PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

domingo, 29 de agosto de 2010

PROFANARAM A OBRA DO CHICO

O disco é excelente. Pena que estragaram o encarte da reedição mais recente.
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Sexta-feira à noite, voltando de Interlagos, parei na revistaria perto de casa para comprar a leitura da semana - Carta CapitalFórum, para ser mais exato. No caixa, vi o CD do álbum "Chico Buarque", de 1978, empilhado em um canto. Percebi que era uma reedição e pedi um para olhar, apenas por curiosidade para saber quem estava "bancando" a reedição. E devolvi à moça do caixa: afinal, tenho quase tudo do Chico em CD, LP ou ambos.
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A partir de agora, deixo a palavra ao camarada Marcão, do blogue Futepoca (Futebol, Política e Cachaça). Leiam e se estarreçam.
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O desespero machucando o coração
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Saindo do hipermercado, decidi dar uma passada na banca de jornais para conferir com os próprios olhos a tal pesquisa do Ibope, divulgada pelo Estadão, mostrando que Dilma Rousseff tem 51% das intenções de voto para as eleições presidenciais, contra 27% de José Serra, o segundo colocado. Pelo burburinho a minha volta, deu pra perceber que aqueles que iam - ou em algum momento consideraram a hipótese de - votar no candidato do PSDB, agora negam, disfarçam ou simplesmente se calam. Satisfeito com a informação, desisti de comprar jornal mas, antes de deixar a banca, notei um CD do Chico Buarque (foto) na prateleira, por R$ 7,90. Um CD que já tenho, mas, além do preço convidativo, era uma nova edição, com um encarte especial. Comprei.
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Trata-se de uma coleção da Editora Abril, que trará a discografia quase completa do Chico (se não me engano, vai ficar faltando só o "Chico Canta", de 1974). Buenas, cheguei em casa, abri o pacote e dei uma olhada por cima no livreto do CD. E, surpreso, me deparei com uma foto enorme do José Serra na página 11, página ímpar, de maior destaque. Assim, do nada, totalmente gratuita. Procurei no texto alguma coisa que justificasse, e a menção é tão gratuita quanto a imagem (o grifo é nosso) : "Embora a anistia só viesse a ser promulgada no ano seguinte, parte dos exilados políticos, entre eles José Serra, já havia retornado ao Brasil".
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Por que "entre eles José Serra"? Ou se menciona dois ou três, todos ou nenhum. E por que lançar essa coleção exatamente neste momento? Por que escolher um disco de 1978 para iniciar a publicação de uma obra que começa em 1966? E por que diabos botar uma foto do Serra, como um "herói exilado", numa página ímpar, praticamente na abertura do texto? É, o desespero anda machucando o coração dos Civita. A ponto de fazer uma coisa dessas justo com o Chico Buarque, um histórico simpatizante e defensor do PT, partido que seu pai, Sérgio, ajudou a fundar. Feio. Feio demais.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

A CARTA DE LÚCIO FLÁVIO PINTO AOS BLOGUEIROS

Por pura falta de tempo, não pude colocar aqui (ainda) meu relato sobre o I Encontro dos Blogueiros Progressistas. De imediato, registro o prazer de ter conhecido pessoalmente várias pessoas que eu conhecia apenas pelas letras, e reencontrado vários outros - o mais improvável desses reencontros foi descobrir que o solerte Cloaca News foi meu colega na Editora Azul, lá se vão mais de 15 anos.
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Cloaca recebeu o prêmio "Barão de Itararé", uma homenagem concedida ao blogueiro-símbolo do movimento. A eleição deveria ter sido direta, com cédula de papel e tudo, mas a aclamação em torno do Cloaca levou os organizadores a cancelar a eleição e dar o troféu ao Cloaca, reconhecendo sua legitimidade popular. É aquilo que o Professor Hariovaldo Almeida Prado sonha para o Zé, seu candidato à presidência da República.
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Cloaca foi aclamado símbolo da independência, irreverência e combatividade da blogosfera. E, também durante o encontro, fomos levados a uma profunda reflexão ao ouvir o conteúdo da carta do jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto. Ela foi lida por seu filho, Angelim Pinto, e expõe às claras como ainda é perigoso (sim, perigoso) fazer jornalismo independente no Brasil. Escancara também a hipocrisia das Aenejotas, Á-bê-ís, SIPs e quejandos em seus discursos sobre "liberdade de imprensa".
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Com vocês, a carta do Lúcio Flávio.
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Caros amigos blogueiros
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Sinto-me muito honrado pelo convite, que devo ao Azenha e à Conceição Lemes, para participar deste encontro. É uma iniciativa generosa e gentil para com um analfabeto digital, como eu. Garanto que sou capaz de ligar e desligar um computador, de enviar e receber mensagens. Não garanto nada a partir daí.


