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E três fotos minhas, durante o período diurno, também do Rafael Gagliano. De todos os que guiaram, só não recebi fotos do Tiago Mendonça, justamente o que fez o melhor tempo da nossa equipe. Bom, ninguém mandou chegar atrasado....OK, eu sei que a 500 Milhas de Kart Amador da Granja Viana aconteceu há mais de duas semanas e que o assunto envelheceu. Mas este blog sempre se propôs a não viver necessariamente do factual. Por isso, sinto-me à vontade para colocar no ar bons textos e fotos, ainda que com certo atraso. Também sei que o blog andou paradão na última semana, mas garanto: foi por uma boa causa. Não sou de prometer nada, mas o ritmo de postagens deve voltar ao normal a partir desta semana.
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No dia seguinte à 500 Milhas, o camarada Alexander Grünwald escreveu aos colegas de prova um texto esplêndido sobre sua participação na corrida. "Foi escrito com o coração, numa tirada só, no meio da madrugada. Só fui reler no dia seguinte, à tarde, e confesso que fiquei emocionado de lembrar daquilo tudo", escreveu-nos Grün.
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Como o blog do Grün está em recesso (prestes a terminar), perguntei-lhe se podia publicar seu texto aqui no PandiniGP. Permissão concedida, faço-o agora, ainda que com um atraso injustificável. Prolífico, Grün aproveitou o texto abaixo como base para um outro, que já está há dias
no blog "Voando Baixo", do Rafael Lopes. Recomendo a leitura dos dois - ou melhor, dos três, já que há duas semanas coloquei no ar
o meu depoimento sobre a corrida. Publicar esse material é uma maneira de perpetuar o registro de uma prova que, com certeza, será lembrada com carinho por todos nós, e também de dividir com o maior número de pessoas o quanto nos sentimos felizes por realizar nosso sonho de criança: participar de uma corrida.
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CONFISSÕES DAS 500 MILHAS
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Amigos, estou exausto. Exausto, não. Estou acabado, quebrado, com dores por todas as partes do corpo. Mas estou feliz pelo que eu vivi e realizei hoje. Uma experiência que não vou esquecer tão cedo, por diversos motivos. E que valeu – como valeu! – para outras que ainda virão.
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Eu ia dizer que competir nas 500 Milhas de Kart Amador foi legal. Mas competir não é o melhor verbo para se usar nesse momento. Aquilo reuniu tantos profissionais e semi-profissionais que, de certa forma, essa situação nos fez encarar a prova, antes mesmo da largada, como um dia de diversão e aprendizado. E assim foi, pelo menos para mim.
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É claro que, dentro do nosso grupo, nem todos viravam exatamente no mesmo décimo (às vezes, nem no mesmo segundo...). Mas, na média, nosso desempenho FIAkiano mostrou que éramos, de fato, um dos poucos times formados realmente por amadores, por gente que baseia sua experiência em teco-tecos de indoor uma vez por mês, e não em karts de competição com chassis e motores preparados. Por isso mesmo, fomos guerreiros ao longo das 12 horas de corrida.
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É engraçado perceber que, na nossa equipe, nem todos estavam 100% de saúde e/ou de preparo físico neste domingo de sol, que se converteu numa bela noite de lua cheia. Mas, mesmo assim, fizemos uma prova honesta. Sem grandes pretensões, o que fizemos foi respeitar o limite de cada um, dividindo os turnos com um certo critério para que chegássemos inteiros (ou quase) à bandeirada.
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Da minha parte, só tenho a agradecer pela oportunidade de estar junto de vocês neste dia. Como eu disse lá no início, não vou me esquecer do vivi naquela pista e naquele box por uma série de motivos. Um deles é ter compartilhado com grandes amigos um sonho antigo, que era disputar uma prova de kart endurance. Outro destes motivos é ter me conhecido melhor ao volante de um kart, fosse pela evolução gradual da pilotagem ou pelos infortúnios que atrapalharam a mim e à equipe no decorrer dos dois turnos que disputei.
