PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

domingo, 25 de julho de 2010

QUEREM ENCONTRAR AÇÚCAR NA ÁGUA DO MAR


O pódio de hoje e o documento da FIA de 2002, em que a entidade reconhece o direito das equipes de escolher seu vencedor (clique para ampliar).


Vou remar contra a maré. De novo.

Não vou me juntar ao coro dos indignados com a ordem dada pela Ferrari para Felipe Massa ceder a Fernando Alonso a vitória no GP da Alemanha de 2010. Assim como não me juntei aos indignados com a ordem dada a Rubens Barrichello para ceder a vitória a Michael Schumacher no GP da Áustria de 2002. Por isso, as linhas seguintes reproduzem, em boa parte, pensamentos que eu já havia externado naquele distante maio de 2002.

Talvez falte à mídia automobilística enfatizar o fato de que pilotos profissionais são pagos para defender o interesse de suas equipes – uma realidade oposta à percepção de 99% do público. O erro de Massa (e, anos atrás, de Barrichello) não foi o de aceitar o posto de segundo piloto, e sim o de transmitir ao público a certeza de que iriam disputar títulos e vitórias em igualdade de condições com companheiros de equipe como Schumacher e Alonso. Em algum momento, viria à tona a real situação de cada um dentro da Ferrari. Como ela não foi condizente com as expectativas criadas, gerou-se uma frustração que poderia ser evitada com uma simples atitude: abrir o jogo e explicar como as coisas estavam estabelecidas, em vez de negar o óbvio.

A contratação de Alonso pela Ferrari foi precedida pela concretização do patrocínio do banco Santander (espanhol como Alonso, é bom lembrar) à equipe italiana. Para manter Massa e contar com Alonso em 2010, a Ferrari optou por rescindir o contrato de Kimi Räikkönen (seu mais recente campeão mundial), que iria até o fim da atual temporada. Nesse panorama, seria muita ingenuidade acreditar que Massa teria na Ferrari o mesmo status que Alonso, unicamente por “já ser da casa” e “ser adorado pela equipe”.

A todos os que se lembram do “caso Áustria 2002”, sugiro a leitura do documento reproduzido neste post, com data de 26 de junho de 2002. Nele, a FIA informa seu veredito e, no parágrafo destacado por mim em vermelho, afirma reconhecer “o longamente estabelecido e tradicional direito de uma equipe decretar a ordem de chegada de seus pilotos naquela que acreditar ser mais interessante em sua tentativa de vencer os dois campeonatos mundiais” (pilotos e construtores). Mais abaixo, lê-se que a punição à Ferrari foi dada porque os pilotos “não respeitaram o procedimento do pódio”. Foi este, e não o jogo de equipe, o pretexto encontrado pela FIA para multar a Ferrari em US$ 1 milhão e, assim, dar alguma satisfação ao público.

Depois disso, a FIA estabeleceu por regulamento que as ordens de equipe estavam proibidas. Mas todos sabem que elas continuaram a ser dadas por meio de códigos como “economize combustível”, “economize pneus”, “você tem problemas de motor e precisa diminuir o ritmo”. Em outros casos, passaram a ser colocadas em prática na forma de pit stops feitos à conveniência de momento de cada equipe. As ordens continuam acontecendo à vista de todos – só não podem ser caracterizadas como tal.

Essa hipocrisia acabou proporcionando situações estapafúrdias como a da Red Bull na Turquia. Todos se lembram que Mark Webber e Sebatian Vettel estavam sendo acossados por Lewis Hamilton e Jenson Button. A Red Bull avisou a Vettel para acelerar o máximo possível e tentar ultrapassar Webber mas, por medo de infringir a subjetiva proibição de ordens de equipe, temeu sugerir ao australiano que diminuísse o ritmo ou mesmo cedesse a posição ao companheiro como parte de uma estratégia para que os dois se distanciassem de Hamilton e Button. O resultado foi um mal-entendido que culminou na colisão dos pilotos da Red Bull e na entrega, de bandeja, dos dois primeiros lugares à dupla da McLaren.