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Como, então, estou aqui? Sou – digamos assim – um blogueiro avant la léttre. Não podendo ser um tigre, posto que sou Pinto, fui precursor na condição de blogueiro de papel – e no papel. Às vezes, por necessidade, também um tigre in fólios – e nada mais do que isso.
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Em 1987, eu tinha 38 anos de idade e 22 de profissão e me vi diante de um dilema.
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Numa vertente, a carreira profissional bem assentada em O Estado de S. Paulo, então com 16 anos de “casa”, e também no grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país, no qual tinha 14 anos, com um rompimento pelo meio, quando tentaram me censurar, logo superado pelo restabelecimento da minha liberdade de expressão.
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Na outra vertente, uma matéria pronta, importante, mas que não encontrava quem a quisesse publicar. Era o desvendamento do assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, por morte de encomenda, executada na área metropolitana de Belém, o primeiro crime político em muitos anos na capital do Pará. O Estadão publicara todas as matérias que eu escrevera até então sobre o tema. Mas aquela, que arrematava três meses de dedicação quase exclusiva ao assunto, era, segundo o editor, longa demais.
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Já O Liberal a considerava impublicável porque ela apontava como envolvidos ou coniventes com a organização criminosa alguns dos homens mais poderosos da terra, dois deles listados entre os mais ricos. Eram importantes anunciantes. Ao invés de me submeter, decidi ir em frente.
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Aí, há 23 anos nascia o Jornal Pessoal, sem anunciantes, feito unicamente por mim, assemelhando-se aos blogs de hoje. Um blog impresso no papel, que exerceu na plenitude o direito de proclamar a verdade, sobretudo as mais incômodas aos poderosos.
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Em janeiro de 2005, depois de muitas ameaças por conta desse compromisso, fui espancado por Ronaldo Maiorana, um dos donos do grupo do grupo Liberal, que na época era simplesmente o presidente da comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará. Eu estava almoçando ao lado de amigos em restaurante situado num parque público de Belém, quando agressor me atacou pelas costas, contando com a cobertura de dois policiais militares, que usava – e continua a usar – como seus seguranças particulares.
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Qual a causa da brutalidade? Um artigo que publiquei dias antes sobre o império de comunicação do agressor. O texto não continha inverdades, não era ofensivo, nem invadia a privacidade dos personagens. Mas desagradava aos senhores da comunicação. Embora tendo a emissora de televisão de maior audiência do Estado, afiliada à Rede Globo, o jornal que ainda era o líder do segmento (já não é mais) e estações de rádio, não usaram seus veículos para me contraditar ou mesmo atacar com o produto que constitui seu negócio, a informação.
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O que resultou dessa agressão? Da minha parte, a comunicação do fato à polícia, que enquadrou o criminoso na forma da lei. Mas o agressor fez acordo com o Ministério Público do Estado, entregou cestas básicas a instituições de caridade (uma delas ligada à família Maiorana) e permaneceu solto, com sua primariedade criminal intacta. Já o agressor, com a cumplicidade do irmão mais velho e mais poderoso, ajuizou contra mim 14 ações na justiça, nove delas penais, com base na Lei de Imprensa da ditadura militar, e cinco de indenização.
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O objetivo era óbvio: inverter os pólos, fazendo-me passar da condição de vítima para a de réu. Em quatro das ações eu era acusado de ofender os irmãos e sua empresa por ter dito que fui espancado, quando, segundo eles, eu fui “apenas” agredido. Mais um dentre vários absurdos aviltantes, aos quais a justiça paraense se tem prestado – e não apenas aos Maiorana, já que me condenou por ter chamado de pirata fundiário o maior grileiro de terras do Pará e do universo, condição provada pela própria justiça, que demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório imobiliário de Altamira, onde a fraude foi consumada, colocando ao alcance do grileiro pretensão sobre “apenas” cinco milhões de hectares.
