Duprey). A direção é de Sidney Pollack.

Há histórias interessantes sobre o filme. Realmente Pace foi o “intérprete” de Al Pacino nas imagens de ação. O diretor aproveitou alguns GPs de 1976 para fazer as cenas de corrida com o personagem. Al Pacino usou o capacete e o macacão de Pace. As únicas mudanças feitas no macacão foram a inclusão de uma bandeira dos Estados Unidos e de um bordado com o nome “Bobby Deerfield” sobre o do piloto brasileiro. Quem assistir ao filme verá o antigo logotipo da Brahma, que era patrocinadora pessoal de Pace.

Naquela época, a Brabham colocava no aerofólio traseiro um adesivo com a bandeira do país de origem do piloto. No GP da África do Sul, o carro de Pace correu com a bandeira dos Estados Unidos para que as cenas da corrida pudessem ser aproveitadas no filme. As imagens de ação estão compiladas aqui. As cenas produzidas especialmente para o filme não primam pelo realismo, mas estão longe da ruindade de coisas como “Driven”, de (e com) Silverster Stallone. E nota-se que, na montagem, o diretor usou bastante coisa das imagens reais de corridas. Pode-se até descobrir que Patrick Depailler participou de pelo menos um treino para o GP da Espanha de 1976 (estreia do Tyrrell P34 de seis rodas) com um capacete todo branco. Na corrida, o francês usou um casco com seu desenho habitual.

Sobre as participações de Cevert e Stewart, creio que você está se referindo ao filme que o escocês fez com Roman Polanski, “Weekend of a Champion” (O fim-de-semana de um campeão, em inglês), em 1971 ou 1972. Nunca vi, mas deve ser muito interessante – tanto quanto “O Fabuloso Fittipaldi”, rodado em 1972 e 1973 por Roberto Farias. Cevert nem poderia ter participado do filme de Al Pacino, pois morreu em 1973.

Outro filme de 1973 que – digamos assim – tem corridas como tema chama-se “Troppo rischio per un uomo solo”, traduzido para o inglês como “The magnificent dare devil” e que no Brasil recebeu o ominoso nome “Velocidade, caminho da morte”. Nele, o astro italiano Giuliano Gemma interpreta um piloto argentino acusado de assassinato. No filme, a única coisa que Gemma faz é desfilar com um macacão da Marlboro BRM nos primeiros minutos do filme. Se o seu objetivo for ver cenas de corrida, nem pense em comprá-lo. Se por acaso “Troppo rischio...” estiver passando na TV, assista somente os primeiros minutos, que mostram Emerson e Stewart assinando autógrafos e o acidente na primeira volta do GP da Inglaterra de 1973. Quando Giuliano Gemma for mostrado fora do autódromo, pode desligar a TV e procurar coisa mais interessante para fazer, pois não há qualquer outra cena de corrida e o filme é inacreditavelmente ruim. Abraços. (LAP)

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 202: DOS ARQUIVOS DE FERNANDO MONTÁ

  

Nas duas fotos acima, Fernando Montá substituindo Regis Schuch em uma corrida no Rio de Janeiro, em 1977. "A 'sapatilha de corrida' foi comprada na Calçados Moreira, aqui mesmo no Rio", conta.




Montá com seu próprio carro, também em 1977.

As fotos acima fazem parte de um pequeno lote enviado pelo ex-piloto carioca Fernando Montá. Participante de categorias como a Divisão 1 e a Fórmula Ford, Montá foi uma das figuras carimbadas do automobilismo na década de 1970. Conheci-o em outubro, durante a etapa da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil em Curitiba. Ele enviou as imagens logo depois, mas só agora as coloco no ar. Montá, desculpas pela demora!

Nas imagens acima, Montá pilota carros Bino de Fórmula Ford em 1977. "Carros" porque, sem patrocínio, ele havia deixado a categoria quando recebeu um convite para substituir Regis Schuch na etapa de Jacarepaguá. Segundo relatos da época, Montá conseguiu em 1977 a interessante façanha de participar de três ou quatro corridas, cada uma em uma categoria diferente, como substituto de pilotos impedidos em cima da hora.


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"PORRA, AUGUSTO. VOCÊ PERDE A COPA E AINDA VEM ME APORRINHAR."

Chico Buarque na capa do LP com a versão original de "Tanto Mar". 

Augusto da Costa, o goleiro Barbosa e Juvenal, integrantes da seleção brasileira em 1950.


A história a seguir está no livro "Chico Buarque", de Wagner Homem.

[Em 1975, Chico compôs a música "Tanto Mar"], uma saudação à Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974, que depôs o regime autoritário de Portugal. "O jornalista Humberto Werneck conta que 'o censor encarregado de encrencar com a música era Augusto da Costa - ninguém menos que o zagueiro Augusto da seleção de 1950, em cuja jurisdição, ou quase, o ataque uruguaio enfiou aquelas duas bolas no fatídico 16 de julho. 'Porra, Augusto, você perde a copa e ainda vem me aporrinhar', disse Chico. O zagueiro chutou a responsabilidade para cima dos cartolas. 'Tanto Mar' passou, mas sem letra."

A música foi lançada em Portugal, mas permaneceu proibida no Brasil. Em 1978, já liberada, foi incluída no disco "Chico Buarque", junto com "Apesar de Você" e "Cálice", também censuradas anos antes. No disco de 1978, entretanto, a letra de "Tanto Mar" havia sido alterada, acompanhando o clima de frustração com o rumo da Revolução dos Cravos.

Para ouvir a versão original de "Tanto Mar", clique aqui. A versão alterada pode ser ouvida aqui.


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 201: DOS ARQUIVOS DO TITE

Gilles Villeneuve em uma Ferrari com o número 1 em um treino para o GP do Brasil de 1980, em Interlagos. Uma proto-lamoscablanca, como se pode ver aqui. 

 Ford Escort de Ari Vatanen/David Richards, vencedores do Rali do Brasil de 1981.
Talbot Sunbeam Lotus tripulado por Guy Fréquelin/Jean Todt, segundos colocados no Rali do Brasil de 1981.

Um Puma da equipe oficial de fábrica, presumivelmente pilotado por Luiz Evandro Águia/Luiz Sérgio Xavier.

Camarada Geraldo Tite Simões, dileto colega de profissão e adversário cordial nas pistas de kart, tem um passado remoto como fotógrafo. Não apenas de corridas, mas também de hospitais, i-eme-éles e outros locais e situações que fariam a delícia dos jornais "espreme-sai-sangue". Não consta que tenha usado a profissão para fins menos nobres.

Um dia, nem lembro mais quando nem por quê (creio ter sido pura camaradagem mesmo), Tite me mandou o lote de fotos acima. A primeira, de Gilles Villeneuve, já havia sido publicada nos primórdios do blogue. Trata-se, portanto, de uma proto-lamoscablanca. As outras são inéditas, ao menos no meu tugúrio cibernético. Foram feitas durante o Rali do Brasil de 1981, um dos dois que o Brasil teve valendo pelo Campeonato Mundial.

Tite, fique à vontade para desenterrar imagens dos seus arquivos e me mandar. Serão publicadas de muito bom  grado.

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