PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

terça-feira, 22 de maio de 2012

"FÚRIA SOBRE RODAS": ALGUÉM VIU?

O filme acima é homônimo de outro que tem Nicolas Cage no papel principal. Este é uma produção com corridas de protótipos e inspíração no personagem Michel Vaillant.

Alguém viu? Vale a pena ir atrás do DVD? Está mais para "Grand Prix" (excelente), "Le Mans" (cenas de corrida de babar, mas uma história que é um porre total e absoluto) ou para "Driven" (risível sob todos os aspectos)?

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domingo, 13 de maio de 2012

VIVA MALDONADO!



Uma vitória emocionante sob todos os aspectos. Pastor Maldonado, o primeiro venezuelano a vencer um GP de Fórmula 1, devolveu a tradicionalíssima equipe Williams ao círculo de vencedores exatamente no final de semana em que Frank Williams comemorou 70 anos. Desde 2004 ele não comemorava uma vitória de sua equipe.

Uma vitória obtida na raça, sem se beneficiar de quebras nem de acontecimentos surpreendentes. Maldonado resistiu friamente à pressão de Fernando Alonso, que corria em casa e tinha a seu lado toda a torcida presente ao autódromo de Barcelona. Mesmo derrotado diante de sua torcida, Alonso fez questão de se juntar ao frio Kimi Räikkönen, terceiro colocado, e levantar o novo vencedor nos ombros.

Parabéns, Maldonado. E parabéns à Venezuela, que se junta a Brasil, Argentina, Colômbia e México no clube de países latino-americanos a terem um piloto vencedor na história da Fórmula 1.  


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domingo, 22 de abril de 2012

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, POR DRAUZIO VARELLA

Texto do médico Drauzio Varella publicado na Folha de S. Paulo em 21 de abril de 2012. .

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Drauzio Varella

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso

SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.

Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.

Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.

Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.

Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.

Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?

Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?

Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?

O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.

Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.

Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.

O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.

Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.

Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.

Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

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CHARGES: GP DE BAHREIN

A do cartunista brasileiro Latuff... 

...e a do inglês Peter Brookes, do jornal The Sunday Times.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

BOICOTE AO GP DE BAHREIN




Creio que eu já escrevi algo parecido em outros tempos, mas repito: ver o filhote crescer reserva surpresas agradabilíssimas. Como a de abrir o blogue dele e me deparar com este texto contra a realização do GP de Bahrein de Fórmula 1, marcado para daqui duas semanas. Sugiro lê-lo: é um inocente e ao mesmo tempo pungente libelo pela liberdade e pela solidariedade a um povo descontente com o governo que tem - escrito por um garoto que ainda não completou 12 anos. Um garoto que ama corridas, mas as coloca no devido lugar na escala de valores de sua vida - e da vida como um todo. E foi essa manifestação espontânea do Gabriel que me motivou a escrever um texto mais elaborado, coisa que há tempos não faço por aqui.

Vários colegas têm lembrado que a Fórmula 1 realizou alegremente GPs na África do Sul do apartheid e em países como Brasil e Argentina quando viviam sob sanguinárias ditaduras militares. Para ficar apenas nos tempos pós-Segunda Guerra, acrescento que a Espanha franquista também teve seus GPs. Não surpreende. A biografia "Não sou um anjo" deixa claro que Bernie Ecclestone é espertíssimo para ganhar dinheiro, mas pouco se preocupa em se informar sobre o que acontece no mundo - um paradoxo, em se tratando do homem que comanda a mais internacional de todas as modalidades esportivas. (Copas do mundo e olimpíadas mobilizam muito mais espectadores, atletas e nações participantes, mas acontecem de quatro em quatro anos e em espaços bem delimitados, enquanto a F1 percorre quase duas dezenas de países todos os anos.)

