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Nome: L-A. Pandini
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Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

MORREU LUIZ CELSO GIANNINI


Luiz Celso Giannini, um dos primeiros brasileiros que disputaram um GP válido pelo Mundial de Motovelocidade, morreu na quinta-feira passada, 20 de março, de infarto. Aposentado, vivia em Cotia, município vizinho a São Paulo.

Minha singela homenagem a Luiz Celso Giannini: reproduzo abaixo a coluna que escrevi sobre ele no GPtotal. Foi ao ar em 10 de fevereiro de 2006. A coluna tem outras fotos além da que reproduzo acima, de Giannini com sua Yamaha TD 250.



Pioneiro em duas rodas

Tive há algum tempo a oportunidade de conversar com um dos primeiros pilotos brasileiros que disputaram um Grande Prêmio válido pelo Campeonato Mundial de Motociclismo. Seu nome é Luiz Celso Giannini, paulistano nascido em 18 de julho de 1947.


Giannini começou a andar de moto aos 13 anos de idade, com uma Monareta comprada em sociedade com o irmão. Depois, trocou-a por uma Mondial 50 cm³ e em seguida passou para uma Silpo 150 cm³. Fez várias corridas em Interlagos e também em diversos circuitos de rua em cidades do estado de São Paulo. “Lembro de uma em Santos em que uma das referências de traçado era uma mancha de óleo em um ponto de táxi”.

Em 1970, Giannini e Adu Celso partiram para um desafio que nenhum brasileiro – ao menos que se tenha notícia – havia encarado até então: disputar um Grande Prêmio válido pelo Campeonato Mundial de Motociclismo. Não seria uma tarefa fácil. Desde 1954, a CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) estava suspensa pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) devido às falhas de organização do “GP do IV Centenário de São Paulo”, em Interlagos. Contando com a boa vontade de um dirigente espanhol da FIM, Nicolas del Valle, os dois brasileiros puderam se filiar à federação da Holanda e se inscrever nas corridas européias.

“Só decidimos correr na Europa porque o motociclismo estava capengando no Brasil. Durante anos, organizou-se apenas uma ou outra corrida a cada temporada”, explica Giannini. “Chegamos lá e não tínhamos a mínima idéia do que iríamos encontrar.” Hoje, tais palavras parecem exagero. Mas lembre-se que em 1970 a divulgação do Mundial de Motovelocidade era bem menor que a de hoje e restrita à Europa, apesar de países de outros continentes terem recebido GPs em anos anteriores. No Brasil, não havia sequer revistas especializadas em motociclismo.

Na Holanda, Adu e Giannini conseguiram contato com a Yamaha e compraram suas motos. Uma ajuda preciosa partiu de Jan W. F. van Veen, um holandês radicado no Brasil que atuava como diretor técnico da CBM. Ele escreveu as cartas para as autoridades esportivas e pediu à sua filha, que morava na Holanda, que ajudasse os dois pilotos brasileiros no que fosse possível.

“Tínhamos três Yamaha TD”, recorda Giannini. “O Adu corria em duas categorias, 250 cm³ e 350 cm³. Eu só corria na 250. Era uma das melhores motos da categoria na época e desenvolvia 60 cv de potência. Colocávamos as três motos em uma Kombi e íamos para os circuitos.” Uma das primeiras corridas dos dois brasileiros aconteceu em Zandvoort, na Holanda, exatamente o circuito onde eles costumavam treinar. Adu venceu na 250 e Giannini terminou em quinto lugar. “Minha moto tinha um probleminha qualquer no virabrequim e a carburação saía do ponto. Não tínhamos mecânicos: nós fechávamos nosso box e íamos para a largada.”

Para ganhar experiência, eles participaram de várias corridas de campeonatos nacionais antes de encarar o Mundial. Giannini fez três GPs. O primeiro foi o da Finlândia, em Imatra, um perigoso circuito formado por ruas e estradas. Depois veio o GP do Ulster (Irlanda do Norte), também uma pista de estrada, cujo traçado incluía uma passagem sobre trilhos de trem. E depois viria o GP da Tchecoslováquia, em Brno, na época um circuito de estrada com 23 km de extensão. “Dei duas voltas no treino e fiquei com o último lugar no grid. Nem tive como memorizar a pista”, recorda Giannini. As condições do piso tornavam as coisas ainda mais dramáticas, especialmente para um piloto estreante: “Havia muito óleo diesel derramado no asfalto e ainda por cima havia uma infinidade de faixas brancas pintadas no chão”. Adu terminou em 15° lugar e Giannini foi o 18° na corrida da 250.

A carreira internacional de Giannini terminou naquele mesmo ano. Em setembro, haveria uma prova internacional no circuito de rua de Hengeloo, na Holanda. Somente Adu estava inscrito, mas Giannini acompanhou o colega. “O Adu começou a corrida em terceiro lugar. Na quarta volta, não passou mais. Me avisaram que ele havia levado um tombo e fui para o hospital. Ele caiu sentado e comprimiu três vértebras”. Enquanto Adu se restabelecia, Giannini preparou a volta dos dois ao Brasil, embalando motos e bagagens. A intenção era aproveitar a experiência e retornar à Europa em 1972. “O Adu fez isso logo no começo do ano. Eu ia voltar alguns meses depois, mas acabei ficando por aqui. Comecei a correr de automóvel, com um Opala que pertencia ao Carlos Alberto Sgarbi. Terminei em quarto lugar no Torneio Independência, criado para pilotos estreantes e novatos”.

Em 1975, Giannini começou a correr na Fórmula Super Vê, na época a categoria mais competitiva do automobilismo brasileiro. Percebeu rapidamente que não teria possibilidades contra equipes bem mais ricas e fez em julho daquele ano sua última corrida. Nunca mais voltou às pistas. Hoje, aos 58 anos, Giannini cuida de uma distribuidora de autopeças, a Auto Americano, fundada por sua família há mais de 50 anos e localizada no centro de São Paulo.

4 Comentários:

Blogger João Carlos Viana disse...

É uma pena que ao invés da mídia falar da perda de um herói do esporte a motor brasileiro, só se fala (Oh, My god!) de quem vencerá a BBB...

Segunda-feira, 24 de Março de 2008 13h25min00s BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bela homenagem ,agora não temos mais dois importantes nomes de nossa historia do motociclismo ,primeiro o Adu e agora o Giannini .

Quardo com o maior carinho uma entrevista do Adu para a revista Motoshow em abril de 92 .

Valeu Panda.

Jonny'O

Terça-feira, 25 de Março de 2008 07h32min00s BRT  
Anonymous Tohmé disse...

Jacaré, Adú, Giannini.
É Jonny, parece que estamos ficando órfãos.

Terça-feira, 25 de Março de 2008 16h13min00s BRT  
Blogger João Carlos Viana disse...

Olá Panda

Peço licensa para vc dar uma olhada lá no meu blog, claro se tiver tempo, pois lá tem uma bio do inesquecível Elio de Angelis.

Abraços!

Terça-feira, 25 de Março de 2008 23h21min00s BRT  

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