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Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

sábado, 7 de maio de 2011

TCHAU, PRIMO

O blogueiro ainda criança e o primo Flávio no quintal da casa de nossa avó, no bairro de Perdizes, em São Paulo. No fundo, à direita, a casa de minha tia, onde aconteceu a história narrada neste post.


A capa da fita gravada de Suzi Quatro, também mencionada neste post. Obra de arte gráfica artesanal, tão bem feita que continuou guardada mesmo depois que a fita já havia virado lixo.

A semana que passou me deu, de maneira triste e inesperada, mais uma prova de que tempo e distância não apagam aquelas pequenas, mas importantíssimas influências na vida de qualquer pessoa. O relacionamento com meu primo Flávio Euclydes Ramos Jacopetti, 12 anos mais velho que eu, se encaixa perfeitamente nessa definição. A diferença de idade, o contato limitado (especialmente nos últimos vinte anos, quando ele se mudou para Brasília ao passar em concurso para ser assessor parlamentar na Câmara dos Deputados) e o fato de termos ficado alguns anos sem manter contato não foram empecilho para retomar bons papos e ótimas histórias após um reencontro ocorrido anos atrás. 

Comunista convicto (foi militante do PCdoB entre 1972 e meados da década de 1980; depois, afastou-se de atividades partidárias), Flavio foi em minha juventude uma das fontes de conhecimento em assuntos como política, música, literatura e até esporte. Várias vezes discordamos, óbvio. Corintiano, ele adorava atazanar qualquer pessoa quando o time alheio perdia. Como eu não gostava de futebol, passou a aproveitar todas as oportunidades possíveis para me convencer de que Nelson Piquet não guiava nada. Minha "vingança" aconteceu em 17 de outubro de 1981, quando Piquet conquistou o primeiro de seus três títulos. De Santos, liguei para ele especialmente para devolver os "sarros" que eu havia ouvido durante todo o ano. Minha tia disse que ele não estava. Logo depois, resolvi ligar de novo, fazendo a voz mais feminina possível e dizendo que era Fátima, uma ex-namorada dele. Por sorte, quem atendeu o telefone foi minha avó, que não percebeu quem era. Flávio veio falar com a "ex-namorada" - e ouviu pacientemente todas as provocações que lhe fiz.

Graças a seu arquivo particular, tomei conhecimento - com 11 ou 12 anos de idade - de publicações como os jornais Movimento, Opinião, Pasquim e dos primeiros números do suplemento Folhetim, editado por Tarso de Castro e encartado na Folha de S. Paulo. Graças ao Flavio, conheci desde pequeno artistas como Beatles (sim, foi ele quem me apresentou aos rapazes de Liverpool), Elton John, Rolling Stones, Suzi Quatro, Taiguara, Língua de Trapo e outros. Sua última contribuição para meu conhecimento cultural foi o escritor italiano Andrea Camilleri: passei a virada de 2010 para 2011 lendo "A Ópera Maldita", uma hilariante história sobre a inauguração de um teatro em uma pequena cidade da Sicília.

Quase dois anos atrás, falei um pouco do Flávio neste post. Sua morte foi inesperada, mas pelo menos foi rápida e indolor. Tchau, primo. A gente vai se reencontrar algum dia.

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3 Comentários:

Blogger Francis Henrique Trennepohl disse...

Meus pêsames!

sábado, 7 de maio de 2011 18:18:00 BRT  
Blogger Marco disse...

Sinceros sentimentos à toda família!

domingo, 8 de maio de 2011 00:22:00 BRT  
Blogger Tohmé disse...

Panda, sempre que as coisas estão parecendo que tranquilas, vem uma porrada como esta. Bola pra frente.

quarta-feira, 11 de maio de 2011 08:22:00 BRT  

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