Bernie só começou a admitir a possibilidade de o GP de Bahrein não acontecer depois que as equipes revelaram temer pela segurança de seus integrantes. Não fosse por isso, ele passaria por cima de toda a turbulência política vivida pelo país e faria a corrida acontecer "normalmente". O chefão da F1 ainda não parece ter compreendido que as possibilidades de difusão de informações são hoje muito mais amplas e menos passíveis de controle do que eram até poucos anos atrás. A censura governamental a órgãos de imprensa e a conivência destes com regimes autoritários, despóticos, corruptos (ou tudo isso junto) não tem mais o mesmo efeito de antes. As informações circulam com rapidez e capilaridade capazes de rapidamente mobilizar a opinião pública contra ou a favor de qualquer causa. Contar mentiras ou tentar esconder a verdade tornou-se bem mais difícil do que era no passado não muito distante: a cada segundo há um jornalista independente, um blogueiro, um usuário de rede social para difundir a versão contrária. Que, muitas vezes, acaba sendo a verdadeira. 

Por fim, manifesto publicamente minha adesão à ideia do camarada Speeder 76, do Continental Circus, de boicotar o GP de Bahrein. Ele está acompanhando diariamente os acontecimentos e já declarou que não pretende escrever uma linha sequer sobre a corrida. Isso, é claro, se ela vier a acontecer - o que, de alguns dias para cá, passou a parecer mais improvável a cada minuto que passa.

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

FERDINAND ALEXANDER "BUTZI" PORSCHE (11/12/1935-05/04/2012)




Estou de luto. Morreu Ferdinand Alexander Porsche, o "Butzi", criador de nada menos que o Porsche 911. Era filho de Ferry e neto de Ferdinand Porsche. Criou também um dos carros de corrida mais bonitos da história: o 904. E também o monoposto 804, vencedor do GP da França de Fórmula 1 de 1962, com Dan Gurney.

Bom descanso, Butzi! Obrigado pelos carros maravilhosos que você criou. Sonhei muito com eles quando era criança.

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terça-feira, 27 de março de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 205: CHOCOLATES VELOZES


Este blogueiro, sabem todos os que com ele convivem, é alucinado por chocolate. E, durante a viagem a Portugal para cobrir as corridas da Porsche GT3 Brasil em Estoril e Algarve, encontrei as maravilhas acima: chocolates belgas com embalagens inspiradas no automobilismo de outrora. Não resisti e comprei uma de cada.

Para quem não reconhece, aparecem, da esquerda para a direita e de cima para baixo, um Auto Union da década de 30, uma Ferrari do começo da década de 1950, um monoposto inglês (um ERA, talvez?) da década de 1930 e o único carro do lote que não é de corrida: um Citroën Traction Avant, produzido entre 1934 e 1957.

O título do post foi sugestão deste blogueiro. Se as embalagens fossem outras, certamente já teriam sido abertas. Por enquanto, estão fechadas. Não sei até quando.

Eu ia fazer uma brincadeira falando algo como "O Ministério da Saúde adverte: "chocolate é droga perigosa e causa dependência". Não vou fazer. Pode servir de inspiração para algum desses políticos idiotas que criam leis proibindo ou obrigando coisas, sempre cerceando liberdades, alegando estarem "cuidando da saúde da população". Infelizmente, esses tipos proliferam como ratos e ervas daninhas (mas por estes dois eu nutro algum respeito). Estou de saco cheio e sem a menor paciência para esse tipo de vigarista.

Vou comer meus chocolates.

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sábado, 10 de março de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 204: MANUEL DE TEFFÉ E SEU PORSCHE NA CARRERA PANAMERICANA

Príncipe Paul von Metternich (à esquerda) e Barão Manuel de Teffé encostados no Porsche 356 conversível durante a Carrera Panamericana de 1952.

Manuel de Teffé após vencer o primeiro GP do Rio de Janeiro, na Gávea, em 1933.

A página diagramada da revista da Porsche com o artigo que não seria publicado. As cores do fundo remetem à bandeira do México.

