DAN WHELDON (1978-2011)
Dan Wheldon comemorando as vitórias na 500 Milhas de Indianapolis em 2011 (no alto) e em 2005 (no centro). Na foto acima, o piloto inglês posa com o troféu da vitória de 2011, com seu Dallara-Honda e com o Marmon-Wasp vencedor da primeira edição da 500 Milhas de Indianapolis, em 2011.
Comecei a gostar de automobilismo após presenciar um acidente que resultou na morte de um piloto - Ronnie Peterson, no GP da Itália de 1978. Nesses 33 anos, assimilei tudo o que se costuma dizer quando um piloto morre. Automobilismo é um esporte de risco. Quem lida com automobilismo precisa estar preparado para a possibilidade de acidentes fatais. Entram também considerações que variam de acordo com as crenças de cada um - no destino, em Deus, em fatalidade.
Continuei gostando desse negócio mesmo depois da morte de um dos meus ídolos, Gilles Villeneuve, nos treinos para o GP da Bélgica de 1982. E de inúmeros acidentes que levaram embora pilotos de carro e moto. Mencionar as perdas que mais me abalaram seria tétrico e maçante. A lista é muito longa.
Hoje, acompanhei a corrida de Las Vegas da Indy pelo VT da Bandeirantes, sem ter a mínima ideia do que havia acontecido. Passei o dia todo fora de casa e, ao chegar, não quis acessar internet: preferi ver como se fosse ao vivo. Quando vi o acidente, soltei um grito - aquele palavrão em que você não xinga ninguém, mas sim exterioriza o susto e o temor de alguma consequência grave.
Foi nessa hora que o telefone tocou. Era Gabriel, que também estava vendo a corrida. Ao ver o acidente, ele entrou na internet e me ligou para dar a notícia:
- Você viu que o Dan Wheldon morreu?
Como espectador ou como jornalista, acompanhei várias mortes de pilotos. Você sempre imagina que está "preparado" para certas coisas. Que engano. Quanta pretensão. Nunca estamos preparados. Foi impossível conter o choro. Fiquei vendo o restante da transmissão - as voltas de homenagem, o choro dos pilotos e equipes, a tristeza do campeão Dario Franchitti, que foi colega de Wheldon na então equipe Andretti-Green.
Ponho o ponto final neste texto e vou sair para tomar um café com o Gabriel. Tenho certeza de que vamos falar muito sobre certas coisas da vida. Aqueles papos que todo pai acaba tendo com os filhos nesses momentos "para prepará-los para a vida". Espero ter serenidade e clareza mental para fazer isso com dignidade.
Bom descanso, Dan.
Marcadores: Dan Wheldon, Fórmula Indy




3 Comentários:
Minha reação foi parecida com a sua, meu amigo. Espero que tenha um momento proveitoso com o filho. No fim, é esse tipo de coisa que a gente leva da vida.
Abraço!
Me entristece, mas não me choca.
No fundo é como o pai dele mesmo disse: Foi-se fazendo o que mais amava.
E isto deve valer alguma coisa, afinal.
Putz, Panda. Tive a mesma reação que você. e tive uma péssima segunda-feira. Abraços.
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