PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

BOM DESCANSO, SID

O Polar de F-VW 1600 de Amadeu Campos em 1977, com a pintura "estilo Lotus JPS" e a inscrição "Sid Special Paint"... 

...e Sid Mosca com sua criação mais famosa: o desenho do capacete de Ayrton Senna. (foto: Duda Bairros).

Leio com tristeza a notícia da morte de Cloacyr Sidney Mosca, o popular Sid Mosca. Mestre da arte de decorar e pintar carros de corrida e capacetes, ele se foi hoje aos 74 anos de idade, depois de algum tempo lutando contra um câncer na bexiga.

Uma coisa que aprendi ao longo da vida é que quse todo mundo que trabalha com automobilismo pretende ou pretendeu ser piloto algum dia. Alguns conseguem. Outros viram engenheiros, mecânicos, chefes de equipe, dirigentes, comissários de pista, patrocinadores, construtores. Sid virou pintor. Participou de algumas corridas na década de 1970 e dessa época vem uma história curiosa. Preparou seu Fusca de Divisão 3 com todo o cuidado do mundo, mas à sua maneira - ou seja, dando muito mais importância à pintura do que à preparação de motor, suspensão e câmbio. A pintura fez enorme sucesso, mas a participação na corrida limitou-se a uma ou duas voltas - uma capotagem na curva 2 de Interlagos acabou com tudo. Daí em diante, Sid preferiu se dedicar "aos pincéis" - as aspas são necessárias porque, com ele, a expressão deve ser usada de maneira meramente metafórica: ele só usava pistolas e aerógrafos para executar seus trabalhos.

Foi Sid quem criou a identidade visual de Ayrton Senna por meio da pintura do capacete. Isso aconteceu em 1979, quando Senna já tinha pelo menos cinco anos de carreira no kart (veja mais aqui). Nessa altura, a discreta assinatura "Painted by Sid - Brasil" na lateral esquerda dos capacetes já era uma grife internacional, devido à presença no capacete de Emerson Fittipaldi e ao trabalho feito por Sid para a Lotus durante o GP do Brasil de 1977 (leia mais aqui).

Sid Mosca foi um artista sem igual. Felizmente, há pelo menos um continuador de sua obra: o filho Alan, que há muitos anos juntou-se ao pai na Sid Special Paint. Descanse em paz, mestre.

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domingo, 17 de julho de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 192: CONTERRÂNEOS



Uma ida a Santos me fez lembrar destas fotos, "pirateadas" há algum tempo do site do fotógrafo Rogério da Luz. Os jornais "A Tribuna" e "Cidade de Santos" (este, fechado em 1987) costumavam dar boa cobertura ao automobilismo e, claro, aos pilotos da terra que lutavam por vitórias no automobilismo e no motociclismo. Eu, evidentemente, torcia por eles. Além do aspecto bairrista, eu imaginava que vitórias de santistas poderiam incentivar a construção de um autódromo na cidade - como se nela houvesse algum espaço para isso...

Cláudio Cavallini, piloto do Fusca número 58 das fotos, era amigo de um conhecido de meu pai chamado Nelson Alves. Foi o primeiro piloto de automóvel com quem conversei na vida - foi em 1984, quando eu tinha 16 anos. Cavallini havia corrido na Divisão 3 e na Fórmula Super Vê na primeira metade da década de 1970. Depois, parou de correr. Conheci-o poucas semanas antes de ele voltar às pistas disputando o Brasileiro de Marcas com um Fiat Oggi da equipe Alpi, concessionária Fiat que ficava na rua Oswaldo Cruz, a poucas quadras do Colégio Santa Cecília, onde eu estudava. Meses antes, a Alpi expusera o Enricone de Attila Sipos, campeão da Fórmula Fiat em 1983. Para mim, aquilo equivalia a ver um Fórmula 1 ao vivo. Para minha cabecinha, aquilo equivalia a ter uma equipe de Fórmula 1 vitoriosa a poucas quadras de casa.

Voltando ao Fusca do Cavallini: reparem no "trabalho aerodinâmico" feito no carro. Essa era uma das coisas mais legais da Divisão 3: ver três dezenas de Fuscas correndo entre si e nenhum ser igual ao outro. Os preparadores usavam e abusavam da criatividade, criando cortes e formatos diversos de pára-lamas, tampas do motor e do porta-malas, etc.