Este post também poderia estar catalogado como "Baú do Pandini". Mas o fato de pertencer a uma categoria de textos inéditos e, principalmente, de ser um assunto pouco conhecido me faz colocá-lo como "mosca blanca".

O diplomata Manuel de Teffé foi provavelmente o segundo brasileiro a disputar provas de automobilismo na Europa (o primeiro foi Alberto Santos-Dumont - ele mesmo, o inventor do avião). Além de vencer corridas na Europa, Teffé foi fundamental para a realização do GP do Rio de Janeiro, na Gávea, em 1933. A prova, a primeira de caráter internacional realizada no Brasil, foi vencida por ele mesmo e inaugurou a trajetória lendária do "Trampolim do Diabo", como era chamado o circuito que passava pela avenida Niemeyer e por vias atualmente localizadas dentro da Rocinha.

O que eu não sabia, e só vim a descobrir por volta de 2001, quando já trabalhava para a Porsche, é que Teffé disputou a Carrera Panamericana a bordo de um 356 conversível. Em 2003, levantei algumas informações e as reuni para a seção "Rearview" da edição 12 revista Clubnews, do Porsche Club do Brasil, que edito até hoje. O texto foi escrito e a página chegou a ser diagramada. Por alguma razão que não lembro qual tenha sido, o tema da seção foi trocado e a história de Teffé com o Porsche jamais foi publicada na revista. 

Há alguns dias, procurando alguma coisa no computador, achei o arquivo de PDF com o artigo sobre a participação de Teffé na Carrera Panamericana. Tentei postá-lo aqui, mas o servidor do Blogger não aceita PDFs. O jeito foi transformá-lo em JPG, com grande perda de qualidade da imagem. Para quem quiser ler o texto, reproduzo-o abaixo, fazendo a ressalva de que ele não chegou a receber os cuidados e a revisão apurada que caberia a um texto final. Pelas mesmas razões, a diagramação da página tem várias imperfeições que seriam corrigidas no processo de fechamento.

Barão pioneiro

Diplomata de carreira, Manuel de Teffé foi provavelmente o primeiro brasileiro a competir com um Porsche no exterior.


Texto: Luiz Alberto Pandini
Fotos: arquivo Porsche Club do Brasil 
 
O registro não é oficial. Mas é muito provável que a par ticipação na Carrera Panamericana de 1952 tenha rendido ao barão Manuel de Teffé um lugar na história como o primeiro brasileiro a competir com um Porsche em uma corrida no exterior.


Embora tenha nascido em Paris (em 30 de março de 1905), Manuel de Teffé adotou a cidadania brasileira. Profissionalmente, seguiu a carreira do pai, o embaixador Oscar de Teffé. O gosto pelas máquinas foi despertado aos 14 anos, quando morava no Rio de Janeiro e ganhou do pai uma motocicleta. Oito anos depois, seu pai foi designado embaixador na Itália. Foi lá que Teffé começou a correr com automóveis. Ganhou algumas corridas e voltou ao Brasil no começo dos anos 30, sendo um dos responsáveis pela realização do primeiro Grande Prêmio da Cidade do Rio de Janeiro, no circuito da Gávea - mais conhecido como “Trampolim do Diabo”, devido aos perigos que oferecia em sua bela paisagem. Foi o vencedor da primeira edição dessa corrida, em 1933.


