PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CONSTRANGEDOR

Como diria meu camarada Rodrigo Mattar: "Cruzes!" (ler com exaberbado sotaque carioca, por favor). Por pior do que seja, nenhuma mulher merece passar por vexame parecido com o da sra. Weslian Roriz durante o debate dos candidatos ao governo do Distrito Federal na RGT.
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Tudo começou quando o sr. Joaquim Roriz (marido da sra. Weslian, ficha sujíssima e ex-cacique político do DF) percebeu o fiasco que teria nas urnas e decidiu renunciar à candidatura ao governo. Em seu lugar, colocou a esposa - uma senhora visivelmente despreparada para qualquer embate político. Tão deslocada que despertou a compaixão dos outros candidatos, que tiveram sensibilidade e educação para não constrangê-la ainda mais.
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O vídeo dispensa maiores comentários. Fiquei realmente com pena da sra. Weslian. Ao submeter sua esposa a tão humilhante situação, o sr. Joaquim Roriz mostrou ser ainda pior do que se poderia pensar dele.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"AO TRAIDOR, A VERGONHA"

Eu não resisto à tentação de reproduzir aqui um texto publicado no Tijolaço, o blogue do deputado Brizola Neto. Reproduz fielmente o meu pensamento sobre esta figura lamentável chamada Fernando Henrique Cardoso. Ele deveria estar preso pelos crimes de traição e lesa-pátria, em vez de receber das OMBs espaço opinativo para escancarar seus ressentimentos, seus preconceitos, sua subserviência e sua falta de decência pessoal e política.

Ao traidor, a vergonha

por Brizola Neto

Se existe um personagem que tenha conseguido ficar marcado pelo povo brasileiro, este é, sem dúvida, o senhor Fernando Henrique Cardoso. Tornou-se um espectro que vaga, fantasmagoricamente, na política brasileira. A impressão que se tem é que só mesmo as páginas dos jornais hoje o acolhem. Ninguém mais quer a sua companhia, nem mesmo José Serra, seu candidato e pupilo.



Fernando Henrique é um desses exemplos que se adaptariam a perfeição à história bíblica de Caim. Trai estampado em suas têmporas o estigma da traição. É o homem condenado pelo crime político de vender o que não era seu, mas de toda a nacionalidade. É aquele que se pavoneando nos salões do capitalismo mundial vangloriava-se de ter entregado nossos minérios, nossa energia, nosso sistema de comunicações aos “luminares” do capitalismo que iam, finalmente, trazer a civilização e o progresso para o país de botocudos e incapazes.


Olhem, se ele não tivesse feito o mal que fez a este país, bastaria que dele disséssemos que é um bobalhão, um daqueles tipos folclóricos de que as cortes se valiam para adocicar seu humor e distrair o povo.


Mas, infelizmente, não lhe podemos ser indulgentes. O que ele entregou custará muito ao povo brasileiro para retomar, embora seja tão abençoado este país que o conseguiremos fazer.


Vejam, agora, o quanto custou ao Brasil reaver parte do controle da Petrobras que o senhor Fernando Henrique Cardoso mercadejou na Bolsa de Nova Iorque. Nada menos que US$70 bilhões, foi quanto o governo brasileiro teve de aportar na capitalização da Petrobras para recuperar menos de dois terços das ações que FHC distribuiu em Nova Iorque. Benza-nos Deus que tínhamos 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal para usarmos no resgate do crime de lesa-pátria que fez aquele homem.


Olhem os valores, vejam os números. Não se trata, absolutamente, de alguns tostões mal-empregados. Trata-se, como se viu, de dezenas de bilhões de dólares para recomprar o que foi vendido e que, aposto eu, não haverá um brasileiro capaz de dizer onde se empregou o dinheiro da venda, exceto no pagamento dos sanguessugas que vivem da especulação financeira.


Hoje, Fernando Henrique Cardoso vai deitar falação sobre os “ganhos políticos” que Dilma Rousseff não teria, ao vencer no primeiro turno. Senhor Fernando Henrique Cardoso saiba que suas opiniões e conselhos só têm um valor para o povo brasileiro. É o de saber que nada do que o senhor diz tem serventia, de que todos os caminhos que o senhor aponta devem ser trilhados exatamente ao inverso, se desejamos um país desenvolvido e justo.