O outro carro, o FNM número 1, ostenta o logotipo da Car Veículos, concessionária FNM (e posteriormente Fiat) de Santos. Não tenho ideia de quem era o piloto. Se alguém souber, por favor manifeste-se.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 191: EU, CAMPEÃO!

No piso da sala, minha pequena galeria de troféus. O dourado, à direita, é o do primeiro título da minha vida: campeão do primeiro turno do Caka (Campeonato Automotivo de Kart). 

 Com Gabriel e o amigo Hairton Ponciano Voz, da Auto Esporte, comemorando a vitória da Placa Preta na primeira prova do ano.
  
Em ação durante a terceira prova da Caka em Interlagos.

Segundo lugar na terceira corrida, dividindo o pódio da Placa Preta com o vencedor Geraldo "Tite" Simões e o terceiro colocado Chico Reis.


No grid de largada da quarta etapa.

Os leitores mais antigos deste humilde espaço virtual sabem que seu titular é, há alguns anos, assíduo participante de provas de karts de aluguel (também chamados de “kart indoor”, ainda que quase todas as pistas existentes atualmente em São Paulo e redondezas seja ao ar livre). Sabem também, lendo aqui e aqui, que meu entusiasmo raras vezes se traduziu em vitórias. Durante uns bons anos, me acostumei a andar no meio do pelotão e, às vezes, beliscar um segundo ou terceiro lugar.

Houve uma fase, em 2008, em que fiquei cinco ou seis corridas seguidas passando longe de terminar ao menos entre os oito primeiros colocados – os que marcavam pontos no campeonato da FIAk, reservado a jornalistas, fotógrafos, editores de arte e afins ligados ao automobilismo esportivo. Passou pela minha cabeça que eu estava ficando velho, que não levava jeito para a coisa, um monte de bobagens. Felizmente, “acordei” a tempo. Lembrei da minha adolescência e juventude, quando karts de aluguel simplesmente não existiam e a vontade de correr só poderia ser aplacada se eu participasse de provas oficiais – coisa para a qual não havia dinheiro disponível. “Não faz sentido parar agora que posso correr de alguma coisa”, pensei. E mudei de ideia: decidi continuar correndo e, mais ainda, aproveitar todas as oportunidades que aparecessem na minha frente, unicamente pelo prazer de vestir macacão, colocar capacete, disputar posições e controlar a “maquineta”. Terminar em primeiro ou em último seria o menos importante.

Eis que, em abril de 2010, quando eu já nem contava mais com a possibilidade de voltar a vencer alguma corrida na vida, obtive uma vitória inesquecível. Tive outros bons desempenhos ao longo do ano e, animado, me preparei melhor para o campeonato da FIAk de 2011. No começo deste ano,  recebi convites (imediatamente aceitos) para participar de mais dois campeonatos: Caka (Campeonato Automotivo de Kart), organizado por João Alberto Otazu e aberto exclusivamente a jornalistas da área automotiva, e outro denominado “Fórmula Kart”, organizado pelo Miguel Passos, amigo de outro corredor diletante, Luciano Adinolfi – aquele que jura pelo que há de mais sagrado que Henri Pescarolo é negro.

Deixemos de lado a FIAk, onde devo estar lá pelo 15° lugar na tabela de pontuação – com direito a uma quebra de kart na última corrida - e falemos dos outros dois campeonatos. O da Caka é organizado pelo Otazu com requintes de profissionalismo. Todas as corridas acontecem em Interlagos e os participantes são divididos em quatro categorias. Eu estou na “Placa Preta”, para competidores acima dos 40 anos de idade. Além dela, existem as categorias “Dilma” (mulheres de qualquer idade, já que é uma convenção universal não fazer perguntas sobre idade para elas), “Chassi Novo” (homens com menos de 40 anos já com uma certa experiência em corridas) e “Foca” (homens com menos de 40 que nunca haviam andado de kart na vida). Quando cabe, todos correm juntos; se a lista de inscritos for muito extensa, fazem-se duas baterias para acomodar todo mundo. Pontuação do campeonato e premiação (troféus para os três primeiros) são feitos unicamente por categorias, não havendo classificação geral, como acontece em campeonatos como o Le Mans Series e o Grand-Am estadunidense.

O campeonato da Caka está na metade e permitiu que eu formasse uma pequena, mas para mim valiosíssima coleção de troféus. Foram cinco corridas, três vitórias, um segundo lugar e um quarto. Resultados que me deram o título do Primeiro Turno da Placa Preta e mais um troféu para colocar na prateleira.

