LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 191: EU, CAMPEÃO!
No piso da sala, minha pequena galeria de troféus. O dourado, à direita, é o do primeiro título da minha vida: campeão do primeiro turno do Caka (Campeonato Automotivo de Kart).
Com Gabriel e o amigo Hairton Ponciano Voz, da Auto Esporte, comemorando a vitória da Placa Preta na primeira prova do ano.
Em ação durante a terceira prova da Caka em Interlagos.
Segundo lugar na terceira corrida, dividindo o pódio da Placa Preta com o vencedor Geraldo "Tite" Simões e o terceiro colocado Chico Reis.
No grid de largada da quarta etapa.
Os leitores mais antigos deste humilde espaço virtual sabem que seu titular é, há alguns anos, assíduo participante de provas de karts de aluguel (também chamados de “kart indoor”, ainda que quase todas as pistas existentes atualmente em São Paulo e redondezas seja ao ar livre). Sabem também, lendo aqui e aqui, que meu entusiasmo raras vezes se traduziu em vitórias. Durante uns bons anos, me acostumei a andar no meio do pelotão e, às vezes, beliscar um segundo ou terceiro lugar.
Houve uma fase, em 2008, em que fiquei cinco ou seis corridas seguidas passando longe de terminar ao menos entre os oito primeiros colocados – os que marcavam pontos no campeonato da FIAk, reservado a jornalistas, fotógrafos, editores de arte e afins ligados ao automobilismo esportivo. Passou pela minha cabeça que eu estava ficando velho, que não levava jeito para a coisa, um monte de bobagens. Felizmente, “acordei” a tempo. Lembrei da minha adolescência e juventude, quando karts de aluguel simplesmente não existiam e a vontade de correr só poderia ser aplacada se eu participasse de provas oficiais – coisa para a qual não havia dinheiro disponível. “Não faz sentido parar agora que posso correr de alguma coisa”, pensei. E mudei de ideia: decidi continuar correndo e, mais ainda, aproveitar todas as oportunidades que aparecessem na minha frente, unicamente pelo prazer de vestir macacão, colocar capacete, disputar posições e controlar a “maquineta”. Terminar em primeiro ou em último seria o menos importante.
Eis que, em abril de 2010, quando eu já nem contava mais com a possibilidade de voltar a vencer alguma corrida na vida, obtive uma vitória inesquecível. Tive outros bons desempenhos ao longo do ano e, animado, me preparei melhor para o campeonato da FIAk de 2011. No começo deste ano, recebi convites (imediatamente aceitos) para participar de mais dois campeonatos: Caka (Campeonato Automotivo de Kart), organizado por João Alberto Otazu e aberto exclusivamente a jornalistas da área automotiva, e outro denominado “Fórmula Kart”, organizado pelo Miguel Passos, amigo de outro corredor diletante, Luciano Adinolfi – aquele que jura pelo que há de mais sagrado que Henri Pescarolo é negro.
Deixemos de lado a FIAk, onde devo estar lá pelo 15° lugar na tabela de pontuação – com direito a uma quebra de kart na última corrida - e falemos dos outros dois campeonatos. O da Caka é organizado pelo Otazu com requintes de profissionalismo. Todas as corridas acontecem em Interlagos e os participantes são divididos em quatro categorias. Eu estou na “Placa Preta”, para competidores acima dos 40 anos de idade. Além dela, existem as categorias “Dilma” (mulheres de qualquer idade, já que é uma convenção universal não fazer perguntas sobre idade para elas), “Chassi Novo” (homens com menos de 40 anos já com uma certa experiência em corridas) e “Foca” (homens com menos de 40 que nunca haviam andado de kart na vida). Quando cabe, todos correm juntos; se a lista de inscritos for muito extensa, fazem-se duas baterias para acomodar todo mundo. Pontuação do campeonato e premiação (troféus para os três primeiros) são feitos unicamente por categorias, não havendo classificação geral, como acontece em campeonatos como o Le Mans Series e o Grand-Am estadunidense.