Mesmo ausente, escondido, acoitado, homiziado nos seus artigos pedantes, o senhor, reconheça-se, tem um papel importantíssimo na campanha derrotada de José Serra. Ao vê-lo, é do senhor e do Brasil medíocre que saiu do seu governo que o nosso povão se lembra.


Seu sucesso, senhor Cardoso, durou o quanto duraram as rendas da monstruosa venda que se fez das riquezas do patrimônio do povo brasileiro. Alguns anos de poder podem ter sido a paga do traidor, mas a história – ah, a história- é o inclemente castigo da traição.

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

"O PRETO NO SOL É MAIS CLARO QUE O BRANCO NA SOMBRA." - Cândido Portinari

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Camaradas e camarados, esta semana vai ser longa e tensa. Ainda acredito na vitória de Dilma no primeiro turno, mas sei que as OMBs e os candidatos de direita vão fazer de tudo para prolongar a disputa por mais um mês. Pelo sim, pelo não, estou com o espírito preparado para a possibilidade de segundo turno.
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Considero minha missão dar uma contribuição, por menos repercussão que tenha, para que a direita golpista e as OMBs sejam nocauteadas nestas eleições. E que, como consequência, sejam compelidos a fazer uma autocrítica e alterar profundamente sua maneira de fazer política. Não tenho muitas ilusões quanto a isso, diga-se. Tais grupos já demonstraram que seus interesses não são fazer o que acreditam ser o melhor para o País, mas assegurar seus privilégios particulares à custa da entrega das riquezas nacionais e de manter a maior parte do povo na miséria e na ignorância. O governo Lula começou a alterar essa equação perversa e isso a direita preconceituosa, racista, entreguista e corrupta não aceita de jeito nenhum.
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Antes que apareça alguém me acusando de ser um "blogueiro sujo" pago pelo governo ou pelo PT: vivo do meu trabalho e não ganho um kwacha com este blog. Nunca prestei serviços para o PT ou algum governo do PT. Não quero e nunca quis que o governo do PT criasse alguma lei que me beneficiasse. Felizmente, não preciso de ajuda governamental para morar, comer, trabalhar, criar meu filho. Mas tem gente que precisa. E o que sempre desejei, desde que comecei a acompanhar política aos 12 anos de idade, era um governo eleito democraticamente que se dedicasse a combater a desigualdade e a miséria. Isso o governo Lula, comprovadamente, fez. E isso o governo FHC, comprovadamente, não fez.
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Fim do desabafo. Encerro este post com um serviço de utilidade pública prestado pelo blog Seja Dita Verdade: os desmentidos aos e-mails falsos sobre Dilma Roussef, espalhados pela direita golpista.
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A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb
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A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc
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O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ
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Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW
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Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX
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Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn
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Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg
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Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH
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Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t
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Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F
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Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58
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Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c
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Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p
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P.S. - O pintor Cândido Portinari proferiu a frase que abre este post referindo-se a uma simples constatação sobre o efeito da luz solar sobre a percepção do olho humano para tons de claro e escuro. Mas enxergo nela um significado extra: o de é melhor lidar com verdades colocadas às claras, por piores ou mais doloridas que sejam, do que lidar com mentiras em qualquer ambiente.
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Portinari foi candidato ao Senado nas eleições de 1946 pelo Partido Comunista. Atrevo-me a conjecturar que, hoje, seria um eleitor de Dilma Roussef.
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sábado, 25 de setembro de 2010

