PandiniGP

Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história... Este é um espaço para compartilhar idéias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

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Nome: L-A. Pandini
Local: São Paulo, SP, Brazil

Jornalista nascido em Santos - safra 1968 - e radicado em São Paulo desde 1985. "A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco." (Salvador Dalí)

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006


O CORVO E OUTRAS AVES

A história do "Corvo" nasceu durante o velório de um repórter (cujo nome, infelizmente, não lembro) do jornal "Última Hora", na década de 1950. Sua morte, causada por espancamento efetuado por policiais truculentos, comoveu a cidade do Rio de Janeiro. Samuel Wainer, proprietário da "Última Hora", acompanhava o velório quando viu chegar seu inimigo Carlos Lacerda, político e dono do jornal "Tribuna da Imprensa".

Lacerda tinha um histórico de jamais perder oportunidades para explorar comoções populares. "Ele apareceu no enterro vestido de preto dos pés à cabeça", descreveu Wainer em suas memórias, publicadas no livro "Minha razão de viver". Certo de estar vendo não uma pessoa indignada com o assassinato de um colega de profissão, mas um ator em plena encenação, Wainer ficou profundamente irritado e foi embora do velório: "Vou voltar para o jornal. Não agüento ver esse corvo na minha frente", explicou a amigos. Chegando à redação, ainda alterado e sem conseguir esquecer o assunto, Wainer pediu ao cartunista Claudius que desenhasse uma caricatura de Lacerda como corvo. Ela foi publicada na edição seguinte da "Última Hora" - e o apelido "Corvo" acompanhou Lacerda até sua morte, em 1977.

Carlos Lacerda foi um típico representante da direita brasileira. Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista - a descrição é freqüente entre quem acompanhou a política do país naqueles tempos. Conspirou contra os governos Vargas e JK, muitas vezes agindo contra a lei e contra a constituição. Boa parte da grande imprensa da época, conivente, dava apoio a suas campanhas. Em 1964, quando da derrubada de João Goulart, Lacerda achou que finalmente havia chegado sua hora. Mas ele era tão pouco confiável que nem os militares golpistas quiseram sua companhia. Teve seus direitos políticos cassados por dez anos.

Lacerda tinha uma retórica sedutora para a classe média amedrontada, para conservadores empedernidos e para aquele tipo de mente simplória que acredita na "linha dura" ("tolerância zero", preferem alguns) como solução imediata e definitiva para todos os problemas. Eleito governador do estado da Guanabara (i.e., a cidade do Rio de Janeiro depois da mudança da capital para Brasília), resolveu acabar com o problema dos mendigos... acabando com os mendigos. Por ordem da secretária de Assistência Social, Sandra Cavalcanti, eles eram afogados no rio da Guarda. Isso foi descoberto e Lacerda ganhou de Wainer mais um apelido: "mata-mendigos". (Lacerda e dona Sandra tinham também um método muito peculiar de acabar com as favelas: botavam fogo nelas.)

O que me espanta é a semelhança dessas barbaridades de quatro décadas atrás com coisas que acontecem hoje em todo o Brasil. Em São Paulo, desde a posse do sr. José Serra, a prefeitura promove a construção de rampas anti-mendigos e a destruição dos poucos bens de moradores de rua que se recusam a ir para alojamentos municipais. Tucanos ou corvos?

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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006



RETRATOS DE UMA ÉPOCA

Aí estão dois carros cujas miniaturas eu adoraria ter: o Rolls-Royce de John Lennon (na foto, com o filho Julian) e o Porsche 356 de Janis Joplin.

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SONHO DE TORCEDOR

Gilles Villeneuve é um dos meus pilotos preferidos. Aliás, foi (e é até hoje) um dos pilotos preferidos de muita gente. Agressivo, combativo, corajoso, selvagem... Todos estes adjetivos, e outros da mesma natureza, servem para definir a pilotagem do canadense. O cara guiava com o coração, quase sempre bem mais do que com a razão. É por isso que, com seis vitórias e um vice-campeonato mundial (em 1979, atrás de seu companheiro na Ferrari, Jody Scheckter), Gilles é muito mais lembrado, querido e cultuado do que vários pilotos com números mais encorpados.

