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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

UM POUCO DE MÚSICA, PARA VARIAR: 100 ANOS DE ADONIRAN BARBOSA

Adoniran no palco...

...na capa do disco "Adoniran Barbosa", de 1975...

...no traço de Elifas Andreato...

...e com Noel Rosa (outro nascido em 1910) na charge do blog Samba da Tenda.

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Entregador de marmitas, carregador de lenha e paralelepípedos, encanador, funileiro, tecelão, balconista de loja de ferragens, balconista de loja de tecidos, vendedor ambulante de meias e gravatas. João Rubinato fez tudo isso na vida. Auto-nomeado Adoniran Barbosa, ficou famoso como cantor, compositor e ator. Considerado por muitos como a verdadeira tradução de São Paulo, Adoniran tem seu centenário de nascimento comemorado nesta sexta-feira, dia 6 de agosto.
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Acho difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido algum samba de Adoniran. "Tiro ao Álvaro", "Saudosa maloca" e "Trem das onze" estão entre os clássicos da música brasileira. O "português errado" misturado ao sotaque italiano típico do Bexiga (nome pelo qual ficou conhecido um bairro de São Paulo, renomeado como Bela Vista no início do século XX) com o humor peculiar davam um toque cômico a uma verdadeira crônica social das dificuldades vividas pelos pobres. A crítica podia ser aberta, como em "Aguenta a mão, João" (sobre a desolação de favelados que perderam o pouco que tinham em uma enchente), ou sutil e revestida de romantismo, como em "Prova de carinho" (em que o protagonista usa a corda mi de seu cavaquinho para fazer uma aliança para sua amada) - duas músicas compostas em parceria com Hervé Cordovil. E pensar que, antes de fazer sucesso, Adoniran jogou várias letras no lixo por considerá-las ruins.
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Mesmo fazendo músicas com crítica social, Adoniran teve um único problema sério nos tempos da ditadura civil-militar: um zeloso censor informou que o "Samba do Arnesto" só seria liberado se Adoniran reescrevesse a letra e corrigisse os erros de português. Diz a lenda que Adoniran agradeceu a sugestão, saiu e, depois, comentou com amigos: "Reescrever coisa nenhuma. Vou gravar essa música quando a burrice passar". E gravou - com a letra original.
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Recomendo uma visita ao ótimo site oficial dos 100 anos de Adoniran (http://www.adoniranbarbosa.com.br/). Para matar a saudade, uma audição de "Tiro ao Álvaro", composta com Oswaldo Molles e gravada com Elis Regina; e um programa de TV com Elis, de 1978, interpretando a comovente "Iracema", a hilária "Um samba no Bexiga" e a contundente "Saudosa maloca". Reparem como tudo era bem mais autêntico do que seria hoje: o programa foi gravado em um bar e não houve por parte da produção qualquer preocupação em esconder as marcas que aparecem nas paredes e na geladeira de sorvete. Adoniran e Elis aparecem bebendo cerveja e fumando. Andam pelo Bexiga sem serem incomodados, misturando-se aos transeuntes e às crianças que brincam nas ruas. Hoje, provavelmente, haveria uma produção de locação para dar uma limpada na área e tornar as imagens mais "limpas".
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Feliz aniversário, Adoniran.
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2 Comentários:

Blogger Ron Groo disse...

Segundo o próprio João Rubinato, via Celso de Campos Jr. - seu biógrafo - Fez de tudo um pouco, e tudo muito mal.
Também disse Adoniran: "-Meu pai trabalhou muito nesta vida, já nasci cansado."

Mas Adoniran também teve outro problema com a dona justa, e este por conta de um cidadão - censor - com o simpático nome de Scrozospi, ou coisa que o valha.
Ele proibiu a veiculação da marcha de carnaval "Aqui Gerarda" por entender que o refrão era ofensivo a moral porque o povo, quando o cantava puxava os braços na altura da cintura.
Então o próprio escreveu um artigo em um dos jornais da capital e fez um discurso durante uma premiação pedindo para que fosse revista a proibição.
Ela veio, mas ele teve de mudar algumas frases da canção, coisa pontual e sem sentido, como tirar a frase: "você gosta de salcicha com mostarda" por "foi você quem abandonou minha mansarda", sendo que "mansarda" é eufemismo para maloca...

Gosto de tudo dele, mas a obra que mais me impressiona é o Samba Italiano, em que ele faz na língua de seus pais uma divertida história sobre uma tarde bucólica no Guaruja, e para tal faz uso até de um trecho de opera: "Aiuto Marcelo!"
"piove, piove... Fá tempo que piove qua, Gigi..."

Fiquei muito feliz em ler este post. Poucos (e bons, graças a Deus) lembraram da data redonda dos cem anos de João Rubinato.

Amanhã, dia do aniversário, eu publico a minha homenagem. Já escrevi bastante e em diversos lugares sobre Adoniran, mas é sempre um prazer...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010 17h00min00s BRT  
Blogger Juliana Pires de Sousa disse...

Já ouvi falar muito de Adoniran e já ouvi muitas músicas dele. Que ele seja lembrado para sempre.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010 22h46min00s BRT  

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