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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

COMO É BOM VIVER PARA VER ISTO

A presidenta Dilma Rousseff acena da Casa Rosada durante encontro com as mães e avós da Plaza de Mayo. Foto de Roberto Stuckert Filho/divulgação Presidência da República.

Reproduzo reportagem de Laryssa Borges para o Terra (quem quiser ler no original pode fazê-lo aqui). As razões e explicações estão lá embaixo, depois do texto.

Dilma: Avós da Praça de Maio identificam em mim o que perderam


A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que as Mães e Avós da Praça de Maio, mulheres que cobram o paradeiro dos desaparecidos políticos na ditadura argentina (1976-1983), identificaram nela uma maneira de se lembrarem dos filhos desaparecidos durante os anos de chumbo no país portenho. Dilma, que em visita de trabalho a Buenos Aires recebeu 23 mulheres que compõem a organização, foi presenteada com dois protótipos de casas populares, similares a trailers, para poder estudar uma eventual aplicação daquele modelo de moradia popular no Brasil.
 
"Elas fizeram uma manifestação de imenso carinho por mim. De uma certa forma identificando em mim o que elas perderam ao longo dos anos", disse a presidente na Base Aérea de Buenos Aires, ao deixar o país. Dilma foi uma sobrevivente da tortura durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). A mães e avós da Praça de Maio buscam localizar corpos e desaparecidos da ditadura argentina (1976-1983).
 
"Elas me explicaram que têm uma fundação, a Fundação das Mães da Praça de Maio, e me deram duas casas de um material desenvolvido por uma tecnologia que elas falaram que é delas, misturada com uma tecnologia italiana, de forma que você faz uma casa em muito pouco tempo. Elas me disseram que é bem barato. Se eu me interessar elas me dão o preço", disse a presidente a respeito do projeto habitacional das mães e avós.
 
"É muito interessante porque é uma casa reta e tem todos os elementos, cozinha, banheiro e quarto. Uma delas disse que o sorriso de uma criança é algo que para ela é impagável e por isso elas passaram a trabalhar na questão da fundação", afirmou ainda, sobre os protótipos.
 
Além de manter viva a memória dos desaparecidos políticos, as Mães e Avós da Praça de Maio conseguiram, através de cruzamento de informações e exames de DNA, localizar 102 homens e mulheres arrancados dos pais militantes durante a ditadura.
 
 
 
Esse foi o texto do Terra. Acima, as presidentas do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner. Ambas eleitas pelo voto direto e comprometidas com políticas nacionalistas e com as classes menos favorecidas.
 
Para alguém como eu, que passou a ter consciência política quando os dois países eram governados por figuras sinistras como os generais ditadores Ernesto Geisel, João Figueiredo (no Brasil), Jorge Videla, Roberto Viola e Leopoldo Galtieri (na Argentina), é um alento. Ainda há muito por fazer nos dois países, mas um longo caminho já foi percorrido.

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