PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SOCIALISMO OU CAPITALISMO?

Por favor, observem as fotos abaixo.












A pergunta é: estas fotos mostram o quê?

A) Uma cidade soviética abandonada após o desastre nuclear de Chernobyl
B) Uma cidade estadunidense abandonada após um dos desastres do capitalismo

Não sabe? Não se aflija. A resposta está aqui.

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LUIZ PEREIRA BUENO (16/01/1937-08/02/2011)

Luiz Pereira Bueno e o Porsche 908/2 em plena luta contra o Berta de Luis di Palma em uma corrida na Argentina em 1971. Uma disputa que tornou Luizinho conhecido e admirado na Argentina.


Com o March 711 no GP do Brasil de 1972, extracampeonato: sexto lugar e o recorde do anel externo de Interlagos, que nunca mais seria superado.


Com o Surtees TS9B em seu único GP oficial, o do Brasil de 1973. 


A vida nos reserva momentos surpreendentes. Por conta de um exame médico e duas reuniões, passei toda a manhã desta terça-feira, 8 de fevereiro, sem tocar no computador. Já eram quase duas horas da tarde quando, almoçando com o amigo Heraldo Galan, tocou meu celular. Era meu filho Gabriel e imaginei que aquele seria um telefonema rotineiro, igual a tantos que ele me faz quando volta da escola. Infelizmente, não era.

- Papai, tenho uma notícia triste para você. O Luiz Pereira Bueno morreu.

É inevitável: por mais que você saiba que uma pessoa está muito doente e tem poucas chances de sobrevivência, receber a notícia da morte tira o chão de baixo dos pés. No fundo, acreditamos sempre em um milagre. Só que milagres, infelizmente, não acontecem. E meu filho de dez anos, que só sabia das façanhas de Luizinho pelos meus relatos, havia desenvolvido por ele a mesma admiração que eu, a ponto de fazer questão de me ligar para falar de seu falecimento.

Eu nunca cheguei a ver Luizinho correr. Comecei a acompanhar automobilismo em 1978, quando ele já estava semi-aposentado. Havia feito naquele ano uma corrida com um Chevrolet Opala da Divisão 1. Para um piloto com dois GPs de F1 e temporadas inteiras ao volante de carros velozes como Porsche 908, Bino, Opala e Ford Maverick de Divisão 3 e o protótipo Berta-Ford de Divisão 4, um carro de Divisão 1 parecia lento demais. Em 1978, o automobilismo nacional se tornara pequeno para um piloto do gabarito de Luizinho. Ele já era uma lenda e, por meio da leitura de velhas revistas, conheci a carreira vitoriosa na equipe Willys na década de 1960, na Fórmula Ford inglesa e nas corridas nacionais da primeira metade da década de 1970.

Luizinho voltaria a correr em outras duas oportunidades. Em 1982, iniciou a temporada como chefe da equipe Basf na Stock Car. O dono da equipe era Mike Mercede, que pilotava o carro número 60. O outro, número 90, foi entregue a Hélio “Horácio” Matheus. Por razões que já foram explicadas aqui, os carros da Basf andavam sempre nos últimos lugares. Depois de três corridas, “Horácio” saiu da equipe e nenhum outro piloto se interessou em substitui-lo. Para cumprir o contrato com o patrocinador, Luizinho assumiu o cockpit do Opala 90 – e conseguiu o melhor resultado do time: um nono lugar em Tarumã, logo à frente de Mike. Em 1984, Luizinho fez sua última corrida: os 1000 Km de Brasília, pilotando um Ford Escort da equipe de Luiz Antônio Greco – seu chefe nas equipes Willys e Ford até 1970. Terminou em nono lugar, dividindo o carro com Lian Duarte (seu parceiro nos primeiros tempos da Equipe Z) e Fábio Greco.

Passaram-se longos anos sem que eu tivesse notícias dele. Somente muito tempo depois de virar jornalista tive a chance de conversar com Luizinho. Foi em 2002, para escrever um artigo sobre o Porsche 908/2 para a Clubnews, revista do Porsche Club (e que pode ser lido aqui). A conversa, por telefone, superou todas as expectativas que eu tinha em relação ao ídolo. Memória aguçadíssima, educação digna de um lorde e, o que mais chamou minha atenção naquele dia, uma cabeça totalmente aberta à evolução do automobilismo.

