PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

SUGESTÕES DE PRESENTE DE NATAL PARA OS DILETOS LEITORES



O blogue PandiniGP deseja a todos seus leitores Boas Festas e um excelente 2012. E, sempre disposto a prestar serviços de utilidade pública, apresenta três sugestões de presente de fim de ano: os livros "Crime de Imprensa", de Palmério Dória e Mylton Severiano; "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Júnior; e "O Brasil Privatizado", de Aloysio Biondi.


"Crime de Imprensa" trata da cobertura (?) jornalística (??) feita pela "grande mídia" nas eleições de 2010. Desmascara toda a parcialidade dos veículos que se proclamam "isentos" e "independentes". E relata os estratagemas que a "grande mídia" é capaz de utilizar (e utiliza) para defender seus interesses - que nunca coincidem com os da população, especialmente a menos favorecida social e economicamente.


"A Privataria Tucana" e "O Brasil Privatizado" mostram, com provas, o "assalto ao patrimônio público brasileiro" - definição constante na capa do livro de Amaury sobre o que a "grande mídia" e o governo FHC chamou de "processo de privatização" das empresas estatais. Ou como o patrimônio de todos os brasileiros passou para as mãos de uns poucos amigos dos próceres do governo FHC - e em troca de quê.


Sobre o livro de Amaury, muito se escreveu na blogosfera nos últimos dias. Só na blogosfera: a "grande mídia" continua fingindo que o livro não existe, ou publicando risíveis artigos tentando desqualificar o autor e o conteúdo do livro. Um tiro no pé: como observou Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, "todo mundom quis ler o livro que a mídia censurou". Se alguém duvida do sucesso, já foram vendidos 130.000 exemplares. Nenhuma das dezenas de obras anti-Lula e anti-PT lançadas nos últimos anos chegou a isso.


"O Brasil Privatizado" foi publicado em 2000, mesmo ano da morte de seu autor, o jornalista Aloysio Biondi. O livro coloca a descoberto os esquemas ilícitos das privatizações e desmascara a propaganda cuidadosamente elaborada para que a população fosse induzida a aceitar as privatizações como remédio para todos os males do Brasil e, também, como passaporte para um verdadeiro paraíso. Passados mais de dez anos das privatizações de serviços como telefonia e fornecimento de eletricidade, pergunto: alguém está está satisfeito com o que recebe? Considera justo o preço cobrado? É bem atendido quando precisa de alguma assistência?


Boas festas e feliz 2012 a todos.


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

72 PORSCHES NO GRID


Belíssimo registro feito na manhã de hoje em Interlagos. Na reta dos boxes, 72 Porsches de corrida e todo o staff da categoria. Eu estou em algum lugar da primeira fila, de camisa branca.

O "click" foi feito pelo camarada Luca Bassani enquanto tonitruava frases do quilate de "Estou com um buraco atrás! Preciso encher!".

Os pedreiros que trabalhavam nas obras do autódromo devem ter adorado.

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MOMENTO PAI CORUJA

Ler elogios espontâneos a um filho é sempre bom. Mais ainda quando partem de gente que sabe do que está falando. É o caso do camarada Luc Monteiro, locutor de altíssimo nível (quem acompanha as corridas pelo canal Speed sabe do que estou falando) e companheiraço nas jornadas de trabalho do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil e do Porsche Club do Brasil.

Ontem, levei Gabriel a Interlagos, aproveitando a relativa calmaria do primeiro dia de treinos livres. O moleque fez entrevistas, sentou nos carros, viu o autódromo da torre de controle e queria (isto não deu para fazer) conhecer de perto o lago menor, que acabou secando após a reforma feita em 1989-1990. Ficou autódromo durante todo o dia e conheceu um monte de gente. Luc foi um dos que prestaram atenção à adaptação de Gabriel ao ambiente. Dessa observação nasceu este texto, que - confesso - me surpreendeu além da conta.

Obrigado pelas palavras elogiosas, camarada. É tudo o que, emocionado, consigo escrever neste momento.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SOBRE AS "DENÚNCIAS" DE VERSTAPPEN

Se você não sabe do que estou falando, por favor leia esta notícia publicada ontem em vários sites. Em seguida, volte aqui.