Teffé prosseguiu correndo na Europa até 1939, quando começou a Segunda Guerra Mundial. Nos anos seguintes, até 1950, correu pouco e sempre no Brasil. Nesse período, ascendeu na diplomacia brasileira, exercendo missões em diversos países. Em 1952, foi designado Segundo Secretário da embaixada brasileira no México. Isso foi decisivo para seu encontro com a Porsche. Ao chegar ao México, Tef fé encontrou-se com um amigo, o príncipe alemão Paul Alfons von Metternich, que seria eleito presidente da FIA em 1970. Nessa época, a Carrera Panamericana já ganhara fama na Europa e nos Estados Unidos, atraindo inclusive a participação de equipes de fábrica. Metternich convidou Teffé para acompanhá-lo em seu Porsche 356 conversível - um dos primeiros carros da marca a entrar no México. “O príncipe e seu carro de brinquedo”, escreveu a imprensa local, ainda acostumada aos triunfos dos sedãs americanos com motores de 5 litros ou mais.


O regulamento permitia que ambos os tripulantes pilotassem os carros, não havendo necessariamente um piloto e um navegador. “Dirigíamos em estradas variadas e fizemos a corrida a uma média de 135 km/h”, comentou Teffé durante uma entrevista dada em 1965. A dupla levou o Porsche até o final, terminando em 8º lugar na categoria Sport. Além disso, o Porsche de Teffé e Metternich foi o carro mais bem colocado entre os carros equipados com motores até 1.500 cm³. Não existia uma categoria oficial para essa cilindrada, mas o bom resultado do pequeno 356 agradou à Porsche. Uma boa estréia em uma corrida tão difícil.


Dois anos depois, inúmeros acidentes fizeram a Carrera Panamericana de 1954 ser a última da história. Nesse ano, o alemão Hans Hermann e o guatemalteco Jaroslav Juhan terminaram em 3º e 4º lugares na geral e em 1º e 2º na categoria até 1.500 cm³. Manuel de Teffé seguiu correndo esporadicamente na América do Norte até 1956, ano em que encerrou sua carreira como piloto. Manteve-se ligado ao automobilismo internacional até sua morte, em 1º de janeiro de 1967, quando ocupava o cargo de embaixador do Brasil em Honduras.

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sexta-feira, 9 de março de 2012

VAMOS FALAR DE MULHERES (COM TODO O RESPEITO): BERENICE BEJO






Bérénice Bejo (como a Peppy Miller de "O Artista" nas fotos em preto e branco). Na foto acima, Jean Dujardin (como George Valentin na imagem em p&b) segura o cão Uggie, seu "colega de elenco", ao lado de Michel Hazanavicius - diretor do filme e, para tristeza de muitos marmanjos, marido de Bérénice.

Fale a verdade. Você assistiu "O Artista" e pode até não ter gostado do filme (eu gostei, e bastante), mas prestou muita atenção ao charme da atriz Bérénice Bejo no papel de Peppy Miller, uma aspirante a atriz que se transforma em uma das primeiras estrelas do cinema falado. Um belo filme, feito com talento a ponto de transformar um tema mais que explorado (o conflito entre o "velho" e o "novo") e uma história até mesmo banal, com final previsível, em algo interessante e instigante do começo ao fim. Uma homenagem extremamente bem feita aos primeiros anos do cinema.

O aguçadíssimo faro deste blogueiro detectou em Bérénice Bejo, logo aos primeiros minutos da película, o charme típico da mulher latino-americana, embora tendo a certeza de que ela era francesa. As explicações vieram na primeira "googlada": Bérénice nasceu em Buenos Aires e mudou-se para Paris aos três anos de idade. Tem dupla nacionalidade, argentina e francesa.

De "O Artista", muito já foi escrito, até por conta da significativa premiação que obteve no Oscar. Bérénice não levou o de melhor atriz (ficou com Meryl Streep por sua encarnação de Margaret Thatcher em "A Dama de Ferro"). Não tem importância. Basta olhar as fotos e ver que Bérénice não precisa de um Oscar para... ehr... ser feliz.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 203: O PANDINHA E O RATO


Abertura do Velocult ontem no Cine Livraria Cultura do Conjunto Nacional. É claro que eu não poderia deixar de ir, nem de levar o filhote. Mesmo sem saber como seria o evento de abertura da exposição.

