PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. Twitter: @pandinigp. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E SE...

Reproduzo abaixo nota do Blue Bus, site de notícias de mídia, sobre um fato ocorrido na Daslu - aquela loja que meu amigo Nelson Velho chama de "valhacouto de sonegadores de impostos", devido a alguns processos por dribles ao fisco que renderam uma condenação a 94 anos de prisão a uma de suas proprietárias.
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Noticia do Blue Bus - 30/09/09
Roupas desapareciam das prateleiras e cabides da Daslu, era uma ladra

09:15 Um misterioso sumiço de roupas agitou, por várias semanas, os corredores da Daslu, a controvertida butique que congrega algumas das grifes mais exclusivas e caras instaladas no Brasil apesar de todo o noticiario policial sobre as atividade dos socios. Quem conta é Monica Bergamo na sua coluna de hoje - Diz que as mercadorias começaram a desaparecer de prateleiras e cabides aos poucos - "Mas, em determinado momento, o desfalque chegou a R$ 200 mil" - pontua. Segue - "Há alguns dias, a bomba explodiu - a ladra era uma alta funcionária de uma das joalherias instaladas na própria butique - ela tinha permissao para pegar roupas de grifes e levar à joalheria para mostrar às clientes - "Acontece que, uma vez com a roupa, a gerente retirava os detectores da peça -aqueles que disparam um apito quando a pessoa sai da loja sem pagar - e saía tranquilamente pela porta da frente com a mercadoria surrupiada". Fecha - "O escândalo, por 'razoes humanitárias', foi abafado".
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Leu direitinho? Então, pergunto: e se, em vez de "uma alta funcionária de uma das joalherias instaladas na própria boutique", a ladra (ou o ladrão) fosse uma faxineira, um manobrista ou outro trabalhador humilde? Será que o escândalo seria abafado "por razões humanitárias"?
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Conhecendo a "grande mídia" como conheço, afirmo peremptoriamente que não. E você? O que acha?

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

FÓRMULA 2, MOMENTO F1 NOSTALGIA - NÚMERO 11, LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 149... VEM TUDO JUNTO

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Graças ao talento inigualável de Rianov Albinov para caçar preciosidades, está inaugurado o post multiaplicativo: várias seções em um único texto.
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Vamos aos fatos, narrados pelo próprio Rianov:
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Que piloto é esse da foto? Desafio pra lá de difícil, hein? Capacete de Nelson Piquet? Parecido?Tenho essa foto como sendo do suiço Jürg Lienhard, pilotando pela Lista Racing Team um March 812 BMW em 1981 pela F2. A pista é claramente Nürburgring, mas o resto não afirmo com certeza. Tem algo em seus arquivos para compararmos os capacetes?
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Bom, não tenho outra foto do ilustre Jürg Lienhard, de maneira que fico devendo a contraprova pedida pelo Rianov. Mas fontes confiáveis corroboram os dados levantados por ele. Se alguém tiver algo a acrescentar ou corrigir, por favor manifeste-se.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

FABULOSO


Romain Grosjean tem cara e jeito de personagem de fábula infantil transposta para o cinema.

Concordam ou discordam?

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

JOHN, PAUL, GEORGE, RINGO... E BETO. GRAÇAS A VANUSA

A foto é de um disco de Vanusa de 1968. Eu queria colocar uma imagem da cantora na época de "Manhãs de Setembro", mas não gostei de nenhuma das que achei.

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Creio que boa parte dos internautas já assistiu ao vídeo em que a cantora Vanusa atropela sem dó nem piedade a letra e a melodia do Hino Nacional durante uma cerimônia realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo. Procurada para falar sobre o assunto, Vanusa esclareceu que, antes de sair de casa, havia se automedicado e ingerido uma dose excessiva de remédio contra labirintite. Como resultado, ficou "grogue" e não conseguiu sequer acompanhar a partitura.
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Vanusa surgiu na década de 1960 integrando o universo da Jovem Guarda. Depois, optou por um repertório que misturava músicas engajadas e baladas românticas. Acabou ficando numa zona cinzenta: não era colocada pela "crítica" nem entre a elite da MPB nem entre os nomes mais expressivos da "MP do B" - termo que uso evocando o site Música Popular do Brasil, dedicado aos artistas da música chamada de "cafona" (é sempre interessante perguntar: por quem?) na década de 1970.

Cafona ou não, o fato é que Vanusa fez parte da minha infância. E acabou gerando uma história familiar.

Meus avós maternos moravam no bairro de Perdizes, em São Paulo (já falei algo a respeito neste post). Terreno estreito e comprido, subia pelo morro à medida em que avançava quarteirão adentro. Na frente, ficava a residência de meus avós. No meio, um quintalzão. Nos fundos, duas casas menores, alcançáveis tanto pela casa principal quanto por um corredor à esquerda de quem entrava. Meus tios e primos moravam em uma delas.

Em meados da década de 1970, os rádio-gravadores portáteis existentes no mercado (pelo menos os mais acessíveis) não tinham o recurso de passar diretamente o som do rádio para a fita cassete. Ou melhor: tinham, mas gravavam também todo e qualquer ruído externo. Se uma motocicleta passasse pela rua com o escape aberto, era certeza de que o barulho iria "poluir" a música. Comprar discos ou fitas gravadas era a maneira mais óbvia de "armazenar música", mas era bastante dispendioso para aqueles que gostavam de vários gêneros e desejavam manter atualizada sua discoteca. Quem gostava de artistas e bandas estrangeiras enfrentava outro inconveniente: as gravadoras só prensavam aqui os discos que contivessem "grandes sucessos". Dependendo da "viabilidade comercial", um álbum poderia demorar meses, às vezes mais de um ano, para - se fosse o caso - ser lançado aqui. Quem não quisesse esperar poderia comprar LPs importados, bem mais caros e, em alguns casos, difíceis de encontrar.