Muito bem. Se Verstappen, além de falar, tivesse apresentado alguma prova, eu o levaria a sério. Como não apresentou e baseou sua fala em suposições e achismos, eu o considero leviano. Simples assim.


Se ele quisesse "denunciar" alguma coisa, deveria tê-lo feito na época, e não 18 anos depois. Mas convenhamos: na época ele tinha medo de se queimar, não é? Passado tanto tempo, com a carreira praticamente encerrada (em boa parte por não encontrar lugar em nenhuma categoria de ponta) e sem ter o que perder, sai falando o que bem entende. Mesmo que seja verdade, falou tarde demais.

Convenhamos: Nelsinho Piquet foi - vamos dizer assim - bem mais corajoso. Fez suas denúncias contra Flavio Briatore menos de um ano depois do "Singapuragate".

Sobre as ajudas eletrônicas: elas realmente foram encontradas na Benetton, "desativadas e apenas para captação de dados" (quáquáráquáquá). Só que também foram encontradas, "desativadas e apenas para captação de dados" (quáquáráquáquá), na Ferrari, na McLaren e na... Wiliams. Mas, das outras, a brasileirada não faz muita questão de lembrar.

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domingo, 4 de dezembro de 2011

DILMA E OS PUSILÂNIMES


A foto acima já é a mais comentada do dia entre os blogueiros de esquerda. Sem tempo para fazer maiores considerações a respeito (e eu tenho muitas), publico o que coloquei no Facebook:

Dilma sendo interrogada em 1970 pelos esbirros da ditadura. No rosto dela, a convicção de quem lutava por uma causa justa. No deles, não dá para saber: os pusilânimes esconderam a cara no momento em que a foto foi tirada.


A isso, somo as duas ilustrações abaixo e também uma sugestão de áudio. Em 2008, o infame senador José Agripino Maia (DEM-RN), um dos lambe-botas beneficiários da ditadura, tentou encurralar a então ministra da Casa Civil evocando declarações dela de que "mentia muito" durante as sessões de tortura às quais foi submetida. Recebeu dela esta resposta, que deve estar doendo até hoje na cabeça do coprólito político.



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terça-feira, 29 de novembro de 2011

SHERLOCK BERTI RESOLVE O CASO DA FOTO MISTERIOSA


Camarada Sérgio Berti ficou com o Tucker Torpedo zero quilômetro oferecido neste post a quem explicasse a foto acima, feita no autódromo de Interlagos. O prêmio será entregue tão logo eu encontre uma concessionária autorizada Tucker em São Paulo ou Santos.

Para quem perdeu, reproduzo a indagação referente à foto: [...] O que levou os responsáveis pelo site do WEC a ilustrar a abertura do artigo sobre Interlagos com uma imagem tão estranhamente retocada? Por que diabos um filistino inserindípito inseriu essas árvores no lado externo da curva?

Muitos aventaram (Berti entre eles) a hipótese de a foto ter sido retocada com a inserção do carro andando em sentido contrário. "A árvore realmente existe e fica na retinha entre o Pinheirinho e o Bico de Pato. Só que ela fica bem perto do guard-rail e na foto ela está na beira da pista", comentou comigo durante no sábado do final de semana do GP do Brasil, em que exerceu suas funções de diretor de prova do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. No domingo, andando de carro na pista, Berti teve, por um átimo, a mesmíssima visão acima - sem o carro, evidentemente. E mandou e-mail explicando:

A árvore existe realmente. Na verdade é um grande arbusto que foi preservado na reforma.

Mas a foto realmente é para "derrubar" qualquer um. Hoje pela manhã eu acreditava que era uma montagem e o carro estava na contramão, já que a "árvore" fica na retinha entre a saída do Pinheirinho e o Bico de Pato. Porém, agora de tarde, passando pela pista, notei que o desnível entre os vários trechos de Interlagos criou ali uma ilusão de ótica, ou seja: o carro está fazendo a 1ª perna do "S" do miolo e a retinha do Pinheirinho ao Bico de Pato, por conta dos desníveis, não aparece na foto.

Pois é Panda, pode usar esta foto para ganhar algumas apostas, pois será muito difícil alguém acreditar nela. Grande abraço!