A foto acima foi um belo presente do amigo Geraldo Tite Simões. Foi tirada nos treinos para o GP do Brasil de 1980, em Interlagos. Reparem no detalhe: Gilles estava ao volante do carro-reserva da Ferrari, que estava sempre configurado para Scheckter, primeiro piloto da equipe. A equipe mandou-o para a pista com número 1 (naquela temporada, Gilles usava o 2) e sem substituir o nome "Jody Scheckter" na carenagem.

Gilles andando na Ferrari com o número 1, reservado ao campeão mundial do ano anterior. Um sonho que muitos torcedores acalentaram até o acidente fatal, nos treinos para o GP da Bélgica de 1982, em Zolder. Um sonho que nunca se concretizou de maneira oficial, mas virou realidade aqui em Interlagos, durante breves voltas, em janeiro de 1980. Obrigado pelo registro, Tite!

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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

PARA ENTENDER A NOSSA MÍDIA (2)

Fragmentos de uma notícia publicada no Terra, seguidos de meus comentários:

"O prefeito de São Paulo, José Serra, atacou hoje, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que ele está fazendo campanha com suas viagens para inaugurar obras pelo Brasil. 'É óbvio que ele está fazendo campanha", disse. No entanto, amenizou Serra, o presidente 'tem que inaugurar as obras que concluiu'".

Curioso o julgamento do sr. prefeito. "Obras eleitoreiras" são só as dos outros. Além das rampas anti-mendigo e de ações de expulsar mendigos das ruas, a cidade vive uma febre de recapeamento de ruas e avenidas como poucas vezes se viu. Está a pleno vapor a construção do viaduto ligando a antiga Avenida Águas Espraiadas com a Marginal Pinheiros. Agora vamos recordar: no ano passado, o sr. Serra não perdia oportunidades de afirmar ter assumido uma prefeitura falida, em situação financeira calamitosa e repleta de dívidas, responsabilizando a gestão PT por tudo isso. Tem alguma coisa aí que não encaixa.

Mais:

"O prefeito ainda justificou a sua posição na pesquisa [para presidente] dizendo que tem aparecido pouco no noticiário nacional e que está mergulhado no cargo de prefeito, por isso não tem muita visibilidade."

Está explicada a subida do sr. Serra nas pesquisas no segundo semestre de 2005: ele estava aparecendo demais e não estava "mergulhado no cargo de prefeito"... Estava fazendo o quê, então? Campanha, talvez.

Para terminar:

"Ontem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato assumido do PSDB, também esteve em Brasília. Ao contrário de Serra, que negou estar na capital federal para fazer campanha, Alckmin foi buscar apoio para a sua candidatura com a bancada federal tucana."

Engraçado. Se o sr. Lula, presidente da República, vai a algum lugar para inaugurar uma obra, sempre aparecem críticas ao fato de ele "viajar muito" e "estar em campanha eleitoral". O sr. Alckmin também tem feito viagens para vários estados brasileiros, mas unicamente em busca de apoio político. Isso é noticiado sem qualquer espírito crítico e ninguém cobra dele que fique em São Paulo para governar o estado.

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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006


ARGENTINA 3, BRASIL 0

Assisti ontem, pela TV, ao show do U2 no Morumbi. Bono (há muito tempo ele deixou de usar o "Vox", mas uma parcela importante da imprensa brasileira ainda não se deu conta disso) fez de tudo para ser simpático ao público daqui. Disse ao microfone várias frases em português, como "Copa do Mundo, vamos para o hexa". Todo o show foi emocionante.

Mas, para mim, o mais marcante foi o momento em que o telão do palco começou a exibir bandeiras de todos os países latino-americanos. Bono falou "México" e foi aplaudido. Idem com o Chile. Quando falou "Argentina", a maior parte do público presente no Morumbi reagiu com uma sonora vaia. Quem via pela televisão percebeu o espanto e o desconforto de Bono naqueles poucos segundos que transcorreram até ele falar "Brasil" e os aplausos voltarem.

Fiquei com vergonha, muita vergonha dos meus conterrâneos. Mas não me surpreendeu. Em agosto do ano passado, a etapa da Stock Car em Curitiba teve como preliminar uma corrida da TC2000, a categoria mais importante do automobilismo argentino. Dois meses depois, a Stock foi correr em Buenos Aires, integrando a programação de uma das etapas da TC2000. Miguel Costa Júnior, um dos mais conceituados fotógrafos de esportes a motor do Brasil, contou-me que, em Curitiba, a torcida recebeu com vaias o hino da Argentina. Em Buenos Aires, o público que lotava as arquibancadas explodiu em aplausos quando foi tocado o hino do Brasil.