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Os poderosos, que tanto se incomodam com o que publico no Jornal Pessoal, descobriram a maneira de me atingir com eficiência. Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos. Nunca fui desmentido sobre fatos, o essencial dos temas, inclusive quando os abordo pioneiramente, ou como o único a registrá-los. Não temo a divergência e a contradita. Desde então, os Maiorana já me processaram 19 vezes.
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Nenhuma das sentenças que me foram impostas transitou em julgado porque tenho recorrido de todas elas e respondido a todas as movimentações processuais, sem perder prazo, sem deixar passar o recurso cabível, reagindo com peças substanciais. O que significa um trabalho enorme, profundamente desgastante.
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Desde 1992, quando a família Maiorana propôs a primeira ação, procurei oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou. Os motivos apresentados foram vários, mas a razão verdadeira uma só: eles tinham medo de desagradar os poderosos Maiorana. Não queriam entrar no seu índex. Pretendiam continuar a brilhar em suas colunas sociais, merecer seus afagos e ficar à distância da sua eventual vendetta. Contei apenas com dois amigos, que se sucederam na minha defesa até o limite de suas resistências, de um tio, que morreu no exercício do meu patrocínio, e, agora, com uma prima, filha dele.
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Apesar de tantas decisões contrárias, ainda sustento minha primariedade. Logo, não posso ser colocado atrás das grades, objeto maior do emprenho dos meus perseguidores. Eles recorrem ao seu cinto de mil utilidades para me isolar e me enfraquecer.
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Não posso contar nem mesmo com o compromisso da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu atual presidente nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior, quando presidente estadual da entidade, firmou o entendimento de que sou perseguido e agredido não por exercer a liberdade de imprensa, o direito de dizer o que sei e o que penso, mas por “rixa familiar”.
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No entanto, dos sete filhos de Romulo Maiorana, criador do império de comunicações, só três me atacam, com palavras e punhos. Dos meus sete irmãos, só eu estou na arena. Nunca falei da vida privada dos Maiorana. Só me refiro aos que, na família, têm atuação pública. E o que me interessa é o que fazem para a sociedade, inclusive no usufruto de concessão pública de canal de televisão e rádio. E fazem muito mal a ela, como tenho mostrado – e eles nunca contraditam.
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Crêem que, me matando em vida, proibindo qualquer referência a mim e meus parentes, e silenciando sobre tudo que fazem contra mim na permissiva e conivente justiça local, a história dessa iniqüidade jamais será escrita porque o que não está nos seus veículos de comunicação não está no mundo. Não chegaria ao mundo porque o controlam, a ponto tal que tem sido vão meu esforço de fazer a Unesco, que tem parceria com a Associação Nacional de Jornais, incluir meu caso na relação nacional de violação da liberdade de imprensa.
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O argumento? Não se trata de liberdade de imprensa e sim de “rixa familiar”. O grupo Liberal, por mera coincidência, é um dos seis financiadores do portal Unesco/ANJ.
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Após os Maiorana, o dilúvio. A maior glória do Jornal Pessoal é nunca ter sido derrotado no terreno que importa à história: o da verdade. Enquanto for possível, as páginas do Jornal Pessoal continuarão a ser preenchidas com o que o jornalismo é capaz de apurar e divulgar, mesmo que, como um Prometeu de papel, o seu ventre seja todo extirpado pelos abutres.
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Eles são fortes, mas, olhando em torno, vejo que há mais gente do outro lado, gente que escreve o que pensa, apura sobre o que vai escrever e não depende de ninguém para se expressar, mesmo em condição de solidão, de individualidade, como os blogueiros, que hoje, generosamente, me acolhem nesta cidade que fiz minha e que tanto amo, como se estivesse na minha querida Amazônia.
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Quer conhecer o Jornal Pessoal? Clique aqui.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