EN DIRECTO DE BUENOS AIRES

Carro de Fábio Casagrande, tendo ao fundo o arco da entrada do autódromo...
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...e os boxes e arquibancadas vistos da Salotto, a grande curva entre as retas do Lago e do Fundo, utilizados pela Fórmula 1 entre 1974 e 1981.
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Hoje é o dia das corridas do Porsche GT3 Cup em Buenos Aires. Por pura falta de tempo, pouco pude aproveitar da cidade. "Pouco", mas com qualidade: fui à livraria El Ateneo, que funciona em um antigo teatro. O espaço do palco é ocupado por um café. Espetacular.
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Meu hotel fica na Avenida Bernardo de Irigoyen, que vem a ser uma das marginais da famosa avenida Nueve de Julio. E a caminhada noturna de ida e volta revelou algo que praticamente não se via até 1996, a última vez que estive em Buenos Aires: mendigos, moradores de rua e famílias revirando os sacos de lixo deixados em frente aos prédios de escritório - me pareceu que estavam separando lixo para reciclar. Triste, muito triste. Certamente, ainda é reflexo da grande crise econômica de 2001, quando o país simplesmente "quebrou" como resultado das estripulias neoliberais conduzidas pelo sr. Carlos Menem - e, também, da incapacidade (ou impossibilidade) do presidente eleito em 1999, Fernando de la Rúa, de reverter o quadro econômico desfavorável.
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Também por falta de tempo, pouco pude fazer para me informar mais sobre a guerra que a presidente Christina Kirchner trava contra o oligopólio das OMAs (organizações mafiomidiáticas argentinas), de espírito golpista muito semelhante ao das OMBs (organizações mafiomidiáticas brasileiras). 
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Daqui a pouco eu volto.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TEMPLO SAGRADO

Entrada principal do autódromo de Buenos Aires.
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Ao lado do arco da foto de abertura, o graffiti na bilheteria: homenagem a Juan Manuel Fangio, Froilan Gonzalez e os irmãos Galvez.
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Hoje foi dia de pista. Revi os boxes e a sala de imprensa onde cobri pela última vez um GP de Fórmula 1, em 1995. Depois, uma volta a pé pela pista, incluindo as duas grandes retas e o "curvón" utilizados pela F1 entre 1974 e 1981.
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Pisar no autódromo de Buenos Aires é tão emocionante quanto estar em Intelagos e Jacarepaguá. Respira-se história aqui.
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Vou tomar um café e já volto.
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MALDITA GLOBALIZAÇÃO

Buenos Aires fica menos romântica sem os Ford Falcon, Renault 12, Peugeot 504, Fiat 600 e outros carros da mesma estirpe
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Cheguei há poucas horas a Buenos Aires, onde neste final de semana acontecerão as provas extracampeonato do Porsche GT3 Cup - uma delas, a da categoria Light, será a centésima da categoria. Uma pane "sem gravidade" no avião atrasou a saída de São Paulo em uma hora e meia. Ótimo para colocar o sono em dia durante a espera em solo, mas péssimo para minhas pretensões de fazer uma saída noturna à cidade onde eu não vinha desde o final de 1996.
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Já comentei aqui que considero a Argentina minha segunda pátria. Esta é a sétima vez que entro no país, a trabalho ou a passeio. Mas 14 anos é tempo mais que suficiente para fazer muitas coisas mudarem. Em minha última visita à Argentina, o presidente era Carlos Menem. Para quem não sabe, ele foi piloto de rali na década de 1980 - e suas virtudes acabam aí. Politicamente, está no mesmo rol de FHC, Fujimori, Salinas, Perez e outros presidentes latino-americanos que afundaram seus países com políticas econômicas que atendiam aos interesses de Washington. Hoje, esses e outros senhores tremem ao ver um camburão na rua: não faltam ações populares contra os crimes de lesa-pátria cometidos por eles. FHC é exceção à regra. Deveria estar na mesma situação, mas as OMBs (Organizações Mafiomidiáticas Brasileiras) fazem de tudo para elevá-lo à condição de oráculo. Felizmente, a maior parte do povo não cai mais na conversa deles (das OMBs e, principalmente, do FHC).
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Voltando à Argentina. Estive aqui pela primeira vez em 1991, para cobrir uma corrida de Fórmula 3 - foi a inesquecível primeira viagem internacional da minha vida. Vi de perto muitas coisas que conhecia apenas por TV, jornais e revistas. Fiquei trêmulo ao entrar em uma loja de LPs e ver um poster de Carlos Gardel. Me emocionei ao passar em frente a um prédio com o letreiro "Union Civica Radical" - o partido político de linha conservadora ao qual era filiado Raul Alfonsín, primeiro presidente eleito da Argentina após a sangrenta ditadura que perdurou entre 1976 e 1983. Pisar no autódromo de Buenos Aires, evidentemente, me fez lembrar de Reutemann, Fittipaldi, Piquet, Andretti, Lauda e tantos outros que, pela TV, vi correr lá. É um solo tão sagrado quanto os de Interlagos, Monza e Mônaco.
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Estar em Buenos Aires me faz tão bem quanto estar em Santos. Meu humor muda e meus sentidos se aguçam. A cidade é agradável e possibilita viver a movimentação de uma capital federal com parte da qualidade de vida de uma cidade de menor porte. Mas, como escrevi aí em cima, muita coisa muda em 14 anos. E, no trajeto aeroporto-hotel, senti falta de algo que fazia minha alegria nas outras vezes em que estive na Argentina: reparar nos carros "diferentes". Desapareceram das ruas os Ford Falcon, Renault 12, Peugeot 504, Fiat 600 e outros que vendiam às pencas na Argentina, mas não existiam no Brasil. Parece bobagem, mas eles reforçavam agradavelmente a percepção de estar em outro país, vivenciando outro cotidiano e outra cultura.
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Na Buenos Aires de 2010, a globalização e a "mercosulização" já fizeram seus estragos na "autodiversidade". Os carros que se vêem nas ruas são os mesmos que existem em São Paulo. Os fabricantes fazem os mesmos modelos na Argentina e no Brasil ou, se for o caso, abastecem o mercado do país vizinho. Como resultado, o trânsito de Buenos Aires, que antes era uma atração para mim, virou lugar-comum. Tão entediante para o visitante brasileiro quanto o trânsito de São Paulo.
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Fora isso, pelo pouco que vi, percebe-se que a cidade continua linda, limpa, bem cuidada e repleta de atrativos. Espero ter tempo para aproveitar alguns deles.
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Mais novidades ao longo do final da/de semana.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 171: WHISKY GRAND PRIX, "O WHISKY DOS CAMPEÕES"