Foi emocionante. O vídeo em homenagem aos pilotos brasileiros foi de arrepiar. Idem as homenagens aos velhos pilotos, jornalistas, mecânicos (representados pelo eterno Miguel Crispim Ladeira) e construtores de carros de corrida (como Toni Bianco) que tiveram, cada um a seu modo, importância fundamental na história do automobilismo brasileiro.

Quando Emerson Fittipaldi entrou na sala do cinema, o burburinho diminuiu. A reverência ao eterno campeão foi coletiva e espontânea. Gabriel nunca o viu correr, a não ser antigos vídeos. Nunca teve oportunidade de torcer por ele, ou por vitória da equipe Fittipaldi. Mesmo assim, conhece a importância do "Rato" para o automobilismo brasileiro. E o ar entediado, típico de pré-adolescente que não conhece o significado de "esperar", foi substituído por um desejo: "Quero tirar uma foto com o Emerson!".

Esperamos todas as homenagens e fizemos a foto. E ainda pudemos conversar um pouco com Emerson sobre seus netos Pietro e Enzo, que já estão ganhando corridas nos Estados Unidos. Nessa hora, os olhos do campeão brilharam e o rosto ganhou uma expressão tão juvenil quanto a que havíamos visto minutos antes, nos vídeos com imagens das históricas conquistas na Fórmula 3, na Fórmula 1 e na Fórmula Indy. Um daqueles momentos para serem guardados para sempre.

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

BAÚ DO PANDINI - NÚMERO IV: PACE? NÃO, PACINO

Pace? Não: Al Pacino com o capacete do piloto brasileiro, sentado no cockpit do Brabham BT45-Alfa Romeo durante as filmagens de "Bobby Deerfield".

Pace no GP da África do Sul de 1976 (acima). Logo acima do capacete, no canto da asa traseira, nota-se a bandeira dos Estados Unidos colocada no lugar habitualmente ocupado pela do Brasil (abaixo).  




Al Pacino paramentado como Pace.

Capa (ou contracapa) do DVD de "Bobby Deerfield".


Nas duas imagens acima: bandeira dos EUA (sempre ela) e nome "Bobby Deerfield" bordados no macacão de Pace.

Al Pacino com Anny Duperey, uma das atrizes do filme.

Cena de acidente produzida especialmente para "Bobby Deerfield".

Este tema já tem várias referências na rede, mas em 2004 não tinha. Foi quando o amigo Victor Lagrotta (por onde anda ele?) fez um comentário sobre “um filme em que o Moco era stuntman do Al Pacino”. Lagrotta mencionou também algo sobre a participação de Jackie Stewart e François Cevert nesse mesmo filme. Minha resposta a ele foi o texto e as fotos reproduzidos abaixo – e o infame título publicado acima.

O filme chama-se “Bobby Deerfield”, que é também o nome do personagem de Al Pacino. Ele interpreta um piloto estadunidense que vai correr na Europa e descobre que sua namorada, Lilian (Marthe Keller), está com câncer. Bobby passa então a se consolar (me faço entender?) com uma fã, Lydia (Anny Duprey). A direção é de Sidney Pollack.

Há histórias interessantes sobre o filme. Realmente Pace foi o “intérprete” de Al Pacino nas imagens de ação. O diretor aproveitou alguns GPs de 1976 para fazer as cenas de corrida com o personagem. Al Pacino usou o capacete e o macacão de Pace. As únicas mudanças feitas no macacão foram a inclusão de uma bandeira dos Estados Unidos e de um bordado com o nome “Bobby Deerfield” sobre o do piloto brasileiro. Quem assistir ao filme verá o antigo logotipo da Brahma, que era patrocinadora pessoal de Pace.