Taí, Serjão matou a charada. Retiro os impropérios que escrevi no post e dou meus parabéns ao fotógrafo da Peugeot Sport (cujo nome não é colocado no crédito) pela perspicácia.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

JOGO DE EQUIPE

"Dê passagem a Mika ou será demitido". Mensagem amistosa e agradável de Dennis para Coulthard no GP da Europa de 1997. Lembre-se disso quando a McLaren fazer críticas ao jogo de equipe.


"Ah, o título já estava decidido, não fez diferença para o campeonato. Então, o jogo de equipe da Red Bull não foi tão ruim."

Li e ouvi coisas assim, inclusive de gente que reputo como séria, depois da claríssima manobra da Red Bull para dar a vitória a Mark Webber em Interlagos. Em outras circunstâncias (ajudar o principal piloto da equipe a conquistar um título, por exemplo), não pode: aí o pessoal brada que jogo de equipe é ilegal, imoral, engorda e é pecado.

A FIA proibiu jogo de equipe - algo tão eficaz quanto proibir uma pessoa de soltar pum em vias públicas. E com isso chegou-se a uma situação ridícula: todas as equipes fazem jogo de equipe, todo mundo percebe, mas a coisa tem que ser disfarçada com mensagens do tipo "Fernando is faster than you", "Vettel tem problemas de câmbio" ou "Nico, você tem que poupar combustível". Se alguém se atrever a falar "Sebastian, dê passagem a Mark", será punido. Já cheguei a ouvir críticas não apenas ao jogo de equipe em si, mas também à "maneira" como ele foi feito. Uns malham subterfúgios como os citados acima; outros acham que o jogo de equipe "escancarado" é pior. Parece aquela história: o padre ficou puto quando um fiel perguntou se podia fumar enquanto rezava. E deu aprovação sem restrições a outro fiel, que perguntou se podia rezar enquanto fumava.

Haja hipocrisia. Haja incoerência.


Essa turminha ficaria horrorizada se ouvisse os diálogos entre Ron Dennis e David Coulthard no GP da Europa de 1997. Se você estiver sem tempo para procurar, uma frase do patrão para o piloto já basta: "David, se você não der passagem para Mika na próxima volta, será demitido. Fui claro?".

No automobilismo profissional, os pilotos são contratados para defender os interesses das equipes. Mas ainda tem gente que acha o contrário.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ÓTIMAS NOTÍCIAS, UMA DICA DE VÍDEO E UMA IMAGEM INCOMPREENSÍVEL


Ótima notícia número 1. O Campeonato Mundial de Endurance, dos protótipos e GTs que tanto gosto, vai voltar no ano que vem. Audi, Peugeot e Toyota são as três fábricas confirmadas para disputar a categoria P1 já em 2012. A Porsche confirmou que vai construir um P1 para a 24 Horas de Le Mans de 2014. Muito provavelmente, disputará o campeonato inteiro.

A primeira corrida de 2012 acontecerá em 17 de março: a tradicionalíssima 12 Horas de Sebring. Já estou na maior expectativa.

Ótima notícia número 2. Uma corrida está marcada para acontecer em Interlagos no dia 16 de setembro. Honestamente, só vou acreditar vendo - até porque o asterisco e a observação "a confirmar" estão presentes. Mas o fato de o ACO (Automobile Club de l'Ouest, o mesmo que organiza a 24 Horas de Le Mans) ter intenção de fazer uma corrida aqui é excelente.

Ótima notícia número 3. Interlagos, nosso tão profanado e maltratado templo, é respeitadíssimo no exterior - este artigo publicado no site oficial do WEC não deixa dúvidas a respeito. Tem status de pista lendária - e é mesmo. O traçado atual, que os saudosos do original (eu incluído) insistem em denegrir, é considerado um dos mais desafiadores do mundo. Podia não ser em 1990, mas certamente é bem mais interessante do que "coisas" do tipo Abu Dhabi e o circuito de rua de Valencia.

Então, eu pergunto: o que levou os responsáveis pelo site do WEC a ilustrar a abertura do artigo sobre Interlagos com uma imagem tão estranhamente retocada? Por que diabos um filistino inserindípito inseriu essas árvores no lado externo da curva?

As melhores respostas concorrerão a um Tucker Torpedo. Zero quilômetro.

Enquanto não começa, curtam o vídeo de apresentação do WEC 2012. Dica do camarada Rodrigo Mattar.
De arrepiar.

(ATUALIZAÇÃO EM 29/11: camarada Sérgio Berti solucionou o mistério da foto. Não perca!)