I ENCONTRO DOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

EU ME RENDO

Eu pretendia passar longe de drogas pesadas como Twitter e Facebook, mas não teve jeito.
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Os fanáticos seguidores (são poucos, mas fiéis) dispostos a me acompanhar nestas duas redes devem procurar por "pandinigp" para me adicionar.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

UM POUCO DE MÚSICA PARA VARIAR: "UMA NOITE EM 67" E SÉRGIO RICARDO CANTANDO "BETO BOM DE BOLA"

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Os vitoriosos intérpretes de "Ponteio": Marília Medalha, Edu Lobo e os rapazes do grupo Momento Quatro. Um de seus integrantes, Ricardo Vilas, aparece com expressão séria, ao lado de Edu. Dois anos mais tarde, ele seria um dos presos políticos libertados após o sequestro do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick.
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Gilberto Gil cantando "Domingo no Parque", a segunda colocada do Festival. Fora da foto, à esquerda de Gil no palco, estavam os então desconhecidos Mutantes - Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias.
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Chico Buarque partilhando um único microfone com Magro, Aquiles, Dalmo e Miltinho - os rapazes do MPB4 - na interpretação de "Roda Viva", terceira colocada.
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Caetano, acompanhado pelos argentinos do Beat Boys, leva "Alegria, Alegria" ao quarto lugar.
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Roberto Carlos, quinto colocado, cantou "Maria, Carnaval e Cinzas", de Luiz Carlos Paraná.
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Sérgio Ricardo, vaiado ao cantar "Beto Bom de Bola", perde as estribeiras...

...e quebra o violão para, depois, atirá-lo na plateia.
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Os últimos tempos tem sido excelentes para quem, como eu, gosta de cinema nacional. Fãs de documentários, então, não podem se queixar. "Cidadão Boilesen", "Caro Francis" e "Dzi Croquetes" foram alguns dos que assisti no cinema nos últimos meses, depois de ver e rever "Hércules 56" no DVD. E, domingo passado, consegui finalmente ver "Uma noite em 67", sobre a final do marcante III Festival de Música Popular Brasileira promovido pela TV Record.
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Para quem nasceu depois e nunca se inteirou muito da história dos festivais dos anos 60, é preciso explicar que eles tinham enorme repercussão na época. E revelaram ou amplificaram a obra de muita gente que até hoje é referência na música brasileira - as fotos aí em cima não deixam mentir. O Festival da Record de 1967 é considerado por Zuza Homem de Mello (expert em qualquer coisa que diga respeito a música e autor do livro "A Era dos Festivais", obra definitiva sobre os festivais de MPB promovidos por emissoras de TV) como o auge da era dos festivais.
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Dito isso, fica explicada a razão de os diretores Renato Terra e Ricardo Calil se interessarem em produzir um documentário cujo fio condutor (a final do Festival da Record de 1967) resulta em uma fotografia de um dos momentos mais efervescentes da música brasileira. Quem nunca estudou o assunto tem uma boa oportunidade de conhecer uma parte do significado da década de 1960 na música brasileira. Quem acreditava ter esmiuçado tudo o que existia a respeito, como é meu caso, é agradavelmente surpreendido por ver cenas menos difundidas dos festivais. 
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Vistas mais de quarenta anos depois, as entrevistas feitas por Randal Juliano, Cidinha Campos e Reali Júnior em pleno palco acabam resultando hilárias. Pelas perguntas, depreende-se que os entrevistadores consideravam que os artistas tinham toda uma elaborada filosofia e técnica por trás daquele modo então novo de fazer música. As respostas mostram que não havia nada disso: aqueles jovens de vinte e poucos anos eram apenas músicos talentosos e cheios de vontade de mostrar sua arte. Os Mutantes eram completos desconhecidos - Randal Juliano precisou perguntar "Qual é o seu nome?" a Arnaldo Baptista antes de fazer a primeira pergunta ao integrante da banda que acompanhou Gilberto Gil em "Domingo no Parque".
