PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

terça-feira, 26 de abril de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 186: NIKI LAUDA, GP DA ALEMANHA DE 1976


Um carro de Fórmula 1 em uma situação típica de ralis. Coisas que hoje só acontecem quando alguém sai da pista e sofre um acidente, mas que eram comuns em décadas passadas. Mais ainda se a corrida fosse em Nürburgring, onde o circuito de quase 23 km de extensão era permeado por saltos e curvas inclinadas.

O que torna ainda mais especial esta foto do GP da Alemanha de 1976 (creio que feita nos treinos, pois a largada foi dada com pista molhada e durante a corrida o tempo ficou nublado) é o fato de o piloto ser Niki Lauda. Foi nessa corrida que sua Ferrari bateu, pegou fogo e ainda foi atingida pelo Surtees de Brett Lunger. Preso às ferragens, Lauda ficou entre a vida e a morte ao aspirar a fumaça resultante do incêndio.

Naquela época, não havia sistemas de resgate e atendimento médico padronizados como acontece atualmente: cada organizador de GP estruturava essas questões à sua maneira - e alguns o faziam pessimamente. Não era o caso dos alemães, que sempre haviam recebido nota máxima da FIA em termos de preocupação com a segurança. Mesmo assim, o socorro imediato foi prestado por colegas pilotos, mais precisamente Lunger, Guy Edwards, Harald Ertl e Arturo Merzario (Emerson Fittipaldi chegou depois ao local do acidente e também ajudou no que ainda era possível). 

Lauda, então campeão mundial e líder da temporada, foi levado ao hospital em estado crítico: seus pulmões foram duramente afetados e seu rosto teve várias queimaduras (dentro do carro em chamas, ainda consciente, Lauda tirou o capacete devido às dores provocadas pela fratura de um osso malar). Chegou a receber extrema unção, mas menos de 40 dias depois estava de volta ao cockpit de sua Ferrari para disputar o GP da Itália. Terminou em quarto lugar e foi recebido como herói pela torcida ferrarista. Na última corrida da temporada, deu duas voltas e abandonou: não queria arriscar o pescoço na chuva forte que caía em Fuji. Perdeu o título da temporada para James Hunt por apenas um ponto, mas seria campeão no ano seguinte e também em 1984.


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quarta-feira, 20 de abril de 2011

PAULO KUNZE


Eu nunca havia ouvido falar em Paulo Kunze. Nem por isso fiquei menos triste ao saber de sua morte depois de sofrer um acidente durante a prova da Stock Paulista realizada no domingo passado em Interlagos.

Paulo tinha 67 anos. A idade levantou uma série de questionamentos a respeito de uma eventual temeridade em fornecer carteira a pilotos mais velhos. Honestamente, acho isso uma bobagem. Paul Newman disputou a 24 Horas de Daytona em 2001, quando tinha 76 anos, pilotando simplesmente um Porsche GT1. Independente da idade, não há razão para negar a quem quer que seja o direito de correr, desde que as condições de saúde estejam em dia.

Não há idade máxima para uma pessoa desejar encarar desafios e superar limites. Pode ser que a teoria a seguir se revele uma tremenda bobagem, mas não duvido que, quando jovem, Paulo Kunze tivesse muita vontade de correr de automóvel e nenhum dinheiro para isso. Mais velho, teve condições financeiras para realizar seu sonho. Que também poderia ser o de jogar futebol, voar de asa delta ou surfar nas ondas do Havaí. Na Paraíba, há alguns anos, o dono de uma fábrica de bolachas mantinha um time de futebol inteiro participando de campeonatos estaduais, unicamente para ter o prazer de - com mais de 50 anos - cumprir o ritual de vestir calção e chuteiras e entrar em campo para uma competição oficial. O time (não me lembro o nome agora) era um "saco de pancadas", não ganhava uma, mas o dono saía feliz do campo a cada jogo. Unicamente por ter tido a chance de viver sensações as quais, durante muito tempo, lhe foi permitido apenas sonhar.

Descanse em paz, Paulo. Espero que você tenha aproveitado intensamente as horas em que passou no cockpit.

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LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 185: CHRISTOPHER CROSS, PILOTO DE COMPETIÇÃO


O cantor pop Christopher Cross disputando provas de Fórmula Super Vê nos Estados Unidos, em 1986 (foto acima, carro 22) e 1987 (no alto). As fotos, como quase todas deste post, são de autoria do estadunidense Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com/).

Álbum "Every Turn of The World", lançado por Christopher Cross em 1985. 