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

UM POUCO DE MÚSICA, PARA VARIAR: IVAN LINS, "DEPOIS DOS TEMPORAIS"

Esta é a minha preferida entre as músicas da parceria Ivan Lins/Vitor Martins. Ouvi-la me acalma, alegra, faz sentir como se eu estivesse molhando os pés na beira do mar, refrescando o restante do corpo com a brisa da praia e olhando para o oceano. Transporta minha mente para um dia de sol, independente do tempo que esteja fora dela. Me remete a 1983, ano do disco homônimo, e a todas as alegrias, descobertas, angústias e superações dos meus 14-15 anos.

Com vocês, Ivan Lins, "Depois dos Temporais".

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A FOTO PROMETIDA. E MAIS UMA HISTORINHA COM O QAPA


Conforme prometi no post anterior, esta é a foto do "pódio" de uma das últimas corridas de kart que disputei com o camarada Luiz Vicente Miranda Apa. Aconteceu na Granja Viana em agosto. Da esquerda para a direita: Bruno Terena, quarto colocado, fazendo pose de decepcionado com a colocação; Rafael Munhoz, segundo; Rodrigo França, eufórico vencedor; Qapa, terceiro; e eu, quinto. O clique foi feito pelo camarada Bruno Vicaria, com a máquina do França.

Junto com a foto, uma recordação de outra ocasião. Todos vocês devem se lembrar que, na noite de 10  de novembro de 2009, um "apagão" afetou 12 estados e deixou várias cidades (São Paulo incluída) sem energia. Pois precisamente naquela noite haveria uma prova da FIAK no kartódromo de Interlagos. A luz acabou quando eu, Natali Chiconi e Vicaria, que nos dava carona, estávamos na avenida do kartódromo, quase chegando. No meio do breu total, chegamos à pista e cumprimentamos os amigos que também iriam participar da prova, Qapa incluído. Aos poucos, foram chegando as notícias da dimensão do apagão e ficou claro que a energia não seria restabelecida tão cedo. Fomos embora.

No dia seguinte, Luiz Vicente me ligou (ou eu liguei para ele - honestamente, não lembro mais).

- Fala, LV! Há quanto tempo, fazem quase dez dias que não te vejo...

- Cê tá louco, Panda? A gente se viu ontem no kartódromo!

- A gente se encontrou, mas eu não te vi porque estava escuro...

Piada totalmente infame, eu sei. Mas foi talvez a única chance que tive de usá-la com algum sentido. Eu esperava (seria perfeitamente compreensível) algum muxoxo do tipo "Nossa, essa foi horrível!". Em vez disso, ouvi Luiz Vicente explodir do outro lado da linha em sua gargalhada única, que - agora vou parafrasear algum cronista, e peço perdão por não lembrar quem é - deveria ter sido tombada pelo patrimônio histórico.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TCHAU, QAPA


Perdoem a falta de acentos e outros sinais neste texto. Escrevo dos Estados Unidos, onde estou a trabalho e usando um computador nao configurado. Os acentos, porem, nao tem importancia nenhuma. Este e um texto que escrevo com enorme tristeza. No meio do caminho, recebi a noticia do falecimento do camarada Luiz Vicente Miranda Apa, grande companheiro de corridas de kart, almocos e fechamentos editoriais.

Um tombo de bicicleta, cabeca contra guia. E fim. De repente, o vazio. Tinhamos planos de almocos e conversas para os proximos fechamentos. Trocamos emails na sexta-feira - sobre trabalho, mas sempre tinhamos alguma brincadeira a fazer para o outro. Numa hora dessas, e pessimo estar longe, nao poder me consolar com os amigos em comum, nem dar pesames a Berli. Meu filho, que conhecia bem o Luiz, tambem sofreu bastante. Minutos depois de eu ter dado a noticia, me ligou de novo, chorando. "Papai, eu estou muito triste. Eu queria estar perto de voce para te dar um abraco bem forte, porque eu sei que voce tambem esta muito triste." Felizmente, estava acompanhado dos colegas de trabalho, que me ajudaram a vivenciar a emocao e seguir em frente.