Naquela época, a Brabham colocava no aerofólio traseiro um adesivo com a bandeira do país de origem do piloto. No GP da África do Sul, o carro de Pace correu com a bandeira dos Estados Unidos para que as cenas da corrida pudessem ser aproveitadas no filme. As imagens de ação estão compiladas aqui. As cenas produzidas especialmente para o filme não primam pelo realismo, mas estão longe da ruindade de coisas como “Driven”, de (e com) Silverster Stallone. E nota-se que, na montagem, o diretor usou bastante coisa das imagens reais de corridas. Pode-se até descobrir que Patrick Depailler participou de pelo menos um treino para o GP da Espanha de 1976 (estreia do Tyrrell P34 de seis rodas) com um capacete todo branco. Na corrida, o francês usou um casco com seu desenho habitual.

Sobre as participações de Cevert e Stewart, creio que você está se referindo ao filme que o escocês fez com Roman Polanski, “Weekend of a Champion” (O fim-de-semana de um campeão, em inglês), em 1971 ou 1972. Nunca vi, mas deve ser muito interessante – tanto quanto “O Fabuloso Fittipaldi”, rodado em 1972 e 1973 por Roberto Farias. Cevert nem poderia ter participado do filme de Al Pacino, pois morreu em 1973.

Outro filme de 1973 que – digamos assim – tem corridas como tema chama-se “Troppo rischio per un uomo solo”, traduzido para o inglês como “The magnificent dare devil” e que no Brasil recebeu o ominoso nome “Velocidade, caminho da morte”. Nele, o astro italiano Giuliano Gemma interpreta um piloto argentino acusado de assassinato. No filme, a única coisa que Gemma faz é desfilar com um macacão da Marlboro BRM nos primeiros minutos do filme. Se o seu objetivo for ver cenas de corrida, nem pense em comprá-lo. Se por acaso “Troppo rischio...” estiver passando na TV, assista somente os primeiros minutos, que mostram Emerson e Stewart assinando autógrafos e o acidente na primeira volta do GP da Inglaterra de 1973. Quando Giuliano Gemma for mostrado fora do autódromo, pode desligar a TV e procurar coisa mais interessante para fazer, pois não há qualquer outra cena de corrida e o filme é inacreditavelmente ruim. Abraços. (LAP)

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 202: DOS ARQUIVOS DE FERNANDO MONTÁ

  

Nas duas fotos acima, Fernando Montá substituindo Regis Schuch em uma corrida no Rio de Janeiro, em 1977. "A 'sapatilha de corrida' foi comprada na Calçados Moreira, aqui mesmo no Rio", conta.




Montá com seu próprio carro, também em 1977.

As fotos acima fazem parte de um pequeno lote enviado pelo ex-piloto carioca Fernando Montá. Participante de categorias como a Divisão 1 e a Fórmula Ford, Montá foi uma das figuras carimbadas do automobilismo na década de 1970. Conheci-o em outubro, durante a etapa da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil em Curitiba. Ele enviou as imagens logo depois, mas só agora as coloco no ar. Montá, desculpas pela demora!

Nas imagens acima, Montá pilota carros Bino de Fórmula Ford em 1977. "Carros" porque, sem patrocínio, ele havia deixado a categoria quando recebeu um convite para substituir Regis Schuch na etapa de Jacarepaguá. Segundo relatos da época, Montá conseguiu em 1977 a interessante façanha de participar de três ou quatro corridas, cada uma em uma categoria diferente, como substituto de pilotos impedidos em cima da hora.


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"PORRA, AUGUSTO. VOCÊ PERDE A COPA E AINDA VEM ME APORRINHAR."

Chico Buarque na capa do LP com a versão original de "Tanto Mar". 

Augusto da Costa, o goleiro Barbosa e Juvenal, integrantes da seleção brasileira em 1950.


A história a seguir está no livro "Chico Buarque", de Wagner Homem.