Os resultados me deixaram satifeito e meus desempenhos também. Nas três primeiras corridas, todas as categorias correram juntas. Fiquei em terceiro lugar nas três, sendo que nas duas primeiras fui o vencedor da Placa Preta. Na abertura do campeonato, recebi a bandeirada a apenas 1.4 segundo do “chassi novo” Rodrigo Lara, com quem disputei a vitória na geral durante quase toda a corrida. Na quinta etapa, os “chassis novos” correram em separado. Junto com os “placas pretas”, os “focas” e as “dilmas”, larguei em segundo e, durante as cinco ou seis primeiras voltas, andei junto com o líder, sobre o qual eu sabia apenas que não era um dos “velhotes” da Placa Preta. Depois, ele abriu distância, mas mantive o primeiro lugar na minha categoria. Terminei a 8 segundos dele e depois da bandeirada vi que se tratava do convidado Victor Correa, piloto da F3 europeia assessorado pelo Otazu. Quem quiser saber mais sobre a Caka pode acessar www.fizcaka.blogspot.com.

Na Fórmula Kart, corremos em vários circuitos e a quinta etapa aconteceu em junho em Itu. Obtive uma vitória dramática: “detonei” um kart ao decolar em uma zebra durante a tomada de tempos, larguei em quinto, caí para sexto, cheguei à liderança, fui ultrapassado e em seguida recuperei o primeiro lugar para não mais perdê-lo. Por pura coincidência, minha campanha na Fórmula Kart é idêntica à da Caka: cinco corridas, três vitórias, um segundo lugar e um quarto. Resultados que também me dão a liderança provisória do campeonato.

Nos últimos cinco meses, venci seis corridas – mais do que nos 15 anos anteriores (é verdade que, entre 1997 e 2004, houve vários anos em que não corri ou fiz no máximo duas corridas). Seja como for, o primeiro semestre de 2011 me proporcionou sensações inéditas: ser competitivo, lutar por vitórias, subir ao degrau mais alto do pódio para receber um troféu, liderar campeonatos e conquistar um título. Nada a ver com o baixo astral de dois ou três anos atrás, quando pensei seriamente em não correr mais.

Os campeonatos só terminam no final do ano – portanto, nada está decidido. Óbvio, meus objetivos são ser campeão da Caka e da Fórmula Kart, além de melhorar de posição na FIAk. Aguardem notícias!

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LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 190: FOTOS RARAS DOS CARROS DOS MEUS SONHOS

 
Jacky Ickx testa o Porsche 956 em Paul Ricard em 1982, poucos dias antes de o carro estrear com uma vitória em Silverstone.

Jean-Pierre Jarier no Lotus MK4 nos treinos para o GP do Canadá de 1978, um dos que ele "quase ganhou" em sua carreira na Fórmula 1.



O Porsche 917 da equipe de David Piper pintado nas cores do cigarro Gunston e pilotado por John Love/Richard Attwood na 9 Horas de Kyalami de 1970.

Tenho vários "carros de corrida prediletos", mas três deles me fazem babar colorido. Por ordem de chegada ao mundo: Porsche 917, Lotus MK4 (ou Lotus 79, como queiram) e Porsche 956/962. Motivos? Vários, mas dois deles se sobressaem: além de dominantes e ultracompetitivos, eram verdadeiras obras de arte sobre rodas. Um estilista preocupado apenas com a aparência não poderia conceber carros tão bonitos. São maravilhosos.

Num curto espaço de tempo e totalmente ao acaso, achei fotos raras desses três carros. A primeira mostra Jacky Ickx testando o Porsche 956 em maio de 1982, poucos dias antes de sua estreia nas 6 Horas de Silverstone. O carro já ostenta o patrocínio da Rothmans mas ainda está todo branco. Em Silverstone, já com a decoração definitiva (o azul e branco característico da Rothmans), Ickx e Derek Bell levaram o carro ao segundo lugar, atrás da Lancia LC1 de Riccardo Patrese/Michele Alboreto. No final do ano, o 956 deu à Porsche os títulos de pilotos (para Ickx) e de construtores.