Tempos atras, em uma das muitas corridas de kart que fizemos juntos, Luiz Vicente deu seu nome completo para a moca que preenchia a comanda. Ela entendeu "Rapa" e ele a corrigiu: "E Apa mesmo". A moca riscou o R com um circulo, mas a "cauda" do R fez a rasura ficar parecida com um Q. E, quando recebemos a folha de tempos, estava apenas seu ultimo sobrenome: "Qapa". Luiz sacou imediatamente a origem do engano e demos muita risada. Desde entao, minhas saudacoes e despedidas eram sempre as mesmas: "Fala, Qapa!" ou "Tchau, Qapa!". E ele sempre ria, mesmo conhecendo de cor a piada velha.

Em julho ultimo, ficamos duas semanas trabalhando juntos, direto, de manha ate de madrugada, fechando um livro sobre os 50 anos do automobilismo brasileiro apos a fundacao da CBA. Um trabalho prazeroso por si so, e mais ainda com o bom humor e disposicao do Luiz Vicente. Nessa mesma epoca, disputamos duas corridas. Quando voltar, vou postar a foto do podio de uma delas, Qapa em terceiro e eu em quinto. Corremos juntos pela ultima vez em setembro, na Granja Viana. Disputamos a vitoria palmo a palmo, junto com um piloto de outra turma, durante quase toda a corrida. Ganhei, mas demorou para eu comemorar: na penultima volta, Luiz nao teve como desviar de um retardatario e bateu forte nele. Ficou com o pe doendo, me assustei, mas ficou tudo bem e ainda fomos tomar lanche depois da prova.

Se existir alguma coisa depois desta vida, algum dia a gente vai se reencontrar. Por enquanto, fica a saudade de um otimo amigo, um dos caras mais gente boa que conheci e que me deu muita forca quando passei por momentos dificeis ha nao muito tempo.

Tchau, Qapa. Vou sentir muito a tua falta, camarada.

PS - A foto do Luiz que ilustra este post e de uma das muitas corridas que fizemos juntos: a 500 Milhas de Kart Amador da Granja Viana, em 2009. Sobre ela, pode-se ler mais em http://pandinigp.blogspot.com/2009/11/500-milhas-de-kart-amador-diversao-beca.html#links e em http://pandinigp.blogspot.com/2009/11/ainda-500-milhas-nas-palavras-do-grun.html#links

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domingo, 13 de novembro de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 196:

Jean-Marc Luco (Suíça), Ligier JS 3 (1971)

Frédéric da Rocha (França), Lola T298-BMW (1979)

Stéphane Gutzwiller (Suíça), Chevron B 16 FVC (1970)

Paolo Maurizio Basso (Suíça), Porsche 935 (1979)

Christopher Ball (Grã-Bretanha), Ford GT 40 (1968)

Bernard Thuner (Suíça), Lola T70 Mk III (1967)

Lucien Rossiaud/Louis Kolly (França), Chevron B36 BMW (1976)

Dominique Guenat (Suíça), Lola T286 Cosworth (1977)

Philippe Scemama (Suíça), Sauber C5 BMW (1976)

Didier Denat (Suíça), Porsche 911 RSR 3.0 (1974)

Jean-Marie Belleteste/Romain Belleteste (França), Lola T70 MkIII (1967)

Pierre-Alain France (França), Lola T70 Mk II B (1969)

Serafim Ribeirinho Soares (Portugal), Porsche 934 (1976)

 
Caíque Pereira e Fernando Amaral foram os dois solertes leitores que se atreveram a decifrar quais são os carros acima. E mandaram muitíssimo bem, acertando a maior parte das respostas e passando bem perto nas poucas em que erraram. Os nomes dos carros, todo mundo já viu, estão aí em cima. Nenhum dos pilotos é conhecido por aqui, e muito provavelmente são os felizes atuais proprietários das máquinas. As fotos foram feitas durante o Classic Endurance Racing, disputado como preliminar da etapa do Le Mans Series realizada em Estoril.

Abaixo, o texto original da postagem. Nos próximos dias, publicarei os dois últimos lotes de fotos das "manhãs de setembro" do Jorge Sá.
Eu sei: já estamos no sol de quase dezembro e eu ainda não acabei de colocar as fotos feitas pelo camarada Jorge Sá durante sua viagem realizada em setembro. Aos leitores, peço um pouco de paciência com as ausências prolongadas do blogueiro: não é fácil ficar jogando pratos no ar e segurar todos antes de um deles cair no chão.