Você que tem menos de 30 anos e, com apenas alguns cliques, baixa no computador todas as músicas que deseja, não tem ideia das peripécias que os fanáticos de três ou quatro décadas atrás faziam para compor seu acervo.

Um belo dia, estava toda a família na casa de meus avós. Meu primo Flávio, com 18 ou 19 anos na época, se isolou na casa de meus tios, lá em cima. Queria gravar, usando o aparelho National de meus pais, um especial dos Beatles que estava sendo transmitido por alguma emissora de rádio. Se dispôs a ficar ali durante o programa inteiro. Usufruiu a parte prazerosa (ouvir e gravar as músicas) e encarou a trabalhosa (pausar a gravação durante os intervalos comerciais e ficar de olho no visor da fita para mudá-la para o lado "B" quando o "A" estivesse no final). Meu primo era caprichoso: gravava as fitas e criava capas fazendo colagens com fotos e nomes recortados de jornais e revistas. Devo ter até hoje uma obra sua para uma fita da Suzi Quatro.

Tudo ia bem até que um menininho de seis ou sete anos, alheio ao que acontecia, resolveu brincar no quintal e entoar bem alto: "Eu quero sorrir! Eu quero falar! Eu quero ensinar o vizinho a cantar nas manhãããããs de seteeeeeembroooo!"

"Manhãs de setembro" estava nas "paradas de sucesso" e é até hoje uma das músicas mais conhecidas de Vanusa. Na gravação "pirata" (é assim que os brilhantes executivos de gravadoras se refeririam a ela hoje) de meu primo, a formação dos Beatles foi John, Paul, George, Ringo... e Beto (eu) com uma participação incidental cantando "Manhãs de Setembro".

"The Beatles - Rock Band", o jogo de computador? Nunca precisei dele para ser um Beatle...

Quem quiser ouvir "Manhãs de Setembro" tem diversas opções à disposição no You Tube. Quanto à fita cassete com o quarteto de Liverpool acompanhado pelo menino de Santos, não sei por quanto tempo resistiu à compreensível decepção de meu primo ao ver toda a trabalheira de gravar o especial dos Beatles ir por água abaixo.

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domingo, 20 de setembro de 2009

PORSCHE EM CURITIBA (3): UMA MÃO NO TÍTULO

Miguel comemora com a noiva Patrícia antes de subir ao pódio. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

A foto não é de Curitiba, mas não importa. Constantino Júnior fez uma corrida de recuperação e terminou em segundo. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing

Ricardo Baptista, campeão de 2007, terceiro colocado. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

O tradicional brinde dos pilotos no pódio: Marcel Visconde (4°), Maurizio Billi (6°), Constantino Júnior (2°), Beto Posses (5°), Miguel Paludo (vencedor) e Ricardo Baptista (3°). Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.
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Fim da jornada em Curitiba com a realização da prova 12 do Porsche GT3 Cup. Segue a íntegra de meu despacho para a mídia:
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Porsche GT3 Cup: Paludo ganha a segunda corrida em Curitiba

Foi quase uma repetição da corrida anterior. Miguel Paludo largou na frente, lutou pela vitória com Leo Burti, liderou da primeira à última volta e venceu a prova 12 do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, disputada em Curitiba. A maior diferença em relação à prova 11 foi que Burti abandonou com problemas no sistema de transmissão e deixou Paludo tranquilo na liderança: o piloto gaúcho recebeu a bandeirada com 9 segundos de vantagem sobre Constantino Júnior, segundo colocado, e quase 16 sobre o terceiro, Ricardo Baptista.

A vitória de Paludo só não foi exatamente “de ponta a ponta” porque Burti chegou na frente na primeira curva. Logo depois, Paludo recuperou a liderança e nela permaneceu até receber a bandeira quadriculada. Disputada com pista seca e sob sol, a prova 12 começou com o duelo entre Paludo e Burti pela liderança e com uma disputa a três entre Beto Posses, Ricardo Baptista e Marcel Visconde pelo terceiro lugar. Enquanto isso, Constantino Júnior, que havia largado em 14º lugar, se recuperava e logo aparecia entre os seis primeiros. Posses manteve o terceiro lugar até errar na curva de entrada do miolo e cair para sexto. Constantino, por sua vez, chegou ao terceiro lugar depois de ultrapassar Marcel e Baptista.

A atração maior, entretanto, era a luta pela vitória entre Paludo e Burti. Agressivo, Burti chegou a ficar afastado após uma tentativa mal sucedida de ultrapassagem, mas logo voltou à carga contra o adversário. A seis voltas do final, Burti parou por problemas no sistema de transmissão.

Como sempre acontece nas provas do Porsche GT3 Cup, as disputas nos blocos intermediários foram uma atração à parte. Maurizio Billi, sexto, recebeu a bandeirada apenas 0.5 segundo à frente de Luís Zattar. Atrás deles, o estreante José Mário Castilho terminou em oitavo, batalhando com Tom Valle e Sérgio Ribas. E, atrás deles, Guilherme Figueirôa, Valter Rossete, Adalberto Baptista, Antônio Hermann e Daniel Paludo receberam a bandeirada embolados – apenas 1.5 segundo entre o primeiro e o último do grupo.