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Este "La Mosca Blanca" tem origem em uma troca de e-mails, velha de mais de um ano, entre eu e o camarada de armas Ivan Capelli. A foto acima foi-lhe enviada por um leitor de seu (desativado?) blogue, Virgilio Júnior, de Vitória-ES, junto com a mensagem: "Semana passada foi aniversario da minha avó e lembrei desse adesivo que ela tem em sua cristaleira há vários anos. Desde que me entendo por gente esse adesivo existe na cristaleira dela, e tenho 25 anos. Será que é desses que o Raikkonen toma? Essa marca chegou a patrocinar algum piloto?"
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Capelli não tinha qualquer referência do "Whisky dos campeões" e perguntou se eu me lembrava dele: "Desconfio que tenha sido um uísque de fundo de quintal...", ironizava. Respondi que havia visto propaganda do uísque Grand Prix em rodapés publicitários da revista Auto Esporte, muitos anos antes. Após alguma pesquisa, encontrei os rodapés, escaneei-os e enviei ao Capelli. Por alguma razão, ele nunca colocou o material no ar. (Antes que chamem o Capelli de indelicado, informo que não tenho moral alguma para criticá-lo. Eu mesmo tenho materiais enviados por leitores e armazenados há meses. A vida de nós, blogueiros independentes, é muito atribulada...).
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O adesivo que orna a cristaleira da avó do Virgilio merece comentários. Partes da letra "G" e da asa traseira do carro ficaram sem a cor amarela, devido a uma falha de impressão no lado esquerdo. A ilustração reproduz um McLaren M23 com layout inspirado na pintura Yardley, mas foi aplicado o número 5 que Emerson Fittipaldi usava em 1974, ano de publicação dos anúncios. É curioso que um desenho detalhado a ponto de permitir tais identificações seja tão tosco e sem proporção em outros aspectos. Repare que o McLaren do "whisky dos campeões" tem somente três rodas (cadê a traseira esquerda?). O eixo dianteiro é completamente desalinhado, com uma roda bem à frente da outra.
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Os rodapés publicitários estão aí embaixo e saíram em três ou quatro edições da revista Auto Esporte em 1974, nas páginas destinadas à cobertura dos GPs de F1. Eram seis rodapés diferentes e cinco slogans: "A melhor fórmula de um bom whisky", "Um grande prêmio ao seu bom gosto", "Tão perfeito quanto um Fórmula Um" (assim mesmo, com o "um" por extenso), "Whisky dos que não gostam de ficar atrás" e "Para os que ocupam as primeiras posições". Curioso é que uma das peças mostra o GRD de Alex Dias Ribeiro, que disputava o Campeonato Inglês de Fórmula 3. Os demais retratados foram Mike Hailwood (McLaren - duas vezes, em uma delas seguido pelo Tyrrell de Patrick Depailler), Jody Scheckter (Tyrrell) e Emerson Fittipaldi (este, mostrado na Lotus de 1973; as demais fotos são de 1974). A sexta peça tem apenas uma bandeira quadriculada. Hoje, anúncios assim simplesmente não seriam feitos: no mínimo, os logotipos dos patrocinadores dos carros seriam apagados e os carros e capacetes descaracterizados para evitar acusações de "uso indevido de imagem".
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Nas reproduções abaixo, as bordas junto às lombadas estão cortadas porque, se eu abrisse as revistas para escaneá-las por inteiro, acabaria estragando-as. Até meados da década de 1980, revistas com lombada quadrada eram um problemão: a cola secava e a lombada, endurecida, se partia, soltando as páginas. Bastava abrir para ler e isso acontecia. Mas acho que já dá para curtir, não é? Então, um brinde ao whisky Grand Prix, de curta existência.
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Mike Hailwood
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Jody Scheckter
Emerson Fittipaldi