Então, proponho este desafio aos leitores, se é que ainda tem algum por aí: identificar quais carros são estes, fotografados pelo Jorge durante sua visita ao "velho continente". Não coloco o local nem o nome do evento porque facilitaria muito as coisas. Aliás, tem aí pelo menos três carros que muita gente vai identificar fácil.


Os comentários ficarão represados e os nomes dos carros (e também de seus intrépidos pilotos) serão colocados na segunda-feira, dia 21 de novembro, data em que este post transmutar-se-á no "La Mosca Blanca" número 196. Até lá!

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FORÇA, LULA!


Estimado ex-presidente Lula:

Sempre costumo dizer que não existem governos "maravilhosos". Mas também digo para quem quiser ouvir que o seu governo, com todas as críticas que teu tenho a respeito dele, foi o melhor que o Brasil teve. Ninguém vai me convencer do contrário.

Ouvi falar do senhor pela primeira vez em 1980, quando tinha 12 anos incompletos e vi na TV algum noticiário sobre operários em greve por melhores salários. Hoje sei que, ao transmitir a notícia, a emissora certamente pretendia fazer eu (e seus milhões de telespectadores) pensar diferente do que pensei: "Se eles trabalham tanto, por que ganham tão pouco?". Nessa mesma época, outra indagação se criou em minha mente: "Por que não tem eleição para presidente no Brasil?". 

Depois de muita luta, aconteceram seis eleições presidenciais no Brasil. Votei no senhor em quase todas (em 1998, votei nulo por alguma razão que deve ter sido pífia, porque nem lembro mais qual foi) e fiquei feliz ao vê-lo ganhar em 2002 e, particularmente, em 2006. Também fiquei feliz ao dar meu voto para eleger sua sucessora Dilma em 2010.

Tudo isso são fragmentos da minha memória. Não têm importância alguma para ninguém, a não ser para mim. Mas foi a melhor maneira que encontrei para explicar por que estou torcendo, e muito, por sua recuperação. Enquanto escrevo, lembro de meu filho Gabriel, de 11 anos de idade, triste ao saber da sua doença - e logo depois extremamente feliz ao saber que as chances de cura são grandes. "Ele vai sair dessa, papai!".

Gabriel tem hoje a mesma idade que eu tinha quando ouvi falar pela primeira vez em Luiz Inácio Lula da Silva. Tem também uma consciência política que eu, com a idade dele, apenas ensaiava ter. E, principalmente, vive um Brasil que, apesar de ainda ter muito o que evoluir, é certamente muito melhor do que aquele de 1980.

Força, Lula!

Um abraço do seu eleitor

Luiz Alberto Pandini

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 195: RALI DE REGULARIDADE... OU QUASE








Este é o tipo de "Mosca Blanca" que mais gosto: fotos inéditas do arquivo de um piloto e recebidas junto com um depoimento do próprio. Estas preciosidades são do amigo Paulo Rig, vencedor e campeão em eventos como os da Driver Cup e Porsche Club. Sempre discreto, Rig nunca havia comentado de seu passado nos ralis brasileiros em nossos anos de convivência.

Cada foto tem no canto inferior direito o ano em que foi tirada. Uma delas, de 1985, mostra Paulo e seu Corcel II na rampa de largada do Rally de San Gennaro, prova de regularidade que tinha certa tradição e que coincidia com a festa paulistana anual para o santo padroeiro de Nápoles. Reparem também na quantidade de gente que acompanhava as largadas de provas noturnas (ou que, pelo menos, começavam à noite) em São Paulo. Perguntei ao Paulo como é que deixavam correr sem capacete e ele deu outros detalhes. Passo-lhe a palavra.

"[Os ralis de regularidade] foram minha primeira escola de pilotagem por seis anos seguidos, e no meu entender a melhor, onde a gente aprende realmente a "vestir" o carro. O capacete era opcional apenas para quem tivesse santantonio.

Foram na maioria provas de regularidade. Como tinham muito poucos rallyes de velocidade, as médias dadas pela organização eram altíssimas. Ou seja: mesmo na regularidade nosso ritmo era muito próximo ao das provas de velocidade. Também fiz alguns, e por sinal eu achava mais fáceis...
Depois veio o kart Mini/Parilla Evolution 2T por cinco anos até 2003, no campeonato paulista oficial e outros não oficiais na categoria Senior B.