Em matéria de educação, os argentinos estão ganhando de goleada dos brasileiros. O pior é que muitos “daqui” insistem em fazer gols contra. Até quando vão levar a sério essa imbecilidade de não gostar de argentinos apenas pelo prazer de não gostar?

DOIS POSTS EM UM

Talvez algumas pessoas não entendam porque me emocionei quando vi as bandeiras dos países latino-americanos no telão. Explico, ou tento. Desde adolescente, um dos meus sonhos é ver a América Latina ser tão desenvolvida, forte e integrada quanto, por exemplo, a Europa ocidental.

Fico irritadíssimo quando vejo pessoas se referindo a qualquer país latino-americano como se fossem lugares que não merecem respeito. Me dói, porque estamos todos no mesmo barco. Temos as mesmas dificuldades, os mesmos desafios, e ao mesmo tempo a mesma base cultural, línguas parecidas, a mesma maneira de encarar as dificuldades da vida - quase sempre com espírito guerreiro, alegria, bom humor, afeto. "Endurecer-se, pero sin perder la ternura", lembram-se?

Vivi um tempo - felizmente, a cada dia mais distante - em que havia apenas dois países (Colômbia e Venezuela) sob regimes políticos democráticos na América do Sul. Vi sair de cena, uma a uma, todas as ditaduras militares latino-americanas. Lembro, comovido, das imagens da eleição de Raúl Alfonsín para presidente da Argentina, depois do fiasco da aventura militarista nas Ilhas Malvinas. Do sentimento de justiça ao saber que o sinistro general Pinochet havia sido preso na Inglaterra. Da emoção com a eleição de Lula para presidente da República. No último final de semana, assisti ao DVD do show "Phono 73", em que Chico Buarque e Gilberto Gil foram censurados ao cantar a música "Cálice". No mesmo instante, lembrei-me que aquele artista censurado é hoje ministro da Cultura. Olhei para meu filho de cinco anos (ele gosta tanto de música quanto eu e minha mulher) e me dei conta que eu tinha a idade dele naquele ano de 1973.

Ainda há um longo caminho a percorrer, e muitas coisas boas foram perdidas ou ficaram para trás. Mas não tenho dúvida de que o mundo é hoje muito melhor do que era quando eu tinha a idade do meu filho.

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

MAX MAIA

O sr. Max Mosley, presidente da FIA, deve ter tido alguma aula de marketing político com o sr. César Maia, o coerente e sensato prefeito do Rio de Janeiro. Assim como o alcaide carioca, Max Mosley tomou gosto por criar factóides – notícias e eventos que geram rebuliço na mídia, mas na prática resultam em nada.

A última de Max: liberar as configurações de motores da Fórmula 1, limitando somente a quantidade de combustível. Esta seria idêntica para todos, independente do tipo de motor. “O vencedor seria aquele que consumir mais combustível.”

No dia anterior, Max havia divulgado a “excelente” idéia de criar divisão de acesso para a F 1, nos moldes do futebol. As atuais equipes da GP2 passariam a competir na “Fórmula 1B”. As duas melhores colocadas subiriam para a F 1, enquanto as duas piores da F 1 “cairiam” para a “F1B”. Max só “se esqueceu” de explicar como as equipes rebaixadas renegociariam seus contratos de patrocínio. Também não revelou qual “mágica” daria às equipes da GP2, que contam com orçamento bem mais baixo e não precisam construir seus próprios carros, verba suficiente para arcar com um custo operacional pelo menos trinta vezes maior.

Max Mosley é inteligente demais para não ter pensado nestas coisas. Portanto, a única conclusão possível é que ele encontrou uma maneira de estar sempre na mídia. Ou então ele viu o monte de bobagens em que se transformou o atual regulamento da Fórmula 1 (uma merda de regulamento, para dar minha opinião em português claro), depois de dinamitar regras que deram certo durante mais de 50 anos. Meu temor é que (mais) algumas dessas idéias mirabolantes (favor entender “mirabolantes” no pior sentido possível) acabem virando realidade.