O campeonato da Caka está na metade e permitiu que eu formasse uma pequena, mas para mim valiosíssima coleção de troféus. Foram cinco corridas, três vitórias, um segundo lugar e um quarto. Resultados que me deram o título do Primeiro Turno da Placa Preta e mais um troféu para colocar na prateleira.
Os resultados me deixaram satifeito e meus desempenhos também. Nas três primeiras corridas, todas as categorias correram juntas. Fiquei em terceiro lugar nas três, sendo que nas duas primeiras fui o vencedor da Placa Preta. Na abertura do campeonato, recebi a bandeirada a apenas 1.4 segundo do “chassi novo” Rodrigo Lara, com quem disputei a vitória na geral durante quase toda a corrida. Na quinta etapa, os “chassis novos” correram em separado. Junto com os “placas pretas”, os “focas” e as “dilmas”, larguei em segundo e, durante as cinco ou seis primeiras voltas, andei junto com o líder, sobre o qual eu sabia apenas que não era um dos “velhotes” da Placa Preta. Depois, ele abriu distância, mas mantive o primeiro lugar na minha categoria. Terminei a 8 segundos dele e depois da bandeirada vi que se tratava do convidado Victor Correa, piloto da F3 europeia assessorado pelo Otazu. Quem quiser saber mais sobre a Caka pode acessar www.fizcaka.blogspot.com.
Na Fórmula Kart, corremos em vários circuitos e a quinta etapa aconteceu em junho em Itu. Obtive uma vitória dramática: “detonei” um kart ao decolar em uma zebra durante a tomada de tempos, larguei em quinto, caí para sexto, cheguei à liderança, fui ultrapassado e em seguida recuperei o primeiro lugar para não mais perdê-lo. Por pura coincidência, minha campanha na Fórmula Kart é idêntica à da Caka: cinco corridas, três vitórias, um segundo lugar e um quarto. Resultados que também me dão a liderança provisória do campeonato.
Nos últimos cinco meses, venci seis corridas – mais do que nos 15 anos anteriores (é verdade que, entre 1997 e 2004, houve vários anos em que não corri ou fiz no máximo duas corridas). Seja como for, o primeiro semestre de 2011 me proporcionou sensações inéditas: ser competitivo, lutar por vitórias, subir ao degrau mais alto do pódio para receber um troféu, liderar campeonatos e conquistar um título. Nada a ver com o baixo astral de dois ou três anos atrás, quando pensei seriamente em não correr mais.
Os campeonatos só terminam no final do ano – portanto, nada está decidido. Óbvio, meus objetivos são ser campeão da Caka e da Fórmula Kart, além de melhorar de posição na FIAk. Aguardem notícias!
Marcadores: Kart, La Mosca Blanca, memórias, Pandini







3 Comentários:
Se morasse em São Paulo encheria o bolso de tachinhas e iria te "ajudar" em algumas etapas, sabe com é... cada um tem o Briatore que pode pagar, e eu seria de graça....
Sacanagens à parte, parabéns para o desempenho do maior piloto do planeta - pelo menos na opinião do seu pimpolho que no final das contas é o que vale e o que conta - continue assim, é muito gratificante ter um Hobby e leva-lo a cabo, não te conheço pessoalmente mas o seu modo de escrever, pensar e tratar as pessoas denota um cara do bem e de bem com a vida, SORTE!!!!!
Rubem Rodriguez Gonzalez
Rubem, o que posso dizer depois de ler uma mensagem como a sua? "Muito obrigado" é pouco. Abraços! (LAP)
É divertido dividir a pista com alguém que, acima de tudo, é um esportista nato.
E kart é aprimoramento. É tornar mecânicas reações que normalmente não são assim. Treino, treino e mais treino.
Abs!
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