Buenos Aires fica menos romântica sem os Ford Falcon, Renault 12, Peugeot 504, Fiat 600 e outros carros da mesma estirpe
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Cheguei há poucas horas a Buenos Aires, onde neste final de semana acontecerão as provas extracampeonato do Porsche GT3 Cup - uma delas, a da categoria Light, será a centésima da categoria. Uma pane "sem gravidade" no avião atrasou a saída de São Paulo em uma hora e meia. Ótimo para colocar o sono em dia durante a espera em solo, mas péssimo para minhas pretensões de fazer uma saída noturna à cidade onde eu não vinha desde o final de 1996.
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Já comentei
aqui que considero a Argentina minha segunda pátria. Esta é a sétima vez que entro no país, a trabalho ou a passeio. Mas 14 anos é tempo mais que suficiente para fazer muitas coisas mudarem. Em minha última visita à Argentina, o presidente era Carlos Menem. Para quem não sabe, ele foi piloto de rali na década de 1980 - e suas virtudes acabam aí. Politicamente, está no mesmo rol de FHC, Fujimori, Salinas, Perez e outros presidentes latino-americanos que afundaram seus países com políticas econômicas que atendiam aos interesses de Washington. Hoje, esses e outros senhores tremem ao ver um camburão na rua: não faltam ações populares contra os crimes de lesa-pátria cometidos por eles. FHC é exceção à regra. Deveria estar na mesma situação, mas as OMBs (Organizações Mafiomidiáticas Brasileiras) fazem de tudo para elevá-lo à condição de oráculo. Felizmente, a maior parte do povo não cai mais na conversa deles (das OMBs e, principalmente, do FHC).
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Voltando à Argentina. Estive aqui pela primeira vez em 1991, para cobrir uma corrida de Fórmula 3 - foi a inesquecível primeira viagem internacional da minha vida. Vi de perto muitas coisas que conhecia apenas por TV, jornais e revistas. Fiquei trêmulo ao entrar em uma loja de LPs e ver um poster de Carlos Gardel. Me emocionei ao passar em frente a um prédio com o letreiro "Union Civica Radical" - o partido político de linha conservadora ao qual era filiado Raul Alfonsín, primeiro presidente eleito da Argentina após a sangrenta ditadura que perdurou entre 1976 e 1983. Pisar no autódromo de Buenos Aires, evidentemente, me fez lembrar de Reutemann, Fittipaldi, Piquet, Andretti, Lauda e tantos outros que, pela TV, vi correr lá. É um solo tão sagrado quanto os de Interlagos, Monza e Mônaco.
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Estar em Buenos Aires me faz tão bem quanto estar em Santos. Meu humor muda e meus sentidos se aguçam. A cidade é agradável e possibilita viver a movimentação de uma capital federal com parte da qualidade de vida de uma cidade de menor porte. Mas, como escrevi aí em cima, muita coisa muda em 14 anos. E, no trajeto aeroporto-hotel, senti falta de algo que fazia minha alegria nas outras vezes em que estive na Argentina: reparar nos carros "diferentes". Desapareceram das ruas os Ford Falcon, Renault 12, Peugeot 504, Fiat 600 e outros que vendiam às pencas na Argentina, mas não existiam no Brasil. Parece bobagem, mas eles reforçavam agradavelmente a percepção de estar em outro país, vivenciando outro cotidiano e outra cultura.
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Na Buenos Aires de 2010, a globalização e a "mercosulização" já fizeram seus estragos na "autodiversidade". Os carros que se vêem nas ruas são os mesmos que existem em São Paulo. Os fabricantes fazem os mesmos modelos na Argentina e no Brasil ou, se for o caso, abastecem o mercado do país vizinho. Como resultado, o trânsito de Buenos Aires, que antes era uma atração para mim, virou lugar-comum. Tão entediante para o visitante brasileiro quanto o trânsito de São Paulo.
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Fora isso, pelo pouco que vi, percebe-se que a cidade continua linda, limpa, bem cuidada e repleta de atrativos. Espero ter tempo para aproveitar alguns deles.
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Mais novidades ao longo do final da/de semana.
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