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Entrevistados especialmente para o documentário, os artistas revelaram boas histórias mas pouco tiveram a acrescentar, em termos filosóficos, sobre o Festival da Record de 1967. Compreensível: eles passaram estas mais de quatro décadas trabalhando, criando, produzindo - e não olhando para o passado. Como costumo dizer, eventos artísticos e esportivos são muito mais marcantes para os espectadores do que para seus protagonistas. Nós, aqui do lado de fora, guardamos fascinados na memória os efêmeros instantes no palco, na pista, no pódio - tudo devidamente compartimentado por data, local, evento, resultado e outros critérios. Para eles, tudo isso é apenas parte de um trabalho ininterrupto. Como um dia no escritório, para as pessoas "normais".
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Os diretores Terra e Calil foram bastante felizes ao enfocar no documentário as cinco músicas mais bem colocadas no festival. Mas uma sexta não poderia faltar: "Beto Bom de Bola", de Sérgio Ricardo. A história é mais do que conhecida: diante de um público que usava os festivais de música como catarse para protestar contra a ditadura civil-militar instaurada em 1964, Sérgio foi hostilizado por ousar apresentar uma canção sobre um talentoso jogador de futebol, esquecido e abandonado no ocaso de sua carreira. As vaias foram tão intensas que Sérgio Ricardo perdeu o controle: parou de cantar, quebrou o violão e jogou-o contra o público.
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Este episódio marcou profundamente a carreira de Sérgio, autor de belas obras como a trilha sonora do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha. Gerou também uma das melhores manchetes capciosas já publicadas em um jornal: "Violada na platéia" (desculpem os puristas da língua portuguesa, mas aqui eu prefiro usar a grafia da época), segundo algumas fontes, ou "Violada em pleno auditório", segundo outras. Muitos atribuem a publicação da tal manchete ao jornal paulistano espreme-sai-sangue "Notícias Populares", mas o livro "Nada mais que a verdade", de Celso de Campos Júnior, desfaz a lenda: o NP nunca publicou essa manchete. Ela teria saído em "Última Hora" ou em "O Dia" (fico à espera de alguém que possa confirmar a informação correta, de preferência com prova documental).
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O You Tube está repleto de cenas do filme e do próprio festival. Destaco duas. Uma, que não poderia faltar, é Sérgio Ricado cantando "Beto Bom de Bola" antes de jogar o violão no público. A outra, que certamente estará nos extras do DVD, mostra Sérgio cantando "Beto Bom de Bola" pela primeira vez depois daquela "noite em 67".
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Uma nota pessoal. A "violada na plateia" produziu um efeito sem consequências na minha vida. Eu sequer havia sido concebido, mas já estava nos projetos de meus pais - e Sérgio Ricardo era o nome masculino mais cotado para o filho caçula de Cecília e Edmundo. Aquela "noite em 67" provocou uma mudança de planos. Preocupado com uma eventual associação do nome da criança a um fato de repercussão negativa, o casal escolheu outro nome composto: Luiz Alberto. Fina ironia: desde pequeno, familiares e amigos sempre me chamaram de "Beto" - mas, no meu caso, nunca fui "bom de bola".
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PS - Urariano Mota dá sua visão sobre "Uma noite em 67" no Direto da Redação. Vale a pena ler.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BAÚ DO PANDINI - NÚMERO III: UM ATOR QUE DARIA UM FILME