Nas fotos, os navegadores eram Raul (Dodge 1800), Ary (VW 1600) e Ivo (Corcel II). A curiosidade é que eu corria como Novato. Como não tinha a menor condição de encarar os carros de fábrica, todo ano que eu deveria passar para a categoria Graduado, eu dava um jeito de continuar como Novato no ano seguinte...

Para mim era uma época sem grandes responsabilidades e o mais importante era se divertir. Muitas informações se perderam no tempo, mas lembro que o Dodginho era o carro da mãe... O que incomodava era cuspir tijolos quando acabavam as provas!

Ricardo Costa (Costinha), de São Paulo, hoje diretor do departamento de rally da Fasp, e Jorge Fleck, do Rio Grande do Sul, hoje administrador do Velopark, são alguns dos grandes nomes do rally da época.


Abraços!

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domingo, 23 de outubro de 2011

LÁGRIMAS



Para quem gosta tanto de automobilismo e motociclismo, uma das piores notícias que se pode receber é a da morte de um piloto em um acidente.

Bom descanso, Marco Simoncelli.

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

TENTATIVA INFELIZ DE APAGAR UMA TRISTE HISTÓRIA

Toda a promoção da Las Vegas Indy 300 estava centralizada em Dan Wheldon. Veio a tragédia e agora tem gente que considera ser possível apagar os vestígios da existência da corrida.


O site da IndyCar (http://www.indycar.com/) simplesmente apagou de seus arquivos as referências à corrida de Las Vegas. Óbvio, permaneceram as notícias sobre Dan Wheldon, mas informações básicas sobre o evento desapareceram. Ao clicar em "schedule", o internauta verá informações de datas, pistas, resultados e listas de inscritos somente até o evento de Kentucky. A Las Vegas Indy 300 simplesmente não aparece mais.

O trabalho de "limpeza" começou já na noite de domingo. Há muitos anos, criei o hábito de salvar e guardar documentos oficiais e folhas de tempos da F1, Indy, Le Mans e Mundial de Moto para consulta ou simples preservação em arquivo. Tais documentos sempre me foram úteis.

Neste ano, incumbido da missão de escrever o artigo da Indy (entre outros) para o anuário AutoMotor, fiquei ainda mais atento à coleta de dados, especialmente os resultados de corridas e grids de largada. No caso de Las Vegas, eu havia salvo o "spotters guide" (arquivo com os desenhos de todos os carros e pilotos) e voltei à página inicial para salvar o PDF do grid de largada. Surpresa: a data e a prova de Las Vegas haviam simplesmente desaparecido (veja em http://www.indycar.com/schedule/). Consegui chegar ao PDF do grid por outro caminho (um link enviado por e-mail pelo próprio serviço de divulgação da IndyCar) e copiei o resultado da prova até a fatídica 12ª volta (no momento em que escrevo, ainda disponível em http://racecontrol.indycar.com/Default.aspx?ResultMode=TIME).

Pergunta inevitável: quem será o "jênio" que pretende reescrever a história com decisões como essa? É perfeitamente compreensível tirar do site qualquer referência "festiva", diante da tragédia ocorrida. Mas apagar o fato de que a corrida de Las Vegas constava no calendário de 2011 me parece patético. Também incompreensível é tratar milhões de jornalistas e fãs de todo o mundo como se todos fossem crianças de um ano e meio de idade (basta tirar o brinquedo de perto para a criança esquecer dele). Todos nós sabemos, e as futuras gerações continuarão sabendo, que uma corrida estava marcada para 16 de outubro de 2011 em Las Vegas. Nada vai mudar o fato de que aconteceu um treino classificatório e que, antes do acidente fatal de Wheldon, foram percorridas 12 voltas de uma corrida chamada Las Vegas Indy 300. O fato de ela ter sido encerrada e declarada sem vencedor (atitude corretíssima diante do que aconteceu) não elimina sua existência. E, principalmente, não vai trazer Dan Wheldon de volta.

Às vezes, fico com a impressão de que certas pessoas se consideram representantes de uma etapa na evolução da humanidade. Muitas vezes, são. O homo sapiens veio depois delas.

