HÁ 30 ANOS: A PRIMEIRA VITÓRIA DE PIQUET
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Por aqui, a data passou em branco - eu mesmo, engolfado pela correria diária, não me lembrei. Mas ontem, 30 de março, completaram-se 30 anos de um momento que comemorei muito: a primeira vitória de Nelson Piquet na Fórmula 1, no GP de Long Beach. Com direito a Emerson Fittipaldi terminando em terceiro lugar (depois de largar em 24° e último lugar) e subindo pela última vez ao pódio de um GP de F1. Felizmente, existem amigos como o Speeder76, que relembrou a história e contextualizou-a com perfeição em seu Continental Circus.
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Daquele final de tarde e começo de noite, tenho a lembrança de uma profunda raiva que terminou em uma imensa alegria. Raiva porque a Bandeirantes, emissora que transmitiu as corridas de F1 para o Brasil em 1980, ficou fora do ar em Santos durante todo o dia. Acompanhei a corrida pela rádio Bandeirantes, com os comentários de Edgard Mello Filho. Piquet largou na pole, disparou na frente dos adversários e passei a corrida inteiro tenso, rezando para que nada acontecesse de errado, para que aquilo acabasse logo e que Piquet ficasse com a vitória. Eu havia começado a acompanhar corridas em 1978 e nunca havia visto um brasileiro vencendo um GP. Nas voltas finais, minha tensão dobrou com a torcida por Emerson. No final, tudo acabou em festa, com o moleque de 12 anos incompletos berrando eufórico pela casa.
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Passada a euforia, veio a curiosidade de saber como seria o dia seguinte, na escola. O GP anterior, na África do Sul, havia acontecido um mês antes do de Long Beach. Durante todo esse intervalo, meu amigo Wagner Asevedo, colega de classe no colégio Santa Cecília e igualmente fanático por corridas, ficou ouvindo minha premonição: "O Piquet vai ganhar a próxima corrida". Ao longo daqueles dias, as reações do Wagner passaram da incredulidade inicial (as atuações de Piquet nas três corridas iniciais foram boas, mas não a ponto de provocar prognósticos de favoritismo para as provas seguintes) ao fastio de quem não aguentava mais ouvir a mesma coisa. Com ar triunfal, cheguei à escola na segunda-feira e ouvi do espantado Wagner: "PQP!!! Você e suas premonições... Caralho!!!"
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Depois disso, só voltei a ter nova "premonição" dez anos depois: na noite anterior ao GP de San Marino de 1990, disse a uma amiga que Riccardo Patrese seria o vencedor da corrida. Mas esta é outra história.
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Simona de Silvestro