O ridículo de hoje foi o teatrinho da equipe e de Alonso (“Não sei o que aconteceu com Massa, mas ele ficou lento e vi uma oportunidade de fazer a ultrapassagem”) para esconder o jogo de equipe. Patético, concordo. Mas necessário para não infringir o regulamento de merda que a própria FIA criou - e que tornou o jogo de equipe admitido, desde que sub-reptício.

Bons amigos e colegas meus criticaram asperamente a atitude da Ferrari, tachando-a de anti-desportiva e outros adjetivos semelhantes. Aliás, boa parte das críticas foi feita à “maneira” como a Ferrari deu as ordens. Fiquei com a impressão de que, se as ordens forem sutis e teatralmente executadas de modo a não despertar suspeitas, elas passariam a ser admissíveis. Eu penso o contrário: que sejam dadas explicitamente, sem margem para dúvidas, como acontecia em outros tempos. Sem qualquer intenção de criticar ninguém, fico surpreso ao ver pessoas que vivem e acompanham corridas há décadas, e que sabem melhor que eu de tudo o que escrevi acima, ainda pensarem em automobilismo unicamente como “esporte”.

Em competições dos ditos “altos níveis” como a Fórmula 1, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, o jogo é duro e os interesses políticos e financeiros são muito grandes. Achar que ambientes assim são propícios para a disseminação de exemplos de lisura e boa conduta é o mesmo que querer encontrar açúcar na água do mar.

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

VAMOS FALAR DE MULHERES (COM TODO O RESPEITO): BEBEL GILBERTO



Filha de João Gilberto e Miúcha, sobrinha de Chico Buarque, amicíssima de Cazuza e outros jovens cantores de sua geração. O destino de Bebel Gilberto não poderia ser outro: a música. Como tantos brasileiros, faz mais sucesso no exterior do que aqui.

As fotos acima não mostram tudo. Clique aqui, ouça-a cantando "So nice (summer samba)" - que vem a ser a versão em inglês para "Samba de Verão", de Marcos Valle - e descubra uma das razões pelas quais Bebel Gilberto merece uma homenagem nesta seção.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

"ATÉ TU, MAURÍCIO DE SOUSA?"

Esta saiu no Quanto Tempo Dura?, um dos meus blogues de humor político preferidos. Com a seguinte observação: "Se as revistinhas da Turma da Mônica forem canceladas amanhã, você já sabe o por que".

O quê? Não sabe? Então tá, explico. Dois experientes jornalistas, Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli, "dançaram" na TV Cultura (subordinada ao governo do estado de São Paulo) por terem "afrontado" o candidato do PSDB, José Serra, com perguntas e reportagens sobre um tema especialmente incômodo: os (e extorsivos) pedágios nas rodovias paulistas. Durante o "governo" Serra, criou-se uma praça de pedágio a cada 40 dias nas estradas de São Paulo. Hoje, o estado tem mais pedágios que o Brasil inteiro. É claro que praticamente todos estão nas rodovias "sob concessão" - leia-se "privatizadas", outro termo do qual o candidato do PSDB prefere passar longe.

Indagado por Heródoto (jornalista correto e que está longe de poder ser considerado "petista") sobre o preço dos pedágios no programa Roda Viva, Serra reagiu de sua maneira típica: tentou desqualificar a pergunta do jornalista e sacou uma variação da expressão "trololó petista", este primor de argumentação com o qual acredita demolir qualquer questionamento mais incômodo. (A cena está no You Tube para quem quiser conferir).

Para efeito de comparação. Quem quiser ir de São Paulo para Guarujá e voltar à capital paulista vai gastar R$ 26,70 - nada menos que R$ 18,50 nas rodovias Anchieta e Imigrantes, que ligam São Paulo à Baixada Santista, e outros R$ 8,20 para sair de Guarujá - seja pela balsa para Santos ou pela rodovia Piaçaguera-Guarujá. A distância entre os dois municípios é de cerca de 90 quilômetros - ou 180 km de ida e volta. Já os 586 km que separam São Paulo e Belo Horizonte podem ser percorridos, ida e volta (quase 1.200 km), pagando-se um total de... R$ 15,40 em pedágios, segundo as informações mais recentes que consegui.