[Em 1975, Chico compôs a música "Tanto Mar"], uma saudação à Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974, que depôs o regime autoritário de Portugal. "O jornalista Humberto Werneck conta que 'o censor encarregado de encrencar com a música era Augusto da Costa - ninguém menos que o zagueiro Augusto da seleção de 1950, em cuja jurisdição, ou quase, o ataque uruguaio enfiou aquelas duas bolas no fatídico 16 de julho. 'Porra, Augusto, você perde a copa e ainda vem me aporrinhar', disse Chico. O zagueiro chutou a responsabilidade para cima dos cartolas. 'Tanto Mar' passou, mas sem letra."

A música foi lançada em Portugal, mas permaneceu proibida no Brasil. Em 1978, já liberada, foi incluída no disco "Chico Buarque", junto com "Apesar de Você" e "Cálice", também censuradas anos antes. No disco de 1978, entretanto, a letra de "Tanto Mar" havia sido alterada, acompanhando o clima de frustração com o rumo da Revolução dos Cravos.

Para ouvir a versão original de "Tanto Mar", clique aqui. A versão alterada pode ser ouvida aqui.


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 201: DOS ARQUIVOS DO TITE

Gilles Villeneuve em uma Ferrari com o número 1 em um treino para o GP do Brasil de 1980, em Interlagos. Uma proto-lamoscablanca, como se pode ver aqui. 

 Ford Escort de Ari Vatanen/David Richards, vencedores do Rali do Brasil de 1981.
Talbot Sunbeam Lotus tripulado por Guy Fréquelin/Jean Todt, segundos colocados no Rali do Brasil de 1981.

Um Puma da equipe oficial de fábrica, presumivelmente pilotado por Luiz Evandro Águia/Luiz Sérgio Xavier.

Camarada Geraldo Tite Simões, dileto colega de profissão e adversário cordial nas pistas de kart, tem um passado remoto como fotógrafo. Não apenas de corridas, mas também de hospitais, i-eme-éles e outros locais e situações que fariam a delícia dos jornais "espreme-sai-sangue". Não consta que tenha usado a profissão para fins menos nobres.

Um dia, nem lembro mais quando nem por quê (creio ter sido pura camaradagem mesmo), Tite me mandou o lote de fotos acima. A primeira, de Gilles Villeneuve, já havia sido publicada nos primórdios do blogue. Trata-se, portanto, de uma proto-lamoscablanca. As outras são inéditas, ao menos no meu tugúrio cibernético. Foram feitas durante o Rali do Brasil de 1981, um dos dois que o Brasil teve valendo pelo Campeonato Mundial.

Tite, fique à vontade para desenterrar imagens dos seus arquivos e me mandar. Serão publicadas de muito bom  grado.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SOBRE PINHEIRINHO, CRACOLÂNDIA, USP E OUTRAS OBRAS TUCANAS


Ricardo Boechat, da Rádio Bandeirantes, fez um desabafo sensacional a respeito da barbárie patrocinada pelo governo estadual de São Paulo, pela prefeitura de São José dos Campos (ambos comandados pelo PSDB) e por uma "justiça" iníqua e corrupta. Ouça aqui (obrigado, Maria Frô!). É um dos raros momentos de lucidez e humanidade em uma emissora da "grande mídia" brutalizada por seus próprios interesses políticos e econômicos (e que vem formando um público igualzinho a ela, comprovando a tese de Joseph Pulitzer).

FATO: nunca vi um governo do PT tratar problemas sociais como caso de polícia como fazem governos do PSDB, PFL/DEM, PSD, PMDB, PDS e a Arena da ditadura 1964-1985. Só por isso, já tenho uma boa razão para definir minhas preferências. "Ah, mas a corrupção...", vão querer dizer alguns. Quer falar de corrupção? Se informe primeiro sobre os crimes de traição e lesa-pátria perpetrados pela dobradinha PSDB-PFL durante os oito anos do governo de FHC. Quer falar de honestidade? Pergunte-se por qual razão existem 70 pedidos de CPI engavetados na Assembleia Legislativa de São Paulo, estado governado por tucanos desde 1995.