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Confesso que a circunstância de entrar na brincadeira meio no susto, quando já estava certo que eu não faria parte da equipe (e sequer estaria na Granja Viana no dia do evento), acabou sendo benéfica. Tirou um pouco da pressão, deu uma pinta de ‘o que vier é lucro’ aos meus tempos de volta, às minhas ambições, às eventuais cobranças por resultados. Me senti em casa, em família, apoiado por vocês mesmo quando errava grotescamente, da mesma forma que fui reconhecido quando conseguia andar no ritmo de caras mais fortes. Não tenho do que me queixar. Vocês foram irmãos.
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Depois de ver a classificação e a largada heróicas do Terena a bordo daquela carroça, achei um pecado que dois karts tão bons de motor fossem sorteados justo para os meus turnos. No primeiro, eu descobri que ele não tinha freios logo na primeira vez que precisei deles. Daí, guiei fazendo adaptações na pilotagem, volta a volta. O que me tirou muito do prazer de pilotar. E que não impediu que eu errasse em trechos bobos do traçado, devido ao problema no pedal esquerdo. Aquelas quase 40 voltas foram muito, muito cansativas. Saí do kart esgotado, sem condição alguma de fazer o turno seguinte para o qual eu estava programado.
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Isso, no fim das contas, se revelou um grande acerto. Tive que abdicar da carona do França (ainda bem que o Luiz me salvou mais tarde), mas tomei a melhor decisão. Quatro turnos depois, mais ou menos refeito fisicamente, lá estava eu de volta à pista, para mais 40 voltas de aprendizado e autoconhecimento. E não foi brincadeira o quanto eu aprendi nesta segunda janela. Pra começar, entendi que cada um tem seu jeito, sua zona de conforto. Conselhos ajudam, dicas de traçado idem, mas o que vale mesmo é o teu limite, a tua tocada, o jeito que te cai melhor para contornar uma curva, para encontrar o tempo e o local de uma frenagem. Se conhecer é fundamental para conhecer o equipamento que você tem em mãos.
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Ok, precisei bater no mesmo trecho por três vezes em três voltas (dois totós maldosos ajudaram a me ferrar, diga-se de passagem), para chegar a este ponto de autoconhecimento. Mas superei parte dos meus medos, das minhas dificuldades, dos meus pré conceitos da quarta volta em diante. Entendi, tardiamente, que quando você é jogado aos leões com outros 42 caras adrenados e guiando feito selvagens, é preciso encontrar – rápido – aquele meio termo para andar: nem tão devagar a ponto de ser atropelado pelos demais, e nem tão rápido a ponto de pagar o alto preço dos pneus frios. Eles realmente não perdoam abusos de quem quer frear tarde ou contornar uma curva de pé embaixo. Por outro lado, são previsíveis: quando esquentam, te dão liberdade para avançar gradualmente. Simples assim.
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É evidente que terminei o segundo turno cansado, também. Ainda mais porque o joelho da perna que acelera foi afetado diretamente numa das vezes que estampei o kart na barreira de pneus. Acreditem: estava mais desconfortável guiar em linha reta do que em curvas fechadas. Porém, quando recebi a sinalização de que faltavam cinco voltas para eu entrar no box, sorri. Naquela altura, eu já havia encontrado um bom ritmo, estava andando forte e errando menos, embora aquela maldita curva ainda fosse um caso mal resolvido a cada nova volta. Apesar dela, naquele momento eu podia dizer que estava guiando feliz.
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Quando passei o kart para o Pandini, abri a viseira, respirei fundo e agradeci a Deus por ter me dado a oportunidade de errar, de acertar e, principalmente, de superar o maior adversário que encontrei naquela pista: eu mesmo. Ainda bem que não fui embora mais cedo, caso contrário não teria feito este segundo turno e sairia de lá carregando a frustração que me acompanhou ao longo daquelas voltas iniciais.
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Dito isso, imagino que vocês estejam cansados de ler estas confissões e reflexões. Portanto, faço desde já o pedido para que pensem seriamente no evento de 2010. Quero que a gente entre no negócio com um pouco mais de estrutura, só que mantendo o espírito de diversão e amizade que nos acompanhou em 2009. Quem topa? Eu estou dentro!
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Mais uma vez, muito obrigado por tudo! Vocês são demais!
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Abraços,
Grün
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