Não faltaram boas histórias, claro. Algumas eu publiquei na Porsche Club e outras ele contou no livro “Paixão e Técnica ao Volante” – a biografia de Luizinho, lançada no final de 2010. Entre outras passagens, Luizinho falou do GP do Brasil de 1973. Nos treinos, ele relatou a John Surtees que o TS9B estava inguiável até mesmo nas retas. Alguma discussão se seguiu, mas Surtees finalmente constatou que um triângulo de suspensão estava montado em posição invertida e que as rodas estavam totalmente desalinhadas. “O Surtees deu uma bronca tão dura no mecânico que fiquei até constrangido”, contou. Só então ele pôde começar a explorar os limites do carro, mas logo surgiu outro problema: “O motor caía muito de giro quando eu engatava a segunda marcha e ‘dava um berro’ quando eu punha quarta. Intuí que as engrenagens estavam invertidas e fiz um teste invertendo os engates dessas duas marchas. Deu certo e passei o resto do final de semana guiando assim. Como eu já havia encontrado a ‘minha’ solução para o problema, preferi nem reclamar com o Surtees. Eu não queria que o mecânico levasse outra bronca daquelas.”

A certa altura, perguntei-lhe sobre a tecnologia dos carros da F1 da década de 2000, com a inevitável consideração sobre o quanto ela diminuía a importância do piloto na “tocada” da máquina.

- Eu não penso assim – afirmou com toda a educação, em um tom quase de desculpas por discordar do interlocutor. – Mudaram os meios, mas atingir o limite de um carro de corrida ainda é e sempre vai ser uma arte. Com a potência e a aderência que os carros de F1 têm hoje, seria humanamente impossível prescindir da tecnologia atual. O talento sempre vai fazer diferença. Os pilotos atuais são excepcionais.

Uma resposta simples, serena e fundamentada, que mudou para sempre a minha maneira de ver certas coisas. Até então, eu tendia a entrar sem muita análise crítica naquele ranço que vários pilotos “da antiga” costumavam manifestar – de que tudo era melhor no tempo deles e que pilotar um carro de corrida foi se tornando cada vez mais fácil ao longo dos anos.

Conheci Luiz Pereira Bueno pessoalmente em 2003, durante o lançamento do livro escrito por Paulo Scali sobre o autódromo de Interlagos. Ele se lembrava de nossa conversa e havia gostado muito da reportagem publicada na revista do Porsche Club. O encontro pessoal confirmou todas as boas impressões que eu tivera dele.

Durante o Renault Road Show (realizado em São Paulo em novembro de 2008, quando Nelsinho Piquet pilotou um F1 na avenida em frente ao parque do Ibirapuera), pude apresentar Luizinho a Gabriel. Meu filho, então com oito anos de idade, vivia um momento especialíssimo: era o segundo piloto de F1 que ele conhecia naquele dia – o primeiro havia sido o próprio Nelsinho, poucas horas antes. É dessa ocasião o registro feito abaixo. Encontrei Luizinho outras vezes até que, no começo de 2010, surgiu a notícia de que ele estava com câncer no pulmão - a doença que o matou aos 74 anos.

Bom descanso, campeão.

Os blogueiros e o ídolo durante o Renault Speed Show, em novembro de 2008.

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

FORZA KUBICA

Recado do Mantovani que traduz o pensamento de todo mundo que realmente gosta de automobilismo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

VEM AÍ MAIS UM REGULAMENTO DE MERDA

Acabo de ler no Tazio:



FIA sugere criação de uma "zona de ultrapassagem"


Pilotos teriam 600 metros na reta principal para usar asa móvel e fazer manobra


Publicado em 03/02/2011 - 08h06 Da Redação

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pretende fazer alguns ajustes para garantir o sucesso total da asa traseira móvel, entre eles criar uma zona de ultrapassagem de 600 metros.

A inovação estreou nesta semana nos testes coletivos de Valência, mas ainda existe uma incerteza sobre sua eficiência na corrida. No entanto, de acordo com o site da revista inglesa "Autosport", a FIA teria informado as equipes de seus planos para as primeiras corridas: melhorar o espetáculo sem banalizar as ultrapassagens (grifo do blogueiro. E pergunta idem: que carajo eles querem, afinal?).


A ideia da zona de ultrapassagem - onde a asa traseira mostrará sua utilidade - consistiria dos 600 metros finais da reta principal dos circuitos. O piloto só poderia ativar a asa se estivesse a menos de um segundo do carro à frente na zona de frenagem da curva anterior à reta principal.



Para a entidade, os 600 metros é a distância ideal para garantir as ultrapassagens, mas também não será tão fácil. Algumas simulações sugerem que este espaço resultará em um diferencial de velocidade entre os carros na casa de 10 a 12 km/h.