Para aqueles que estranharem a baixa frequência de assuntos políticos e afins aqui no blogue: tenho colocado muita coisa a respeito no facebook (em caixa baixa mesmo). Se quiser me seguir lá, procure por Luiz Alberto Pandini.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 200: COPERSUCAR CAMPEÃO!


Richard Barber e o F5A, campeões da Grand Prix Masters. Com exceção de alguns detalhes (como o número 16 em vez do 14 original), o carro está idêntico à configuração da temporada de 1978.


Guy Edwards... 

...e Bernard de Dryver em 1979: dobradinha dos F5A na Corrida dos Campeões entre os carros do Campeonato Britânico de Fórmula 1. 


Tony Trimmer e o Fittipaldi F8 em Oulton Park, 1982. Sobreviventes de uma corrida que teve cinco carros na largada e três na bandeirada, somente dois deles classificados.


Teve pouca (aliás, nenhuma) repercussão no Brasil, mas não importa. Quem um dia torceu pela equipe Fittipaldi tem uma boa razão para ficar contente. Ao ler o último número de 2011 da revista inglesa Autosport, com uma retrospectiva da temporada em diversas categorias de todo o mundo, deparei-me com a notícia de que o inglês Richard Barber conquistou o título da categoria Grand Prix Master ao volante de um... Fittipaldi F5A. Esse mesmo, o carro que em 1978 deu à equipe nacional seu melhor resultado no Campeonato Mundial - o segundo lugar de Emerson Fittipaldi no GP do Brasil, além de outro segundo na corrida extracampeonato International Trophy, em Silverstone (sobre esta corrida, leia mais no La Mosca Blanca 44).

A Grand Prix Masters é aberta a carros de F1 de 1966 a 1985. Richard Barber e o Fittipaldi F5A tiveram como maiores adversários Rowland Kinch (Arrows A4) e Andy Meyrick (March 761). Não estranhe ver carros pouco competitivos em suas épocas de F1 ganharem corridas em provas de carros históricos. São provas muito diferentes de um GP, disputadas principalmente por gentleman drivers - quase sempre, os donos dos bólidos. Eles andam rápido, mas evitam ao máximo qualquer acidente ou falha mecânica que comprometa a integridade de suas relíquias. 

Não foi a primeira vez que um carro da Fittipaldi venceu alguma coisa. Em 1979, os F5A do inglês Guy Edwards e do belga Bernard de Dryver fizeram dobradinha entre os carros do campeonato Aurora AFX (nome do British Formula 1 Series na época) na Corrida dos Campeões, disputada em Brands Hatch. O "British" era disputado por carros de anos anteriores e também admitia a inscrição de monopostos de Fórmula 2 e Fórmula 5000. A Corrida dos Campeões foi disputada por sete carros de F1 "autênticos" e outros 17 do British. O grid teve duas filas de intervalo entre os dois grupos, a fim de deixar claro para o público que se tratavam de categorias diferentes. A vitória na geral ficou com Gilles Villeneuve e o segundo lugar com Nelson Piquet. Foi a única ocasião em que meus dois pilotos preferidos subiram ao pódio juntos.

Não parou por aí. Em 1982, Tony Trimmer venceu a International Gold Cup, em Oulton Park, etapa de abertura do British F1 Series daquele ano, com um Fittipaldi F8C. A essa altura, o "Campeonato Britânico de F1" já estava bastante esvaziado. A corrida de Oulton Park teve somente cinco concorrentes e Trimmer ficou à frente do Shadow DN9 de Warren Booth. Um terceiro piloto, Arnold Glass (McLaren M29F), não foi classificado por ter ficado a menos de 90% das voltas percorridas pelo vencedor. Ficaram pelo caminho o pole position Jim Crawford (Ensign N180, por acidente) e Valentino Musetti (March 811, por pane no motor).

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