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.Dias antes do GP da China, em uma animada mesa de almoço, surgiu conversa sobre a atual temporada de Fórmula 1 e, principalmente, sobre o surpreendente desempenho da Brawn GP, que havia vencido as duas corridas disputadas até então. A certa altura, um amigo comentou:
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- Se o Barrichello for campeão neste ano, vai calar a boca de muita gente...
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- O problema é que ele não vai calar a boca dele mesmo... - respondi.
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Todos riram e entenderam o que eu quis dizer. Rubens Barrichello, sem ser excepcional, é um grande piloto. Seu problema maior, desde o começo da carreira, é falar demais. Cria expectativas que não se sustentam, reclama, se coloca em posição de vítima. Tudo isso o torna alvo fácil para os piadistas de plantão. Cria para si próprio constrangimentos que poderiam nunca existir.
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No GP de Bahrein, Barrichello voltou à pista atrás de Nelsinho Piquet após uma de suas três paradas no box. Desesperou-se ao ver que não teria moleza para conseguir a ultrapassagem e começou a fazer sinais com a mão, reclamando que Piquet o estava segurando. Depois da corrida, Barrichello se queixou: "Ele estava de três a quatro segundos mais lento que eu e fechou a porta".
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Provavelmente esperava que o adversário simplesmente lhe abrisse caminho. Melhor ainda se completasse a manobra dizendo no rádio, para todo mundo ouvir: "Vá, Rubinho. Você é apenas um brasileirinho contra este mundão todo".
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Já podemos criar um novo personagem: "Barriquinho, o piloto reclamão". O apelido "Barriquinho" foi involuntariamente criado pelo locutor Odinei Edson durante a transmissão da corrida pelo sistema Bandeirantes de rádio. Numa daquelas falhas que todos nós cometemos de vez em quando, ele misturou "Barrichello" e "Rubinho" e acabou saindo "Barriquinho". Continuou narrando, mas os atentos Fábio Seixas e Jan Balder não deixaram passar em branco: "Barriquinho, Odinei?...". O narrador se desculpou, falou que havia errado, mas não adiantou. Adorei o novo apelido.
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PS - Leio no blog do Flavio Gomes que Galvão Bueno ficou completamente indeciso durante a disputa entre Piquetzinho e Barriquinho. Todos sabem qual seria o raciocínio do locutor se houvesse apenas um brasileiro naquela disputa: chamaria "nosso" representante de herói e aguerrido, se estivesse na frente, ou diria que estava sendo prejudicado por um adversário desleal, se estivesse atrás.
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É o que dá habituar-se a limitar narrações esportivas a uma disputa entre bons e maus, heróis e vilões, Brasil e "resto do mundo". Então, humildemente, ofereço a Galvão (considerado por alguns como o maior locutor de automobilismo do Brasil desde Nicolau Tuma no GP Cidade de São Paulo de 1936) uma solução para situações similares. Basta falar entusiasmado "Uma bela disputa entre os pilotos brasileiros!". Aliás, tal raciocínio também é perfeitamente aplicável quando houver estrangeiros na parada. Simples, não?
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