Poster promocional da Porsche editado após o segundo lugar de McQueen/Revson na 12 Horas de Sebring de 1970.
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O Porsche 908/2 pilotado por McQueen/Revson em Sebring...
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...e o mesmo carro na 24 Horas de Le Mans de 1970, pilotado por Herbert Linge/Jonathan Williams. As "corcundas" na frente e na traseira abrigam as câmeras utilizadas para captar imagens de ação para o filme "Le Mans".
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Carros ou mulheres? Se o pedido de escolha fosse dirigido ao ator estadunidense Steve McQueen, provavelmente a resposta seria “carros”. Não que ele não gostasse de mulheres: casou-se três vezes em seus 50 anos de vida. Mas, para McQueen, as máquinas e as corridas eram o que havia de mais importante. Provavelmente, mais até do que o cinema.

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Em 1970, Steve McQueen já era um astro do cinema e um dos atores mais bem pagos da época. Naquele ano, obteve seu resultado mais expressivo em uma prova internacional. Pilotando seu próprio Porsche 908/2 em parceria com Peter Revson, terminou em segundo lugar na 12 Horas de Sebring, prova válida pelo Campeonato Mundial de Marcas. Resultado surpreendente, já que o 908/2 teria poucas chances de disputar a vitória com os Porsche 917, Ferrari 512S e Alfa Romeo T33/3. Uma série de incidentes, porém, quase deu a vitória à dupla McQueen/Revson. Eles só não ganharam porque dias antes o ator havia contundido o pé esquerdo em uma corrida de motocross e as dores eram muito fortes. Em conseqüência, Revson pilotou durante 9 das 12 horas de corrida. À beira do esgotamento físico e com um carro bem menos potente, foi ultrapassado por Mario Andretti, que dividia uma Ferrari com Ignazio Giunti e Nino Vaccarella, na última volta. Naquele mesmo ano de 1970, McQueen venceria duas corridas com o 908/2, em Phoenix e Holtville.
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Ainda em 1970, a Solar Productions, produtora de filmes pertencente ao próprio McQueen, inscreveu o 908/2 na 24 Horas de Le Mans. A pintura branca de Sebring deu lugar deu lugar a uma decoração em azul escuro e a carenagem foi alterada para que fossem adaptadas três câmeras, duas apontadas para a frente e uma para trás. Pilotado por Herbert Linge e Jonathan Williams, este carro tinha uma única função na corrida: captar imagens para o filme “Le Mans”, produzido, dirigido e estrelado pelo próprio McQueen. Este pretendia participar com um Porsche 917K da John Wyer Automotive (a famosa equipe patrocinada pela Gulf) em dupla com ninguém menos que Jackie Stewart. Mas a seguradora de McQueen vetou: achou que ele estava indo longe demais em seu destemor. Le Mans era considerada uma corrida extremamente perigosa (o acidente da edição de 1955, em que morreram mais de 80 pessoas, ainda era uma lembrança mais ou menos recente) e a seguradora considerou que um eventual acidente de McQueen resultaria em um altíssimo valor a ser pago, dada sua condição de estrela de cinema em pleno auge.
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Pressionado também pela Warner, pela qual era contratado como ator, McQueen contentou-se em acompanhar a corrida e fazer as cenas nos boxes. Em “Le Mans”, McQueen interpreta o estadunidense Michael Delaney, que pilotava justamente os 917K da equipe de John Wyer. Seu maior rival no filme é um piloto alemão da Ferrari, Erich Stahler (interpretado por Siegfried Hauch). Mesmo sem ser tão bom quanto “Grand Prix”, outro clássico de Hollywood ambientado em corridas de automóveis, “Le Mans” vale por retratar uma época fascinante das corridas de esporte-protótipos.
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Terence Stephen McQueen escapou por pouco da marginalidade. Ainda jovem, passou uma temporada em um reformatório. Aos 17 anos, engajou-se na Marinha, onde ficou durante dois anos. Saiu e sobreviveu como porteiro e mecânico. Chegou a ganhar a vida aliciando mulheres para trabalhar em um bordel. Foi descoberto para o cinema em 1955, quando tinha 25 anos (nasceu em 24 de março de 1930 em Beech Grove, no estado de Indiana) e trabalhava como frentista em um posto de gasolina. Daí em diante, fez vários filmes de sucesso: “Sete homens e um destino” (1960), “Fugindo do inferno” (1962), “Bullitt” (1968), “Papillon” (1973) e “Inferno na torre” (1974).
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McQueen tinha vários carros e motos em casa - de todos os tipos, desde potentes carros esporte e de competição até um simples buggy com motor VW. A paixão pelas máquinas provocou o fim de seus dois primeiros casamentos. Em 1956, McQueen levou uma multa por excesso de velocidade na viagem de lua-de-mel com sua primeira mulher, Neile Adams. Neile separou-se de McQueen em 1970, pouco depois do término das filmagens de “Le Mans”. Entre 1973 e 1976, o ator viveu com Ali McGraw. E estava com Bárbara Minty quando morreu em 7 de novembro de 1980, de um tipo raro de câncer no pulmão. Vinte anos antes, havia definido suas prioridades com a seguinte frase: “Prefiro passar uma manhã com Stirling Moss do que uma noite com Marilyn Monroe”. Para Steve McQueen, as corridas eram tudo.
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domingo, 15 de agosto de 2010