Os resultados de Curitiba colocaram Paludo em excelentes condições de conquistar o título nas provas 13 e 14, que serão realizadas em Interlagos como preliminares do GP do Brasil de Fórmula 1. Há 80 pontos em jogo (20 de cada vitória em cada uma das quatro provas restantes até o final da temporada) e Constantino Júnior, seu único adversário na luta pelo título, precisa descontar uma desvantagem de 56 pontos. Ricardo Baptista e Marcel Visconde tem possibilidades matemáticas de igualar os 210 pontos de Baptista, mas perderiam o título pelo critério de desempate (número de vitórias ao longo da temporada).
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O resultado final da prova 12:
1) 77-Miguel Paludo, 19 voltas em 26:45.187, média de 157,451 km/h
2) 00-Constantino Júnior, a 9.200
3) 27-Ricardo Baptista, a 15.960
4) 55-Marcel Visconde, a 16.515
5) 52-Beto Posses, a 25.629
6) 34-Maurizio Billi, a 28.618
7) 3-Luís Zattar, a 29.107
8) 78-José Mário Castilho, a 32.309
9) 99-Tom Valle, a 32.992
10) 64-Sérgio Ribas, a 33.161
11) 9-Guilherme Figueirôa, a 43.344
12) 21-Valter Rossete, a 43.627
13) 10-Adalberto Baptista, a 43.883
14) 5-Antônio Hermann, a 44.703
15) 89-Daniel Paludo, a 44.813
16) 15-Henry Visconde, a 1:22.522
17) 11-Omilton Visconde Jr., a 1:22.725
18) 7-Clemente Lunardi, a 1 volta
19) 51-Otávio Mesquita, a 5 voltas
20) 87-Leo Burti, a 6 voltas
Volta mais rápida: Miguel Paludo, 1:23.598, média de 159,119 km/h

Todos com Porsche 911 GT3 Cup “997” equipados com pneus Yokohama.

Classificação do campeonato após 12 provas
1) Miguel Paludo, 210 pontos; 2) Constantino Júnior, 154; 3) Ricardo Baptista, 140; 4) Marcel Visconde, 138; 5) Beto Posses, 129; 6) Tom Valle, 107; 7) Sérgio Ribas, 91; 8) Clemente Lunardi, 90; 9) Leo Burti, 74; 10) Luís Zattar, 73; 11) Maurizio Billi, 63; 12) Otávio Mesquita, 46; 13) Guilherme Figueirôa, 46; 14) Marcelo Ometto, 44; 15) Adalberto Baptista, 38; 16) Charles Reed, 32; 17) Valter Rossete, 29; 18) Daniel Paludo, 28; 19) Antônio Hermann, 21; 20) José Mário Castilho, 18; 21) Haroldo Pinto, 17; 22) Omilton Visconde Jr., 15; 23) Henry Visconde, 11; 24) Marcos Barros, 10; 25) Danilo Fernandez, 1 ponto.
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PORSCHE GT3 CUP (2): POR UNA CABEZA...


A largada da prova 11, com Paludo (77) e Burti (87) na frente. Instantes depois, começou a confusão que eliminou quatro carros da corrida. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.



Miguel Paludo, vencedor da prova e líder do campeonato. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Leo Burti ficou a apenas 0.130 da vitória. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Beto Posses não gostava de correr em Curitiba. Passou a gostar e terminou em terceiro. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