Este post também poderia estar alocado na seção "Um pouco de música, para variar". Fato é o seguinte: na virada da década de 1970 para a de 1980, todo mundo que ligou uma das emissoras de rádio FM existentes em Santos e cidades adjacentes (como São Paulo, por exemplo) ouviu alguma coisa do cantor, guitarrista e compositor texano Christopher Cross. Naqueles anos, era praticamente impossível desconhecer Never Be The SameArthur's Theme (Best That You Can Do), Sailing, All Right, Ride Like The Wind e outras músicas menos votadas. Até hoje, várias delas (para não dizer todas elas) podem ser ouvidas nas rádios direcionadas ao público na faixa dos quar... digo, ao público que aprecia a música pop das décadas de 1970 a 1990. (Tenho um monte de amigos e amigas com grilo por causa da idade e não quero estragar o dia de ninguém.)

Muito bem. Christopher Cross passou das "paradas de sucesso" para os programas de flashbacks (pelo menos aqui no Brasil) e a vida foi correndo. Anos atrás, veio parar na minha mão, nem lembro mais como, uma revista-programa de alguma corrida de Fórmula Indy de 1986. E descobri que o homem aproveitou o dinheiro ganho com a música para realizar o sonho de correr de automóvel. Escolheu a Fórmula Super Vê estadunidense e dividiu grids com nomes que depois ficariam relativamente conhecidos. Já não era um garoto: nascido em 1951, era um trintão encarando disputas com pilotos no mínimo dez anos mais jovens.

Não consegui descobrir nenhum grande resultado de Christopher Cross como piloto. Em compensação, a visita casual ao site do fotógrafo Mark Windecker revelou outras imagens interessantes. Várias delas me atraíram pelas pinturas dos capacetes: típicas da época, com degradês, quadriculados, enfumaçados e colmeias. Às vezes ficava espalhafatoso, mas me agrada bem mais do que o estilo "explosão na fábrica de tintas" (a expressão é do camarada Ivan Capelli) que predomina em alguns capacetes de hoje. Estão aí embaixo. Divirtam-se!


O piloto Dave Simpson com um típico capacete Simpson lançado em 1979 (inspirado no do personagem Darth Vader, do filme "Guerra nas Estrelas"). Esse capacete fez sucesso até meados da década de 1980. A etiqueta na gola mostra que o macacão também é da... Simpson. Mera coincidência ou membro da família? A foto, de 1987, é de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com/).



Dennis Vitolo, que anos depois passou discretamente pela Fórmula Indy, em 1987. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com).


 
Ken Johnson, 1987. O efeito de colmeia no na parte azul é idêntico ao que Emerson Fittipaldi tinha em seu capacete no final da década de 1970. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com).


O brasileiro Mauro Fauza na prova de Mid Ohio em 1986. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com).



Tony George - ele mesmo, o dono do circuito de Indianapolis e criador da Indy Racing League - em ação em Mid Ohio, em 1986. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com).


Este é E. J. Lenzi. Não tenho a mínima ideia do que ele fez de bom nas pistas, mas a pintura do capacete já vale a foto. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com/). 


Rusty Scott. Foto de Mark Windecker (http://mwphoto.smugmug.com).

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 184: DOS ARQUIVOS DE ANGI MUNHOZ

500 Quilômetros de Interlagos, 1972: o suíço Paul Blancpain (Chevron B19, número 33) desce o Retão e se aproxima da Curva 3 à frente de Angi Munhoz (Porsche 907, 48), Lella Lombardi (Fiat Abarth, 3), Teodoro Zeccoli (Alfa Romeo P33/3, 19) e Tite Catapani (Lola T210). Esta prova, vencida pelo alemão Reinhold Joest (Porsche 908/3) com Luiz Pereira Bueno (Porsche 908/2) em segundo e Herbert Müller (Ferrari 512M) em terceiro, foi uma das melhores corridas de esporte-protótipos realizadas no Brasil.


Angi dentro do Porsche 907 durante o final de semana dos 500 Quilômetros de Interlagos de 1972. O fim deste carro foi inglório: algum indivíduo desqualificado pôs fogo no galpão onde ele estava guardado. 

Em 1973, Angi Munhoz e o Alfa Romeo T33/3 equipado com motor V8 do... Ford Maverick. Naquele ano, os regulamentos nacionais das categorias de protótipos foram modificados: chassis fabricados fora do Brasil só podiam correr se tivessem motores de carros de série vendidos aqui. E motores "estrangeiros" só poderiam equipar chassis fabricados no Brasil.