Explicações para esse disparate? Extorsão, roubo, formação de quadrilha, formação de caixa de campanha, favorecimento ilícito. Não, não me processem. Não estou afirmando nada: estou apenas "testando hipóteses".

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sábado, 10 de julho de 2010

COPIE, COLE, MANDE PARA OS AMIGOS


Basta clicar na imagem para ela aparecer ampliada.

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 166: PRESENTINHOS PARA OS "BIG BOSSES"


Houve um acertador para este Desafio: o solerte Cleber Bernuci matou a charada. Escreve ele:

Panda, este é John Howett com o TF110 da Toyota, carro que seria usado na disputa do Mundial de F1 deste ano. E esta foto foi retirada da revista Racecar Engineering. O teste foi dado como um presente de despedida para Howett, que foi presidente da equipe. Ele foi a segunda pessoa a pilotá-lo (acho que a primeira foi Kazuki Nakajima) e o teste ocorreu em Colônia, na sede da equipe. Até que enfim eu matei um desafio!

"Clebão", dileto adversário nas provas de kart da FIAk, tinha nas mãos a mesma arma que eu: a edição de julho da revista "RaceCar Engineering" com a reportagem sobre o Toyota TF110 (veja abaixo a reprodução de parte da capa). Foi como disputar rali na neve tendo pneus com cravos, né, camarada? Entre os concorrentes "sem  pneus com cravos" - ou seja, sem acesso à revista -, a resposta mais completa foi dada pelo Dan:
 
O carro não foi tão difícil assim.... é um TF110 da Toyota que a Stefan GP ia utilizar esse ano (2010) na F-1 se a FIA tivesse deixado. Nessa foto provavelmente o carro está em frente a fabrica da Toyota (aqueles blocos ali no chão são da frente da fabrica da Toyota). Não sei dizer o mês mas foi esse ano. O piloto é provavelmente um jornalista inglês pois o capacete é muito simples para ser de um piloto profissional.

O Toyota TF110 na capa da Race Car Engineering...

...e pintado de vermelho, com Kazuki Nakajima. Seria esta a cor do Toyota TF110 já transformado em Stefan S01?
 
Por alguma razão que desconheço, o TF110 foi pintado de vermelho (será que seria a cor do carro depois de mudar de nome para Stefan S01?) e seu teste final aconteceu... no pátio da sede da equipe. Cá para nós, a Minardi, uma equipe muito menos endinheirada que a Toyota, fez no final de 2005 uma despedida mais condigna: levou seus carros para o autódromo de Vallelunga e convidou vários pilotos para andar nos PS05. As voltas finais ficaram a cargo do dono da equipe, o australiano Paul Stoddart, último homem a pilotar um Minardi antes de a equipe ser transformada em Toro Rosso.
 
Paul Stoddart dando as últimas voltas de um Minardi antes de a equipe ser entregue à Red Bull e transformada em Toro Rosso.

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

"PARA PENSAR"

Meu amigo Wilson Baldini Júnior, jornalista d'O Estado de S. Paulo, está na África do Sul cobrindo a Copa. E é do blog dele (tem link na imensa lista aí ao lado) que reproduzo o post abaixo.

Para pensar

Antes de ir ao treino da Argentina, ontem à tarde, parei em um McDonald’s. Fiz o pedido e a moça negra, muito educada, olhou para a minha credencial da Copa do Mundo e ficou muito contente.

“Você é brasileiro. Está gostando da África do Sul?”

“Sim. Existem muitas coisas semelhantes entre os dois países”

“Mas uma coisa vocês fazem, que aqui não se faz.”

“O que é?”

“Vocês brancos sorriem para nós negros.”

As coisas evoluíram desde o fim oficial do Apartheid. Mas o relato mostra que ainda há um longo caminho a ser percorrido para a África do Sul ser verdadeiramente uma nação multirracial.

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