A partir da esquerda: José Mário Castilho, Ricardo Baptista, Leo Burti, Miguel Paludo, Beto Posses e Maurizio Billi. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.
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"Por una cabeza" é um maravilhoso tango de Alfredo Le Pera e imortalizado na voz de Carlos Gardel. Como não poderia deixar de ser em um tango, o elemento central da música é a paixão por uma mulher; a diferença é que o personagem de "Por una cabeza" é um apostador de corridas de cavalo, em que muitas vitórias são decididas "por uma cabeça" de vantagem. E foi "por uma cabeça" - ou, em termos mais exatos, 130 milésimos de segundo - que Miguel Paludo terminou à frente de Leo Burti na prova 11 do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, em Curitiba.
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Segue o relato que distribuí:
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Porsche GT3 Cup: Paludo vence Burti por apenas 1 décimo de segundo em Curitiba
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Uma corrida imprevisível em que a pista escorregadia foi a maior inimiga dos pilotos. A prova 11 do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, disputada neste sábado em Curitiba, ofereceu emoções para o público presente ao autódromo de Curitiba e, principalmente, aos próprios pilotos. Miguel Paludo, líder do campeonato, chegou à sua sexta vitória na temporada superando Leo Burti por apenas 1 décimo de segundo na bandeirada. Beto Posses, Ricardo Baptista, Maurizio Billi e o estreante José Mário Castilho completaram os seis primeiros colocados.
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A chuva, que já havia impedido a realização do treino classificatório na sexta-feira, voltou a testar a capacidade de adaptação dos organizadores do Porsche GT3 Cup. Optou-se por definir o grid em uma sessão extra de 15 minutos, realizada meia hora antes da prova 11. No momento da largada, uma chuva leve molhou a pista e levou a direção de prova a atrasar os procedimentos para permitir que todos os pilotos colocassem pneus de chuva. Logo depois, a chuva parou. Decidiu-se que todos correriam com pneus para pista molhada e que eventuais trocas por pneus slick seriam decididas por cada piloto no decorrer da prova. Nas primeiras voltas, a pista já estava seca. Todos os pilotos seguiram até o fim com pneus de chuva, que possuem um composto mais macio e têm desgaste acentuado quando usados no piso seco.
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Paludo, Burti e Posses ocuparam os três primeiros lugares durante toda a prova. Burti andou sempre próximo de Paludo e tentou assumir a liderança na sétima volta, mas rodou na curva do Pinheirinho e caiu para terceiro, atrás de Posses. Recuperou o segundo lugar cinco voltas depois e partiu novamente para buscar Paludo, recebendo a bandeirada a apenas 0.130 segundo de Paludo. Nas últimas voltas, Paludo, Burti, Posses e Constantino Júnior, que havia largado em 15º lugar, andavam próximos, tornando o final da prova ainda mais emocionante. Constantino tentou ultrapassar Posses a duas voltas do final, mas colocou duas rodas na grama molhada, rodou e bateu. Atrás deles, Ricardo Baptista e Maurizio Billi decidiam nesta ordem a briga pelo quarto lugar, que no começo da corrida teve a participação de Guilherme Figueirôa e Valter Rossete. O último degrau do pódio ficou com o estreante José Mário Castilho, que disputou posição com Marcel Visconde durante praticamente toda a corrida.
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Satisfeito com a sexta vitória na temporada e a boa vantagem que abriu no campeonato, Paludo considerou a corrida muito difícil. “Primeiro, pela indefinição do clima antes da largada. Depois, era necessário tomar cuidado na primeira curva e na Curva da Vitória, os pontos mais molhados da pista. E também porque o Leo estava muito rápido”, explica Paludo. “Nas últimas voltas, meu carro escorregava em todas as curvas. Diminuí o ritmo e o Leo se aproximou muito.” Burti, que obteve seu melhor resultado em sua temporada de estreia no Porsche GT3 Cup, lamentou a rodada: “Foi um erro meu: passei por cima da zebra molhada e rodei. Se não fosse por isso, talvez o resultado da corrida tivesse sido diferente para mim, e também para o Miguel... Mas estou satisfeito. Ainda tenho coisas a aprender e já me sinto competitivo”. Para Posses, o terceiro lugar representa o fim de um tabu. “Eu nunca me dava bem no autódromo de Curitiba. Neste ano, passei a me sentir mais confiante nesta pista e obtive resultados bem melhores. Isso me deixa muito contente”, afirma.
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O resultado final da prova 11:
1) 77-Miguel Paludo, 17 voltas em 27:05.218, média de 139,141 km/h
2) 87-Leo Burti, a 0.130
3) 52-Beto Posses, a 6.682
4) 27-Ricardo Baptista, a 19.187
5) 34-Maurizio Billi, a 19.502
6) 78-José Mário Castilho, a 24.145
7) 55-Marcel Visconde, a 24.629
8) 10-Adalberto Baptista, a 28.587
9) 9-Guilherme Figueirôa, a 33.763
10) 21-Valter Rossete, a 41.109
11) 5-Antônio Hermann, a 56.594
12) 3-Luís Zattar, a 1:14.156
13) 11-Omilton Visconde Jr., a 1:38.390
14) 00-Constantino Júnior, a 2 voltas
15) 15-Henry Visconde, a 15 voltas
16) 89-Daniel Paludo, a 15 voltas
17) 7-Clemente Lunardi, a 15 voltas
18) 99-Tom Valle, a 16 voltas
19) 51-Otávio Mesquita, a 16 voltas
20) 64-Sérgio Ribas, a 16 voltas
Volta mais rápida: Constantino Júnior, 1:29.732, média de 148,241 km/h
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Todos com Porsche 911 GT3 Cup “997” equipados com pneus Yokohama.

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PORSCHE EM CURITIBA (1): ANDRÉ POSSES GANHA A SEGUNDA NA LIGHT

Largada da Light com Elias Azevedo (21) ainda na frente de André Posses (2) e Sylvio Barros (5). Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.
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André Posses, vencedor da prova 2 do Porsche GT3 Cup Light. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

O estreante Amilcar Collares, segundo colocado. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Elias Azevedo, pole position e terceiro lugar. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Carlinhos Ambrósio, quarto colocado. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Edu Rocha Azevedo, quinto colocado. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

Guilherme Ribas, também estreante, ficou em sexto. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

A comemoração de André Posses...

...antes da festa no pódio (da esquerda para a direita, Carlos Ambrósio, Amilcar Collares, André Posses, Elias Azevedo e Edu Rocha Azevedo. Fotos: Jorge Sá/JV Photo Racing.


Sylvio Barros largou na primeira fila e abandonou após duas voltas. A pintura "Mach 5" inspirada no carro de Speed Racer fez sucesso. Foto: Jorge Sá/JV Photo Racing.

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Por pura falta de tempo hábil, não pude colocar mais cedo a cobertura das provas do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil e do Porsche GT3 Cup Light realizadas em Curitiba. Antes tarde do que nunca, aqui está o relato das corridas.

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Porsche GT3 Cup Light: André Posses leva susto, mas vence a segunda corrida consecutiva
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Um grande susto e mais uma vitória. André Posses venceu a prova 2 do Porsche GT3 Cup Light, realizada em Curitiba, mas sem a tranquilidade que marcou a vitória obtida na prova inaugural da categoria, no Rio de Janeiro. Desta vez, Posses precisou superar dois adversários na largada e se recuperar depois de uma rodada. O pódio foi completado por Amilcar Collares (que fez sua estreia na categoria), Elias Azevedo, Carlos Ambrósio e Edu Rocha Azevedo.
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Posses, terceiro colocado no grid, assumiu a liderança na primeira volta, após ultrapassar Elias Azevedo e Sylvio Barros, que dividiram a primeira fila. Barros abandonou após duas voltas e deixou a briga pelo terceiro lugar entre Edu Guedes e Guilherme Ribas, com Amilcar Collares andando próximo dos dois e subindo de posição quando Guedes e Ribas se atrasaram em saídas de pista.
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Com 10 voltas completadas, Posses passou seu maior susto: ele rodou na entrada do miolo ao ficar com o câmbio em neutro durante uma troca de marchas. “Pisei no freio, fui para a grama molhada e fiquei atravessado no meio da pista. Achei que o Elias ia atingir meu carro”, contou o vencedor. Elias conseguiu evitar a batida e assumiu a liderança, mesmo saindo da pista duas curvas depois. “Eu já tinha problemas de freios e quase bati no André. Consegui passar por fora, mas depois também saí da pista. Sabia que dificilmente manteria a liderança e procurei levar o carro até o final da corrida”, explica Elias.
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Duas voltas depois, Posses recuperou a liderança, mesmo com os freios de seu carro perdendo eficiência, e confirmou o primeiro lugar na bandeirada − dada por sua mãe, Sílvia. Amilcar Collares aproveitou-se dos problemas de Elias e assumiu o segundo lugar a quatro voltas da bandeirada. “Errei uma troca de marchas na primeira volta e perdi três posições, mas depois encontrei meu ritmo e fui subindo de posição. Estou muito satisfeito”, comemorava Collares. Sérgio Maggi também ocupou o terceiro lugar até sair da pista a duas voltas do final. Ele conseguiu se manter na prova, mas perdeu muito tempo para conseguir sair da grama molhada que fazia as rodas do carro girarem em falso.