Mike Hailwood e Patrick Depailler

Alex Dias Ribeiro



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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 170: PORSCHE 911 GT3 R HYBRID

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Foto de divulgação de um dos carros de corrida mais legais que surgiram nos últimos tempos: o Porsche 911 GT3 R Hybrid. O bichinho tem dois motores: um normal, a combustão, com 4 litros, 380 cv e tração nas rodas traseiras, e dois motores elétricos, cada um com 80 cv, que fornecem tração para as rodas dianteiras.
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O GT3 R Hybrid já conseguiu um terceiro lugar em uma corrida do campeonato de endurance disputado no traçado antigo de Nürburgring e, pilotado por Martin Ragginger/Marco Holzer/Richard Lietz, liderava a 24 Horas de Nürburgring quando um problema no motor de 4 litros obrigou-o a abandonar. Mesmo sem final feliz, a Porsche confeccionou um poster promocional com uma foto do 911 GT3 R Hybrid no "Nordschleife" e uma única inscrição: "22:15" - 22 horas e 15 minutos, o período em que o carro funcionou.
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sábado, 11 de setembro de 2010

EM TUA MEMÓRIA, SALVADOR


Poema "Allende", de Mário Benedetti
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Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo, hacerlo llama,
porque el hombre de la paz era una fortaleza
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Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia,
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar mas para seguir matando,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza,
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Para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa,
una armada, una hueste, una brigada,
tuvieron que creer que era otro ejercito,
pero el hombre de la paz era tan solo un pueblo
y tenia en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios mas tanques mas rencores
mas bombas mas aviones mas oprobios
porque el hombre de la paz era una fortaleza
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Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse para siempre a la muerte
matar y matar mas para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad,
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.
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Mario Benedetti
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(Devo a lembrança do triste 11 de setembro de 1973 ao Esquerdopata. De lá, tirei o poema acima. Obrigado, companheiro!)

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 169: DAVID PURLEY NO SHADOW DN9


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"Meus leitores são de altíssimo nível, mas acho que esta foto vai iludir muita gente." Era essa a abertura do "Desafio". Iludiu alguns, mas como sempre apareceram  vários para decifrar o enigma. Trata-se de David Purley pilotando o Shadow DN9 durante uma prova do British F1 Series (também conhecido como "Aurora AFX") em 1979.
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A foto é particularmente significativa porque eu desconhecia que Purley havia chegado a correr depois de ter as pernas fraturadas em um acidente durante a pré-qualificação para o GP da Inglaterra de 1977. Duas curiosidades: ele está pilotando um Shadow "do ano", numa temporada em que ainda era comum as equipes do British F1 usarem carros do ano anterior (no Brasil, a categoria foi erroneamente chamada de "Fórmula Aurora" e explicada como "campeonato de F1 para carros de anos anteriores"; na verdade, era aberto também a monopostos de F2), e o fato de Purley estar usando o capacete de John Watson (por qual razão, não sei).
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Para quem ainda não conhece o feito mais heroico de Purley na Fórmula 1, sugiro assistir este vídeo.

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