Conheci Angi Munhoz, piloto paulista que obteve bons resultados nas corridas nacionais de turismo, protótipos e Fórmula Ford realizadas na primeira metade da década de 1970, neste evento realizado em 2006. Como sempre faço ao conhecer um piloto "das antigas", dei-lhe meu cartão e pedi que enviasse imagens e histórias para eu colocar aqui no blogue. Atencioso, Angi atendeu o meu pedido poucos dias depois. Eu, engolfado pela minha própria bagunça (jornalistas são seres desorganizados por natureza; se você não acredita, visite uma redação e veja com seus próprios olhos), salvei as fotos em algum lugar do computador e... esqueci do assunto.

Corrijo agora esta falta em que eu estava com Angi. Deleitem-se.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

SOTAQUE X MÉTRICA

Um dos prazeres que tive na viagem a Portugal foi reencontrar a amiga Flávia Paluello. De minha aluna no curso de Jornalismo da Uniban em 2000, tornou-se estagiária em meu escritório, formou-se e foi tentar voos maiores. Há sete anos, mudou-se para Portugal, onde se casou com o portugês Victor (ou Vitor? Ajuda aí, Flávia...) e teve uma filha, Malu, uma menina linda com cinco anos de idade.

Em conversas telefônicas anteriores à ida para Portugal, notei que Flávia havia desenvolvido um acentuado sotaque lusitano. Ao vivo, durante um jantar no "Tentações de Goa", em Lisboa, observei que Flávia conversava comigo em "brasileiro com sotaque lusitano" e mudava imediatamente para o "português de Portugal" quando falava com o marido, a filha ou os amigos que estavam conosco.

- Parabéns! Você aprendeu a falar português perfeitamente... - brinquei.

A resposta foi inesquecível:

- Mas Panda, eu não tenho sotaque. A métrica é que é diferente!

Qualquer que seja a explicação técnico-linguística, o fato é que, para mim, Flávia está falando como portuguesa. Seguiram-se as inevitáveis comparações de significados das palavras no Brasil e em Portugal. Flavia me falou baixinho:

- Nunca diga "fazer bico" por aqui...

E eu, no meu tom de voz normal, que adquiria proporções de vozeirão no pequeno salão do restaurante:

- Fazer bico? Por quê?

O "ssshhhhhhhhhhhh!!!!" foi seguido da explicação: em Portugal, "fazer bico" significa "fazer sexo oral".

Final do jantar. Flávia exercitou uma característica feminina aparentemente universal e que décadas atrás foi definida por Millôr Fernandes como sendo "a vaguidão específica". Sem olhar o cardápio, explicou a Victor qual seria sua sobremesa:

- Eu quero aquele negócio que é cheio de coisa.

Surgiu diante dela algo parecido com um pudim, realmente cheio de coisas. Saboroso. O nome, deixo para outra oportunidade. E fica o registro: a comida goesa é deliciosa.

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

GUSTAVO SONDERMANN (1982-2011)


Somente hoje abri os e-mails e fiquei sabendo da morte de Gustavo Sondermann em Interlagos. Eu não o conhecia, mas acompanhava sua carreira e sabia de suas conquistas - como a do título da Pick-Up Racing em 2008.

Tem muitas coisas que eu gostaria de falar a respeito do acidente que vitimou Sondermann. Por motivos diversos, prefiro me abster de fazê-lo neste momento e enviar a seus familiares e amigos minhas melhores energias.

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domingo, 3 de abril de 2011

VINTE VIRGINDADES


Estou de volta ao Brasil. Não esqueci da promessa de colocar aqui o que vi de interessante em Portugal. Não o fiz ainda porque preferi curtir a viagem a ficar blogando.

Estas duas semanas me proporcionaram exatamente o que eu mais desejava quando a planejei: histórias, conhecimento, sabores e aromas diferentes, sensações desconhecidas, novos amigos, alguma reflexão. Bem definiu o companheiro Jorge Sá, portuense que mora no Brasil há quase 30 anos: "Você perdeu umas 20 virgindades nesta viagem".

Uma delas foi essa aí da foto que ele tirou. Pela primeira vez em minha vida, vi e toquei em neve - um acontecimento não previsto e que, por isso mesmo, foi ainda mais prazeroso. Meus 42 anos se tornaram ainda mais bem vividos graças a essa "passadinha" no topo da Serra da Estrela, que normalmente já não tem neve nesta época do ano.

Agora, com licença: vou matar saudades. Já, já estarei de volta.

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