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A próxima prova do Porsche GT3 Cup Light será realizada em Interlagos como preliminar do GP do Brasil de Fórmula 1.
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Resultado final da prova 2 do Porsche GT3 Cup Light:
1) 2-André Posses, 18 voltas em 27:16.712, média de 146,291 km/h
2) 27-Amilcar Collares, a 5.248
3) 21-Elias Azevedo, a 12.662
4) 18-Carlos Ambrósio, a 13.379
5) 88-Eduardo Azevedo, a 18.722
6) 25-Guilherme Ribas, a 22.425
7) 9-Edu Guedes, a 38.687
8) 77-Daniel Moraes, a 1:04.074
9) 11-Christiano Freire, a 1:29.878
10) 69-Sérgio Maggi, a 1 volta
11) 5-Sylvio Barros, a 16 voltas

Volta mais rápida: André Posses, 1:27.771, média de 151,553 km/h

Todos com Porsche 911 GT3 Cup “996” equipados com pneus Yokohama.

Classificação do campeonato após duas provas: 1) André Posses, 40 pontos; 2) Elias Azevedo, 34; 3) Edu Guedes e Carlos Ambrósio, 23; 5) Edu Rocha Azevedo, 22; 6) Amilcar Collares, 18; 7) Tommy Soubihe, 16; 8) Daniel Moraes, 16; 9) Christiano Freire, 14; 10) Sylvio Barros, 12; 11) Guilherme Ribas, 10; 12) Sérgio Maggi, 6; 13) Beny Lago, Alan Turres e Gil Farah, sem pontos.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

AGUARDANDO LEGENDA (E À GUISA DE OPINIÃO SOBRE A "VOLTA DA LOTUS")

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Brincadeira para todos: criar uma legenda para a foto acima. Apenas para informação, trata-se de Charles Kwan, piloto de Hong Kong, durante a corrida do Porsche Cup Asia preliminar do Grande Prêmio de Macau de 2003.
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Para alguma finalidade valeu ter prestado uma certa atenção às aulas de química no colegial. Não retive muita coisa, mas aprendi o suficiente para "sacar" a ligação entre a inscrição no capô e a cor do carro. Você, provavelmente, também sabe.
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Fiquem livres para entender a expressão grafada no carro como sendo minha opinião sobre o que está sendo chamado erroneamente de "volta da Lotus à Fórmula 1".
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MOMENTO F1 NOSTALGIA - NÚMERO 11: PATRICK TAMBAY NO SURTEES

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Este é o primeiro "Momento F1 Nostalgia" feito sob encomenda. Outro dia, dei-me conta que eu nunca havia visto uma foto de Patrick Tambay pilotando o Surtees com o qual foi inscrito para o GP da França de 1977. Seria a estréia do piloto francês na F1, mas ele não se classificou para a largada. Nas corridas seguintes, Tambay passou para a Ensign e teve atuações notáveis: marcou cinco pontos no campeonato e terminaria em terceiro lugar no GP da Holanda se a gasolina de seu carro não tivesse acabado na última volta.
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Pedi ajuda a Rianov, certo de que ele seria um dos poucos a ter, de bate-pronto, uma foto de Tambay no Surtees. Em vez de uma, mandou três. Segue seu relatório:
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Grande Pandini,
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Belo pedido. Foto realmente rara de se ter. Tenho 3, mas uma pior que a outra (mas nessas horas não se pode esperar uma foto com resolução perfeita, não é?). Uma com marca d'agua (Grand Prix photo), outra tirada de uma captura de vídeo e a outra é um 'scan' de um jornal. Somente a do jornal é dele na pista. Mas vale o registro.
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Grande Abraço,
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Rianov
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Obrigado de novo, camarada. E deixo uma dica: acompanhem no F1 Nostalgia o resgate dos obscuros pilotos do leste europeu que, de alguma maneira, pilotaram um Fórmula 1. Começou com dois poloneses, prosseguiu com um checo e ainda vai ter sequência. Rianov, faço uma pergunta-desafio: vai ter foto do iugoslavo Branco Abdul-Halik, que conseguiu a façanha de destruir um Surtees durante um teste sem ter sequer saído do box?
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

BAÚ DO PANDINI - NÚMERO I: ESCÂNDALOS!

