LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 190: FOTOS RARAS DOS CARROS DOS MEUS SONHOS
Jacky Ickx testa o Porsche 956 em Paul Ricard em 1982, poucos dias antes de o carro estrear com uma vitória em Silverstone.
Jean-Pierre Jarier no Lotus MK4 nos treinos para o GP do Canadá de 1978, um dos que ele "quase ganhou" em sua carreira na Fórmula 1.
O Porsche 917 da equipe de David Piper pintado nas cores do cigarro Gunston e pilotado por John Love/Richard Attwood na 9 Horas de Kyalami de 1970.
Num curto espaço de tempo e totalmente ao acaso, achei fotos raras desses três carros. A primeira mostra Jacky Ickx testando o Porsche 956 em maio de 1982, poucos dias antes de sua estreia nas 6 Horas de Silverstone. O carro já ostenta o patrocínio da Rothmans mas ainda está todo branco. Em Silverstone, já com a decoração definitiva (o azul e branco característico da Rothmans), Ickx e Derek Bell levaram o carro ao segundo lugar, atrás da Lancia LC1 de Riccardo Patrese/Michele Alboreto. No final do ano, o 956 deu à Porsche os títulos de pilotos (para Ickx) e de construtores.
Na foto do meio, Jean-Pierre Jarier pilota o Lotus MK4 nos treinos para o GP do Canadá de 1978, o primeiro realizado no circuito de Montreal. Jarier fez as duas corridas finais daquela temporada substituindo Ronnie Peterson, morto no GP da Itália. O francês foi inscrito com o número 55 e não com o 6, destinado ao segundo carro da Lotus naquele ano. Campeão europeu de Fórmula 2 em 1973, Jarier teve alguns bons desempenhos quando correu pela Shadow entre 1974 e 1976. Seu problema era a inconstância: alternava atuações brilhantes com corridas medíocres e perdia totalmente a motivação e o espírito de luta quando o carro não estava competitivo.
Ao sair da Shadow, padeceu com carros pouco competitivos nas temporadas de 1977 e 1978. Estava sem volante e com a reputação arranhada quando aconteceu o acidente que matou Peterson. Sem ter nada a perder, ofereceu-se para substitutir o sueco nos GPs dos EUA e do Canadá, que encerrariam a temporada de 1978. Surpreso, ouviu a instrução de viajar para a América do Norte e levar o macacão e o capacete. Não receberia um centavo pelas duas corridas e teria que pagar todas as despesas de sua viagem - mas teria a chance de guiar o carro que dominara a temporada e dera o título antecipado a Mario Andretti.
Jarier teve duas atuações espetaculares. Em Watkins Glen, caiu para os últimos lugares nas voltas iniciais e iniciou uma recuperação que o levou ao terceiro lugar. A quatro voltas do final, sua velha falta de sorte manifestou-se na forma de um problema no sistema de combustível. Na corrida seguinte, no Canadá, Jarier fez a pole position e liderou as primeiras 49 voltas da corrida. Mais 21 passagens e ele receberia a bandeirada, mas um vazamento de óleo obrigou-o a parar.
Após a corrida, Jarier teve a primeira chance de conversar calmamente com Colin Chapman, dono da Lotus, desde sua "contratação". Entre contente pelos desempenhos e chateado com os resultados, ouviu de Chapman que não haveria lugar para ele em 1979: a equipe já havia assinado com Carlos Reutemann. Como "pagamento", ganhou do construtor inglês um belo blusão preto e dourado do John Player Special Team Lotus. Hoje, itens como esse estão à venda nos sites das equipes, mas na época eram artigos raros, feitos unicamente para os integrantes das escuderias.
Jarier pegou o blusão, deixou-o em um canto do box junto com a mala de viagem e a sacola com o macacão e o capacete e foi se despedir dos mecânicos. Ao voltar para pegar suas coisas, não encontrou nada: tudo havia sido roubado. Parecia um pesadelo sem fim, mas o moral do francês voltou a ficar alto junto aos chefes de equipe. A recompensa viria semanas mais tarde, na forma de um contrato de dois anos com a Tyrrell. Jarier encerrou a carreira na F1 no final de 1983 com um recorde nada agradável: era o piloto que mais GPs havia disputado sem nunca ter vencido um (em 1994, essa "distinção" passaria a pertencer a Andrea de Cesaris). Permaneceu em atividade em categorias diversas praticamente até os dias de hoje.
Na última foto, aparece o Porsche 917K pilotado pelo rodesiano John Love e pelo inglês Richard Attwood na 9 Horas de Kyalami, prova válida pelo Springbok Series, um campeonato sul-africano de protótipos realizado no final de cada ano. Oferecia bons prêmios e era prestigiado pelas equipes e pilotos da Europa.
Pintar um carro de corrida nas cores laranja, marrom e dourado (as cores da embalagem do cigarro Gunston, patrocinador de John Love) parece a receita ideal para obter um monstro sobre rodas. Mas o 917K inscrito pela equipe de David Piper ficou bastante atraente. Pena que eles tenham abandonado devido a problemas nos freios.
Marcadores: Jacky Ickx, Jean-Pierre Jarier, John Love, La Mosca Blanca, Lotus MK4, Porsche 917, Porsche 956, Richard Attwood





2 Comentários:
Jarier, Pace e Amon eram os três pés de algum coelho preto de encruzilhada. O Moco ainda levou o azar para a sua vida particular e morreu estupidamente dentro de um teco-teco junto com o Marivaldo Fernandes nessas idiotices em que os seres humanos se metem sem pensar, era o melhor momento de sua carreira e parecia que definitivamente iria decolar sem a sombra do mafioso "el lole", esse sempre foi bom de politica, haja vista que seguiu carreira na mesma depois de abandonar as pistas. Mas o azar,... ahhh o azar!!!!!! Esse companheiro inseparável de alguns não o deixou em paz, sou meio ateu mas por muitas vezes sou obrigado a me curvar perante situações que fogem ao plausível e sempre com as mesmas pessoas. é coincidência negativa demais para ser só coincidência....
Rubem Rodriguez Gonzalez
Os Porsche's sempre são lindos. :)
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