Para facilitar categoria, fãs e jornalistas, linhas serão pintadas na pistas para marcar a zona de ultrapassagem. Seria assim: uma linha indicará o início da zona de ultrapassagem, enquanto duas linhas serão pintadas na curva que indicará o segundo de diferença. Isso também ajudará quando o cronômetro falhar.

Os primeiros testes serão realizados na próxima semana, em Jerez e o sistema deve ser avaliado nas quatro primeiras corridas: Austrália, Bahrein, Malásia e China. "As equipes estão mais ou menos preparadas tecnicamente para isso. É preciso um ajuste fino", afirmou Eric Boullier, chefe da Renault


É tão surreal que eu custaria a acreditar, não fossem os antecedentes da FIA para criar regras estúpidas e desnecessárias. Esta, entretanto, bate o recorde: a FIA cria uma regra para facilitar ultrapassagens e, ao mesmo tempo, para limitá-las. Agora não basta mais ser mais rápido ou fazer o traçado X ou Y: o piloto vai ter também que saber direitinho se já passou da linha X ou Y para saber se pode fazer uma ultrapassagem usando a asa móvel - tudo isso sem contar o controle dos botões do volante e do acionamento da própria asa móvel. É ridículo demais.

Aguardem um festival de polêmicas e punições discutíveis por conta desta nova regra, caso ela realmente entre em vigor. Não duvido que esta praga se espalhe pelas categorias mundo afora.

A estupidez da FIA, que propõe regras como essa, e das equipes, que as aceitam, não tem limites. E ainda tem quem me pergunte por que é que eu acho o automobilismo de outrora muito mais instigante que o de hoje.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

COMO É BOM VIVER PARA VER ISTO

A presidenta Dilma Rousseff acena da Casa Rosada durante encontro com as mães e avós da Plaza de Mayo. Foto de Roberto Stuckert Filho/divulgação Presidência da República.

Reproduzo reportagem de Laryssa Borges para o Terra (quem quiser ler no original pode fazê-lo aqui). As razões e explicações estão lá embaixo, depois do texto.

Dilma: Avós da Praça de Maio identificam em mim o que perderam


A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que as Mães e Avós da Praça de Maio, mulheres que cobram o paradeiro dos desaparecidos políticos na ditadura argentina (1976-1983), identificaram nela uma maneira de se lembrarem dos filhos desaparecidos durante os anos de chumbo no país portenho. Dilma, que em visita de trabalho a Buenos Aires recebeu 23 mulheres que compõem a organização, foi presenteada com dois protótipos de casas populares, similares a trailers, para poder estudar uma eventual aplicação daquele modelo de moradia popular no Brasil.
 
"Elas fizeram uma manifestação de imenso carinho por mim. De uma certa forma identificando em mim o que elas perderam ao longo dos anos", disse a presidente na Base Aérea de Buenos Aires, ao deixar o país. Dilma foi uma sobrevivente da tortura durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). A mães e avós da Praça de Maio buscam localizar corpos e desaparecidos da ditadura argentina (1976-1983).
 
"Elas me explicaram que têm uma fundação, a Fundação das Mães da Praça de Maio, e me deram duas casas de um material desenvolvido por uma tecnologia que elas falaram que é delas, misturada com uma tecnologia italiana, de forma que você faz uma casa em muito pouco tempo. Elas me disseram que é bem barato. Se eu me interessar elas me dão o preço", disse a presidente a respeito do projeto habitacional das mães e avós.
 
"É muito interessante porque é uma casa reta e tem todos os elementos, cozinha, banheiro e quarto. Uma delas disse que o sorriso de uma criança é algo que para ela é impagável e por isso elas passaram a trabalhar na questão da fundação", afirmou ainda, sobre os protótipos.
 
Além de manter viva a memória dos desaparecidos políticos, as Mães e Avós da Praça de Maio conseguiram, através de cruzamento de informações e exames de DNA, localizar 102 homens e mulheres arrancados dos pais militantes durante a ditadura.
 
 
 
Esse foi o texto do Terra. Acima, as presidentas do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner. Ambas eleitas pelo voto direto e comprometidas com políticas nacionalistas e com as classes menos favorecidas.
 
Para alguém como eu, que passou a ter consciência política quando os dois países eram governados por figuras sinistras como os generais ditadores Ernesto Geisel, João Figueiredo (no Brasil), Jorge Videla, Roberto Viola e Leopoldo Galtieri (na Argentina), é um alento. Ainda há muito por fazer nos dois países, mas um longo caminho já foi percorrido.

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