Achille Varzi e um bilhete da "lotteria" do GP de Tripoli de 1933: um escândalo de muito maiores proporções...
. ...do que o protagonizado e denunciado por Nelsinho Piquet.
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Antes que me perguntem: não tenho a menor idéia do que vai acontecer com a Renault ou com a carreira de Nelsinho Piquet. Também não tenho a menor vontade de dar palpites. No começo deste ano, muita gente especulou sobre o destino de Hélio Castro Neves ("Castroneves" é para estadunidense escrever). Quase ninguém apostou naquele que seria o veredito final - ou seja, inocente.
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Há quem aposte que Nelsinho jogou a carreira no lixo ao delatar sua ex-equipe. É bem provável, mas não considero definitivo. Se nenhuma equipe se interessar em dar um cockpit a Nelsinho, acho mais prausível que seja pelo que (não) mostrou em seu ano e meio de F1 do que por ter denunciado o plano armado por Flavio Briatore e Pat Symonds.
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O "escândalo" de Nelsinho não foi o primeiro e não será o último. Pode, no máximo, ser o primeiro da história da F1 a ser denunciado pelo próprio piloto. Muitos outros ficaram debaixo do tapete. É a mesma crença que manifestei dois anos atrás, por ocasião do escândalo da espionagem da McLaren sobre a Ferrari.
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Não pensem que armações desse tipo são novidade. A maior manipulação de um resultado de corrida aconteceu no longínquo 1933, fase que muita gente chama de "romântica". Naquele ano, o resultado do GP de Tripoli foi fruto de um arranjo entre todos os pilotos participantes - a elite dos Grand Prix - e não de uma atitude isolada de um único piloto. E é com o pretexto de resgatar essa história que inauguro mais uma seção neste blog: "Baú do Pandini". Nela, republicarei reportagens, artigos e colunas publicadas em outros tempos em jornais, revistas e sites. Não serão necessariamente transcrições literais. Alterações poderão ser feitas para atualizar ou completar informações ou eliminar erros e redundâncias de qualquer espécie.
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Com vocês, o escândalo do GP de Tripoli de 1933. Divirtam-se!
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ESCÂNDALOS!
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Muito do relato a seguir foi publicado na revista brasileira Auto Esporte número 16, de fevereiro de 1966. O texto foi escrito por Antônio Carlos Scavone, que se tornaria organizador e promotor das temporadas internacionais de F-Ford, F 2 e F 3 realizadas no Brasil entre 1970 e 1972, e dos GPs do Brasil de F 1 de 1972 e 1973. Scavone foi um dos mortos no famoso acidente do avião da Varig no aeroporto de Orly, na França, em julho de 1973. Seu desaparecimento prematuro privou o automobilismo brasileiro de um personagem que poderia ter contribuído com enormes avanços na área promocional.
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Em seu artigo, Scavone esclarece que boa parte do conteúdo foi extraído de um capítulo do livro “Speed was my life” (“A velocidade foi minha vida”), escrito por Alfred Neubauer, o chefe da equipe de competições da Mercedes-Benz entre as décadas de 1930 e 1950. O capítulo em questão tem o sugestivo título “The race that was rigged” (“A corrida que foi fraudada”).
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Em 1933, a Líbia era uma colônia da Itália. A autoridade máxima da colônia era o marechal Italo Balbo. Decidido a divulgar o “império romano” sonhado pelo ditador Benito Mussolini, Balbo decidiu promover um Grand Prix na capital, Tripoli, onde algumas corridas vinham sendo organizadas desde 1925. O traçado era um dos mais rápidos do mundo: mais de 13 km de extensão, permitindo velocidades de mais de 200 km/h. A pista contornava um oásis no deserto de Mellaha e tinha longas retas, algumas curvas bem abertas para a direita e leves desvios para a esquerda, feitos a plena aceleração.
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No segundo semestre de 1932, foi anunciada a criação de uma loteria para o GP de Tripoli do ano seguinte, que seria disputado em 7 de maio. Bilhetes foram vendidos por toda a Itália ao preço de 11 ou 12 liras (minhas fontes divergem sobre esse aspecto). Três dias antes da corrida, foram sorteados 30 bilhetes, cada um representando um piloto. O prêmio maior, é claro, seria destinado ao portador do bilhete que correspondesse ao piloto vencedor. A título de curiosidade, lembro-me que, no começo da década de 1980, o governo brasileiro promovia uma loteria idêntica aproveitando o GP do Brasil de F 1.
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Encontrei números diferentes sobre a quantia que seria paga ao vencedor. No livro de Neubauer, consta 7.500.000 liras. Mas Don Capps, colunista do site AtlasF1, detalha que 1.200.000 liras ficaram com o Automóvel Clube de Tripoli para pagamento de despesas; 550.000 liras foram destinadas a pagar prêmios de largada e chegada; e 6.000.000 de liras pagariam os prêmios aos portadores dos bilhetes correspondentes aos três primeiros colocados (3.000.000 para o vencedor, 2.000.000 para o segundo e 1.000.000 para o terceiro colocado). Seja como for, aponta Don Capps, “não era pouca coisa em 1933”. A proporção entre os valores do bilhete e do prêmio não deixa dúvidas quanto a isso.
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Na noite anterior à corrida, o piloto italiano Achille Varzi, um dos grandes astros da época e um dos favoritos à vitória, foi procurado em seu hotel (onde ficavam praticamente todos os participantes) por um senhor baixo e careca. O homem apresentou-se como sendo Enrico Rivio, comerciante de madeira da cidade de Pisa. Varzi estava acompanhado por sua namorada (jovem e muito bonita, descreve Neubauer). O senhor Rivio afirmou que precisava conversar a sós com Varzi, e ela se retirou. Rivio explicou então que estava ali para pedir a Varzi que vencesse a corrida do dia seguinte.
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“Não é difícil imaginar a reação de Varzi”, escreveu Neubauer. “Ele deve ter ficado surpreso com o fato de o sr. Rivio ter viajado de Pisa para Tripoli para fazer-lhe um pedido tão óbvio.” Mas em seguida Rivio mostrou ao piloto o bilhete da loteria com o número que correspondia ao de seu carro. E em seguida entregou-lhe um documento em que se comprometia a dar a Varzi metade do valor do prêmio. Varzi, surpreso, agradeceu e prometeu “ver o que poderia fazer”. Sabe-se que, tão logo o sr. Rivio deixou o quarto, Varzi telefonou a Tazio Nuvolari.
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Dia seguinte, 7 de maio de 1933. Uma tribuna especial foi montada para 30 pessoas – os portadores dos bilhetes sorteados. Entre eles, claro, estava o sr. Rivio. O governador Italo Balbo baixa a bandeira da Itália (a largada era sempre dada com a bandeira nacional, ou com uma bandeira quadriculada nas cores nacionais; somente em meados da década de 1970 seria introduzido o sistema de luzes). Era o início da maior farsa registrada na história das corridas de automóvel. Nuvolari, Baconin Borzacchini e Giuseppe Campari assumem as três primeiras posições, seguidos por Louis Chiron, Luigi Fagioli, Henry Birkin e Piero Taruffi. Varzi tem problemas em sua Bugatti e fica para trás, mas isso não parece aborrecê-lo.
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Na quinta volta, Campari (que atuava como tenor no teatro La Scala, em Milão, e era sobrinho do fabricante do vermute Campari) assume a liderança, seguido por Nuvolari e Birkin. Varzi já estava quase um minuto atrás. Duas voltas depois, Campari entra nos boxes sem qualquer sinal aparente de defeitos em seu carro. Os mecânicos abrem o capô, mas um irritado Campari comunica sua desistência. Minutos depois, é visto sentado em um canto do box bebendo vinho chianti, sem qualquer sinal de inconformismo.
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Na 20ª volta, Nuvolari lidera seguido por Borzacchini, Chiron, Birkin, Giorgio Battilana e Taruffi. Logo depois, Varzi aparece em 7º e na 25ª volta é o 3º. Passa à frente de Chiron e Birkin, mas seu carro tem defeitos de distribuição. O som do motor indicava que dois cilindros não estavam funcionando. O mais lógico seria parar para uma troca de velas e, mesmo perdendo de três a cinco minutos, tentar uma recuperação. Mas Varzi decide continuar em frente, mesmo com o carro falhando. Pode-se imaginar a agonia do sr. Rivio naquele momento.
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No final da 27ª das 30 voltas, a multidão grita o nome de Nuvolari. Borzacchini diminui a velocidade e olha para trás, procurando a Bugatti azul de Varzi. Entra mal em uma curva, sai da pista, bate em um tambor de óleo vazio (usado para demarcar a pista) e desiste da competição. Não aparenta qualquer sinal de contrariedade.
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Nuvolari entra na última volta com 30 segundos de vantagem sobre Varzi. Quando aparece na reta de chegada, a multidão começa a se calar: o Alfa Romeo vai perdendo velocidade até parar a 300 metros da bandeirada. Nuvolari sai do carro e vai para o meio da pista, berrando e acenando freneticamente para seus mecânicos: “Estou sem gasolina! Estou sem gasolina!”. Os mecânicos correm com latas de gasolina e as esvaziam no tanque do Alfa. Enquanto isso, surgem Varzi e Chiron liderando um grupo de carros, todos andando lentamente. O público volta a respirar fundo quando Nuvolari parte para terminar a corrida. Recebe a bandeirada apenas uma roda atrás de Varzi. A empolgação geral faz esquecer que Chiron estava uma volta atrás. O 3º lugar é da Maserati de Birkin, seguido pelas Alfa Romeo de Battilana e Taruffi. Varzi, exausto, sai carregado do carro e recebe seu prêmio. Um dos primeiros a dar-lhe parabéns é um senhor careca e baixo que ninguém conhecia – Enrico Rivio, é claro. A média do vencedor é de 163 km/h, enquanto que nos treinos o mais rápido fez 215 km/h e o mais lento, 185 km/h.
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Naquela mesma noite, Varzi, Nuvolari e Borzacchini tomavam champanhe (a mais cara disponível) no restaurante do hotel. Enquanto isso, começam os rumores. Na manhã seguinte, os jornais especulavam sobre uma possível fraude na loteria. A coisa assume proporções de escândalo e as autoridades esportivas locais reúnem Varzi, Nuvolari, Borzacchini, Campari, Birkin, Chiron e Battilana. O presidente da comissão abre os trabalhos acusando diretamente “certos pilotos” de terem feito antes da corrida um conluio para facilitar a vitória de Varzi. Um dos dirigentes pergunta quem seriam esses pilotos. O presidente cita Varzi, Nuvolari e Borzacchini, lançando ainda “fortes suspeitas” sobre Campari e Chiron.
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A intenção inicial era desclassificar todos e cassar suas licenças. Fez-se silêncio na sala: eram os melhores pilotos da Europa, e uma medida dessas significaria acabar com as competições internacionais, tanto pela desmoralização do esporte quanto pelo afastamento dos grandes nomes. Todos foram somente advertidos. O sistema da loteria, porém, foi modificado: do ano seguinte em diante, os 30 bilhetes passaram a ser sorteados minutos antes da largada, com os pilotos já sentados em seus carros.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 148: O TT DA ILHA DE MAN E A RESPOSTA A UM LEITOR