Na foto do meio, Jean-Pierre Jarier pilota o Lotus MK4 nos treinos para o GP do Canadá de 1978, o primeiro realizado no circuito de Montreal. Jarier fez as duas corridas finais daquela temporada substituindo Ronnie Peterson, morto no GP da Itália. O francês foi inscrito com o número 55 e não com o 6, destinado ao segundo carro da Lotus naquele ano. Campeão europeu de Fórmula 2 em 1973, Jarier teve alguns bons desempenhos quando correu pela Shadow entre 1974 e 1976. Seu problema era a inconstância: alternava atuações brilhantes com corridas medíocres e perdia totalmente a motivação e o espírito de luta quando o carro não estava competitivo.

Ao sair da Shadow, padeceu com carros pouco competitivos nas temporadas de 1977 e 1978. Estava sem volante e com a reputação arranhada quando aconteceu o acidente que matou Peterson. Sem ter nada a perder, ofereceu-se para substitutir o sueco nos GPs dos EUA e do Canadá, que encerrariam a temporada de 1978. Surpreso, ouviu a instrução de viajar para a América do Norte e levar o macacão e o capacete. Não receberia um centavo pelas duas corridas e teria que pagar todas as despesas de sua viagem - mas teria a chance de guiar o carro que dominara a temporada e dera o título antecipado a Mario Andretti.

Jarier teve duas atuações espetaculares. Em Watkins Glen, caiu para os últimos lugares nas voltas iniciais e iniciou uma recuperação que o levou ao terceiro lugar. A quatro voltas do final, sua velha falta de sorte manifestou-se na forma de um problema no sistema de combustível. Na corrida seguinte, no Canadá, Jarier fez a pole position e liderou as primeiras 49 voltas da corrida. Mais 21 passagens e ele receberia a bandeirada, mas um vazamento de óleo obrigou-o a parar.

Após a corrida, Jarier teve a primeira chance de conversar calmamente com Colin Chapman, dono da Lotus, desde sua "contratação". Entre contente pelos desempenhos e chateado com os resultados, ouviu de Chapman que não haveria lugar para ele em 1979: a equipe já havia assinado com Carlos Reutemann. Como "pagamento", ganhou do construtor inglês um belo blusão preto e dourado do John Player Special Team Lotus. Hoje, itens como esse estão à venda nos sites das equipes, mas na época eram artigos raros, feitos unicamente para os integrantes das escuderias.

Jarier pegou o blusão, deixou-o em um canto do box junto com a mala de viagem e a sacola com o macacão e o capacete e foi se despedir dos mecânicos. Ao voltar para pegar suas coisas, não encontrou nada: tudo havia sido roubado. Parecia um pesadelo sem fim, mas o moral do francês voltou a ficar alto junto aos chefes de equipe. A recompensa viria semanas mais tarde, na forma de um contrato de dois anos com a Tyrrell. Jarier encerrou a carreira na F1 no final de 1983 com um recorde nada agradável: era o piloto que mais GPs havia disputado sem nunca ter vencido um (em 1994, essa "distinção" passaria a pertencer a Andrea de Cesaris). Permaneceu em atividade em categorias diversas praticamente até os dias de hoje.

Na última foto, aparece o Porsche 917K pilotado pelo rodesiano John Love e pelo inglês Richard Attwood na 9 Horas de Kyalami, prova válida pelo Springbok Series, um campeonato sul-africano de protótipos realizado no final de cada ano. Oferecia bons prêmios e era prestigiado pelas equipes e pilotos da Europa.

Pintar um carro de corrida nas cores laranja, marrom e dourado (as cores da embalagem do cigarro Gunston, patrocinador de John Love) parece a receita ideal para obter um monstro sobre rodas. Mas o 917K inscrito pela equipe de David Piper ficou bastante atraente. Pena que eles tenham abandonado devido a problemas nos freios.

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terça-feira, 5 de julho de 2011

DICAS DE VÍDEO: CHICO BUARQUE E CORRIDAS DE OUTRORA

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas recebi dois links para vídeos tão bons no mesmo dia que resolvi compartilhar ambos de uma só vez.

O primeiro vídeo está no blogue do mestre Mahar: um "Havoc" com cenas da primeira metade do século XX. Não me façam perguntas sobre os acidentes: reconheci apenas um, de Hans Herrmann, que começa aos 2:16. Herrmann saiu vivo e inteiro da porrada. Outros que aparecem provavelmente foram fatais. Quem souber mais fique à vontade para contar.

segundo vídeo mostra Chico Buarque contando sua reação quando viu pela primeira vez os comentários sobre ele na internet. Vale a pena ver. Quem se interessar em ver o restante pode acessá-lo na íntegra em http://www.chicobastidores.com.br/.

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