A RESPOSTA À REPORCAGEM


Peguei a ilustração acima no blog da Maria Frô.
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É a resposta à risível "reportagem" de uma revista semanal, que tenta pintar a luta e resistência à ditadura militar como algo vergonhoso para quem participou dela. As mentiras já começam na capa: a chamada diz que a participação na luta armada contra a ditadura é um passado que Dilma Roussef "não gosta de lembrar". Realmente, ela não deve "gostar" de lembrar das torturas que sofreu. Mas a frase, marota, induz o leitor incauto a acreditar que ela se sente incomodada com o assunto.
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É justamente o contrário: Dilma tem orgulho de ter lutado contra a ditadura. E, quando tentam transformar esse assunto em algo embaraçoso, Dilma tira de letra. Que o diga o senador demo José Agripino Maia. Este, ainda por cima, teve a cara de madeira de mencionar o "regime de exceção" como se não tivesse tido nada a ver com ele.
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Não me surpreende. A "grande mídia" vai tentar de tudo para eleger o seu candidato - aquele que está despencando nas pesquisas, e cuja campanha perdeu US$ 4 milhões em "doações não contabilizadas" (o popular "caixa 2", que os tucanos tanto diziam combater).
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

EU VOU


Quer mais informações e, quem sabe, participar também? Entre aqui.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

IDELBER DE VOLTA!


Grande notícia para a blogosfera: Idelber Avelar ressuscitou seu "O biscoito fino e a massa" (http://www.idelberavelar.com/). Sacana como ele só (é mentira: o homem é um doce de pessoa), obrigou seu vasto contingente de leitores a uma "dieta" de um ano. Por boas causas: entre outros trabalhos, finalizou dois livros que serão publicados em 2011.
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A partir de amanhã, volto a me empanturrar com os biscoitos finos do Idelber. Se você não entendeu o nome do blog, trata-se de uma alusão à frase "A massa ainda comerá o biscoito fino que fabrico", cunhada por Oswald de Andrade - o moço retratado aí em cima.
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Bem-vindo (bem vindo? bemvindo? Maldita rephorma ortographica...) de volta, Idelber.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 168: DAVE SCOTT, PILOTO DE TESTES DA LOTUS



"O carro é inconfundível. Descobrir o ano e o local é fácil. Mas quem é este piloto?"
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Vários leitores acertaram: trata-se de Dave Scott, piloto de testes da Lotus entre 1981 e 1982. A foto, também conforme vários leitores apontaram, é de um teste feito em Paul Ricard em 1981. Falou-se muito que ele poderia assumir como titular da equipe, mas isso nunca aconteceu. De 1983 em diante, Scott sumiu do noticiário.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"QUEM MANDOU ELES JOGAREM A BOMBA NO JAPÃO?"

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O dia 6 de agosto de 2005 caiu em um sábado. Na época, eu ainda assinava um dos jornais da "grande mídia".
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Estava em casa, lendo uma reportagem especial de duas páginas sobre os 60 anos da infame explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima (não consigo escrever "Hiroxima") e Nagasaki, quando este molequinho, prestes a completar cinco anos de idade, chegou perto. Ao ver as imagens de devastação e morte, perguntou-me o que era aquilo. Expliquei da maneira mais didática possível, sem qualquer preocupação em ocultar o horror causado pela explosão das bombas atômicas sobre o Japão. Meu filho ouviu as explicações, fez alguma pergunta e me convidou para brincar. Achei que, para ele, o assunto "bomba sobre o Japão" havia se esgotado ali.
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Um ou dois meses depois, Gabriel estava na casa da avó materna, que assistia em algum telejornal as imagens da destruição causada pelo furacão Katrina em New Orleans, nos Estados Unidos. Ele brincava com alguma coisa, aparentemente desligado do que aparecia na tela, quando subitamente perguntou à avó o que era aquilo. Explicação dada, retrucou:

- Bem feito para eles!
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- Bem feito por quê? - espantou-se a avó.
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- Quem mandou os Estados Unidos jogarem a bomba atômica no Japão?
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Na pureza de seus cinco anos, meu filho estabeleceu uma relação de causa e efeito entre a bomba atômica e o Katrina. Evidentemente, uma coisa não tem nada a ver com outra - o que não tem a menor importância: o fato é que ele não aceitou, como não aceita até hoje, que algum país ataque outro e mate centenas de pessoas, seja por qual motivo for.
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Um álbum de fotos da destruição de Hiroshima e Nagasaki foi colocado no ar pelo Terra (http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/bomba-atomica/). Algumas imagens chocam e outras dão muita raiva - como a que mostra os tripulantes do Enola Gay, o avião usado para jogar a bomba sobre Hiroshima, desfilando em carro aberto e tendo recepção de heróis nos Estados Unodos. Outram chocam. Quem procurar no Google usando apenas a palavra "Hiroshima" terá imagens muito mais chocantes.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

UM POUCO DE MÚSICA, PARA VARIAR: 100 ANOS DE ADONIRAN BARBOSA

Adoniran no palco...