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Este post foi totalmente inspirado pelo leitor Leonardo (não foi possível apurar seu sobrenome), que mandou o seguinte comentário para o "Desafio" aí embaixo:
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Oi Pandini, na verdade não quero mandar um comentário, mas sim uma sugestão para futuros posts... seria sobre o isle of Man TT, e aquelas corridas de motos e side cars que passam no Speed Channel... Aquilo é a maior loucura que eu já vi nos esportes a motor. Gostaria de saber tua opinião e que tu escrevesse algo sobre essas competições, e também da viabilidade de realizar algo parecido aqui no Brasil. Sempre me perguntei porque ñ se realiza corridas de estrada no Brasil? Se ocorrem no 1º mundo, pq aqui ñ pode?
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Minha resposta ao Leonardo:
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"É uma bela idéia e pretendo aproveitá-la (OBS: a resposta foi escrita antes de eu ter a idéia de transformar a troca de mensagens em post). Acho essas corridas perigosíssimas, mas fascinantes, repletas de história, de heroísmo e de um ambiente que as categorias ultraprofissionalizadas de hoje não oferecem mais.
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Sobre o porquê de não acontecerem corridas assim no Brasil, acho que decorre, primeiro, da falta de tradição. Endurance motociclismo praticamente nunca existiu no Brasil, apesar de uma ou outra corrida de maior importância ter acontecido, a intervalos bem esparsos, entre os anos 50 e 80. Fazer uma prova de estrada exigiria, em primeiro lugar, que o asfalto das estradas fosse minimamente bem cuidado; segundo, que a interrupção dessas estradas ao tráfego tumultuasse o mínimo possível a circulação dos veículos. Infelizmente, não vejo possibilidades nem vislumbro local para essa prova. Quem tiver sugestões, por favor apresente-as!"
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É isso aí: quem tiver sugestões de um circuito de estrada para uma fascinante e festiva prova de motovelocidade, por favor manifeste-se. Valem tanto as propostas supostamente plausíveis quanto "viagens" provocadas por consumo de maconha estragada. Lembro que, há alguns anos, troquei várias mensagens com um leitor, Heraldo Oliveira, sobre as possibilidades de fazer um circuito de rua em Santos, onde eu nasci e onde ele morava.
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As fotos que ilustram este "La Mosca Blanca" foram selecionadas com o único intuito de mostrar aos que não conhecem a loucura que é o Tourist Trophy da Ilha de Man, na Grã-Bretanha. Não sei quem são os pilotos, quais são as motos nem de quais anos são as fotos. A última imagem mostra o traçado (se não me engano, são 60 km) e as estradas que o formam dentro da ilha. Acredite se quiser: até 1976, o TT da Ilha de Man era a etapa britânica do Mundial de Motovelocidade - se bem que, já no começo da década de 1970, os pilotos de ponta passaram a se recusar a correr na ilha, devido à evidente falta de segurança.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DESAFIO: QUEM ESTÁ AO VOLANTE? (ATUALIZADO)