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domingo, 16 de outubro de 2011

DAN WHELDON (1978-2011)



 
 Dan Wheldon comemorando as vitórias na 500 Milhas de Indianapolis em 2011 (no alto) e em 2005 (no centro). Na foto acima, o piloto inglês posa com o troféu da vitória de 2011, com seu Dallara-Honda e com o Marmon-Wasp vencedor da primeira edição da 500 Milhas de Indianapolis, em 2011.


Comecei a gostar de automobilismo após presenciar um acidente que resultou na morte de um piloto - Ronnie Peterson, no GP da Itália de 1978. Nesses 33 anos, assimilei tudo o que se costuma dizer quando um piloto morre. Automobilismo é um esporte de risco. Quem lida com automobilismo precisa estar preparado para a possibilidade de acidentes fatais. Entram também considerações que variam de acordo com as crenças de cada um - no destino, em Deus, em fatalidade.

Continuei gostando desse negócio mesmo depois da morte de um dos meus ídolos, Gilles Villeneuve, nos treinos para o GP da Bélgica de 1982. E de inúmeros acidentes que levaram embora pilotos de carro e moto. Mencionar as perdas que mais me abalaram seria tétrico e maçante. A lista é muito longa.

Hoje, acompanhei a corrida de Las Vegas da Indy pelo VT da Bandeirantes, sem ter a mínima ideia do que havia acontecido. Passei o dia todo fora de casa e, ao chegar, não quis acessar internet: preferi ver como se fosse ao vivo. Quando vi o acidente, soltei um grito - aquele palavrão em que você não xinga ninguém, mas sim exterioriza o susto e o temor de alguma consequência grave.

Foi nessa hora que o telefone tocou. Era Gabriel, que também estava vendo a corrida. Ao ver o acidente, ele entrou na internet e me ligou para dar a notícia:

- Você viu que o Dan Wheldon morreu?

Como espectador ou como jornalista, acompanhei várias mortes de pilotos. Você sempre imagina que está "preparado" para certas coisas. Que engano. Quanta pretensão. Nunca estamos preparados. Foi impossível conter o choro. Fiquei vendo o restante da transmissão - as voltas de homenagem, o choro dos pilotos e equipes, a tristeza do campeão Dario Franchitti, que foi colega de Wheldon na então equipe Andretti-Green.

Ponho o ponto final neste texto e vou sair para tomar um café com o Gabriel. Tenho certeza de que vamos falar muito sobre certas coisas da vida. Aqueles papos que todo pai acaba tendo com os filhos nesses momentos "para prepará-los para a vida". Espero ter serenidade e clareza mental para fazer isso com dignidade.

Bom descanso, Dan.



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terça-feira, 11 de outubro de 2011

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 194: GP DE ARAGON DE MOTOGP, POR JORGE SÁ

Segunda parte da publicação do produto do périplo do Jorge Sá pela Europa em setembro. Desta vez, as fotos do GP de Aragon de MotoGP. Divirtam-se!
Todo mundo junto logo depois da largada. Ben Spies, da Yamaha (11), à frente da Honda de Daniel Pedrosa (26).

A Honda de Pedrosa à frente da Yamaha de Colin Edwards. A foto foi feita nos treinos - a equipe Repsol Honda mudou a pintura das motos entre o treino e a corrida.

Pódio em Aragon: Casey Stoner (vencedor), Daniel Pedrosa (segundo colocado) e Jorge Lornzo (terceiro).

Jorge Lorenzo, campeão mundial de 2010, à frente de Hiroshi Aoyama. Repare que o número 1 da moto de Lorenzo é formado pelas iniciais "J" e "L".

Casey Stoner fazendo o que mais gosta: corrigir as derrapagens da moto... 

Andrea Dovizioso durante os treinos. Na corrida, caiu na primeira volta. 

O supercampeão Valentino Rossi em sua Ducati. Uma temporada para esquecer.

Rossi e sua prece junto ao pedal da moto antes da largada. O ritual é antigo e não tem nada a ver com a falta de competitividade da Ducati na atual temporada...

Felicidade visível nos olhos do vencedor Stoner, cada vez mais próximo de seu segundo título mundial na MotoGP. 

Hector Barbera, Ducati 

O joelho e o cotovelo visíveis a bordo desta Suzuki são de Álvaro Bautista.

Cal Crutchlow, da Yamaha Tech 3.



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