...na capa do disco "Adoniran Barbosa", de 1975...

...no traço de Elifas Andreato...

...e com Noel Rosa (outro nascido em 1910) na charge do blog Samba da Tenda.

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Entregador de marmitas, carregador de lenha e paralelepípedos, encanador, funileiro, tecelão, balconista de loja de ferragens, balconista de loja de tecidos, vendedor ambulante de meias e gravatas. João Rubinato fez tudo isso na vida. Auto-nomeado Adoniran Barbosa, ficou famoso como cantor, compositor e ator. Considerado por muitos como a verdadeira tradução de São Paulo, Adoniran tem seu centenário de nascimento comemorado nesta sexta-feira, dia 6 de agosto.
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Acho difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido algum samba de Adoniran. "Tiro ao Álvaro", "Saudosa maloca" e "Trem das onze" estão entre os clássicos da música brasileira. O "português errado" misturado ao sotaque italiano típico do Bexiga (nome pelo qual ficou conhecido um bairro de São Paulo, renomeado como Bela Vista no início do século XX) com o humor peculiar davam um toque cômico a uma verdadeira crônica social das dificuldades vividas pelos pobres. A crítica podia ser aberta, como em "Aguenta a mão, João" (sobre a desolação de favelados que perderam o pouco que tinham em uma enchente), ou sutil e revestida de romantismo, como em "Prova de carinho" (em que o protagonista usa a corda mi de seu cavaquinho para fazer uma aliança para sua amada) - duas músicas compostas em parceria com Hervé Cordovil. E pensar que, antes de fazer sucesso, Adoniran jogou várias letras no lixo por considerá-las ruins.
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Mesmo fazendo músicas com crítica social, Adoniran teve um único problema sério nos tempos da ditadura civil-militar: um zeloso censor informou que o "Samba do Arnesto" só seria liberado se Adoniran reescrevesse a letra e corrigisse os erros de português. Diz a lenda que Adoniran agradeceu a sugestão, saiu e, depois, comentou com amigos: "Reescrever coisa nenhuma. Vou gravar essa música quando a burrice passar". E gravou - com a letra original.
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Recomendo uma visita ao ótimo site oficial dos 100 anos de Adoniran (http://www.adoniranbarbosa.com.br/). Para matar a saudade, uma audição de "Tiro ao Álvaro", composta com Oswaldo Molles e gravada com Elis Regina; e um programa de TV com Elis, de 1978, interpretando a comovente "Iracema", a hilária "Um samba no Bexiga" e a contundente "Saudosa maloca". Reparem como tudo era bem mais autêntico do que seria hoje: o programa foi gravado em um bar e não houve por parte da produção qualquer preocupação em esconder as marcas que aparecem nas paredes e na geladeira de sorvete. Adoniran e Elis aparecem bebendo cerveja e fumando. Andam pelo Bexiga sem serem incomodados, misturando-se aos transeuntes e às crianças que brincam nas ruas. Hoje, provavelmente, haveria uma produção de locação para dar uma limpada na área e tornar as imagens mais "limpas".
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Feliz aniversário, Adoniran.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 167: O PRIMEIRO F1 A ANDAR EM MACAU


Contrariando minhas expectativas, um número expressivo de leitores acertou na mosca: a foto acima é de Ralph Firman Junior fazendo uma demonstração com o Jordan EJ13 por ocasião do GP de Macau de 2003. Foi a primeira vez (e, pelo que sei, até hoje a única) que um F1 andou no famoso Circuito da Guia.
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Alguns leitores situaram Firman em um ou outro GP da temporada de 2003. Mas naquele ano os carros da Jordan só tiveram essa pintura com a inscrição "Sobranie" durante a demonstração em Macau. Nos GPs, as partes que na foto acima aparecem em azul eram pintadas de preto com a inscrição de outra marca de cigarro: Benson & Hedges.

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