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Um desafio facinho para fechar a semana. Quem são os pilotos, qual é o carro, por que ele apresenta esta pintura e em que ano as fotos foram feitas?
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A resposta será dada depois de 7 de setembro. Bom feriado a todos!
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ATUALIZAÇÃO - Acertaram aqueles que mencionaram o carro como sendo o Jaguar R5, modelo de 2004 que foi o último da marca na F1, durante o Festival de Goodwood de 2008. Na foto de cima está Marc Hynes, campeão britânico de Fórmula 3 em 1999, e na de baixo o carro é pilotado por Johnny Herbert. O Julio Cesar foi além e deu uma explicação detalhada para a pintura:
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"Os carros das fotos são um Jordan EJ13 e um Jaguar R5, no Goodwood Festival Of Speed 2008, com pinturas comemorativas dos 50 anos da Cosworth. Os pilotos do Jaguar R5 eram Marc Hynes e Johnny Herbert. Já quem conduziu o Jordan EJ13 foi Andrew Tate, que comprou o carro. A FV10 foi criada por ex-engenheiros e técnicos da Fórmula 1, com o intuito de proporcionar a proprietários de bólidos da categoria a oportunidade de guiar seu próprio F1.O Jordan EJ13 foi escolhido para participar do evento porque foi o último carro que obteve vitória com motor Cosworth."
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Na verdade, o Jordan EJ13 mencionado pelo Julio Cesar não fazia parte da postagem original. Mas, como agradecimento ao Júlio pela explicação detalhada, aí embaixo está a foto do Andrew Tate no Festival de Goodwood de 2008.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

VAMOS FALAR DE MULHERES (COM TODO O RESPEITO): UMA THURMAN

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Quem assistiu "Pulp Fiction", de 1994, sabe perfeitamente por que Uma Thurman está aqui. (Quem não assistiu, por favor dirija-se à locadora mais próxima e assista "Pulp Fiction" com urgência. Você poderá amar ou odiar o filme, mas não vai ficar indiferente a ele.)
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"Pulp Fiction" foi proveitoso para muita gente. O diretor Quentin Tarantino passou a ser um dos mais festejados do cinema estadunidense. Uma Thurman consagrou-se como estrela. John Travolta, que estava para lá de esquecido havia muitos anos, ressuscitou como astro de primeira grandeza e provou que seu talento ia além do visto em "Os Embalos de Sábado à Noite" e "Grease", até então seus filmes de maior bilheteria. E por aí vai.
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Mencionar todas as sequências marcantes de "Pulp Fiction" seria cansativo - você ganha mais se seguir minha sugestão do primeiro parágrafo e assistir ao filme. Então, fiquemos com aquela da terceira foto, em que a musa deste post rouba a cena: a do concurso de dança na lanchonete retrô "Jack Rabbit Slims", ao som de "You Never Can Tell", com Chuck Berry. Antológica - como muitas outras do filme.
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A caricatura abaixo dá uma exagerada no nível de circunferência corpórea de Travolta em "Pulp Fiction". Ele estava mais gordo do que havíamos nos acostumado a ver em "Os Embalos..." e "Grease", mas não tanto quanto o desenho dá a entender. Uma, por sua vez, é magra demais para meus padrões. Mesmo assim, ela me proporciona grandes... ehr... inspirações. E a vocês?

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