Ainda sobre regras. Todos se lembram que no ano passado a FIA colocou em seu site um questionário para “saber o que os fãs desejam da Fórmula 1”. Fui respondendo até chegar à pergunta “Qual formato de treinos você prefere?”. Havia três ou quatro opções diferentes. Só não constavam aqueles antigos, bons e de fácil compreensão que vigoraram entre 1996 e 2002: uma hora por sessão classificatória (uma ou duas, dependendo da época) e todos entrando na pista quando bem entendessem para marcar tempo. Também não havia a opção “nenhuma das anteriores”. Não havia razão aparente para isso, a não ser o medo de a maior parte do público se manifestar a favor do formato antigo. Nesse momento, parei de responder e saí do site.

Dirigentes esportivos (e de outros tipos também) costumam ser vaidosos demais para assumir erros. Nesses casos, pensam eles, é melhor reinventar a roda do que voltar ao que sempre funcionou.

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006


VAMOS RESGATAR O CENTAURUS?

Camaradas, este é um carro que pouca gente conhece. Trata-se do Centaurus, feito pela "Automóveis e Motores Centaurus S.A.", de Campinas (SP). Foi exposto no Salão do Automóvel de 1961 e, depois, desmontado. Nessa mesma época, a Centaurus construiu o protótipo de um jipe. O destino deste carro, ao que parece, também é ignorado.

A imagem acima foi "resgatada" em um sebo que ficava próximo da LetraDelta. Passei por lá dias antes do encerramento das atividades e o dono, gentilmente, me deu o pequeno quadro com o Centaurus. Ao desmontá-lo, percebi que se tratava de um anúncio publicado em uma revista que não consegui identificar. Isso aconteceu há uns três anos e, na época, fiz uma notinha sobre o Centaurus para a revista "Quatro Rodas Clássicos".

Mas agora eu quero mais. Alguém tem fotos do Centaurus? Dados técnicos? Sabe que fim levou a Automóveis e Motores Centaurus S.A.? Quem tiver qualquer informação, por favor mande postagens para o blog. Imagens podem ser envidas para pandinigp@yahoo.com (sem o ".br"). Elas serão publicadas aqui, com o devido crédito.

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Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

PARA ENTENDER A NOSSA MÍDIA (1)

Certas publicações não perdem oportunidade de acusar políticos de partidos de esquerda de serem “adeptos de ditaduras” como a cubana e a soviética. Quando isso acontecer, verifique se a íntima ligação de políticos como Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen e Paulo Maluf com a ditadura militar instaurada em 1964 é mencionada com a mesma ênfase. Se não for, escreva para a tal publicação cobrando a "imparcialidade", "objetividade" e "independência" que certamente estarão apregoadas no editorial.

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2006



CALAMIDADE

Quem é mais velho e gosta de automóveis certamente ouviu falar de Expedito Marazzi, jornalista, engenheiro, piloto e instrutor de pilotagem morto em 1988. Era um automobilista e motociclista com iniciais maiúsculas, profundo conhecedor de tudo o que se referia a esses assuntos. Trabalhei com ele durante pouco mais de um mês, no final de 1986. Grande figura.

Há uns 15 anos, a revista “Imprensa” (leitura obrigatória para os estudantes de jornalismo de então) publicou uma história sobre ele. Marazzi foi ao cinema com um amigo, também jornalista. Determinado trecho do filme mostrava cenas de extrema pobreza que consternaram profundamente o amigo de Marazzi. Tentando consolá-lo, Marazzi dizia frases do tipo “Infelizmente a vida é assim” e “Não fique desse jeito, você não tem culpa dessas desgraças”. Passados alguns minutos, surgiu na tela um típico carrão estadunidense dos anos 60 sendo colocado em uma máquina e “dobrado” até virar um cubo de metal com um metro e meio de cada lado. Marazzi, inconformado, teria gritado no meio do cinema: “Isto é uma desumanidade!”.

Se é verdade ou folclore, não sei. Se for verdade, posso dizer que me baixou o Marazzi ao ver as fotos do estrago causado por uma inundação no Museu Eduardo André Matarazzo, em Bebedouro (SP). Foram danificadas máquinas antigas, peças de avião e 92 automóveis. Tempo estimado para a recuperação do acervo: quatro anos, com fechamento do museu por tempo indefinido. Muito pior do que isso: a chuva causou a morte de uma pessoa, o desaparecimento de outra e deixou 120 desabrigados na cidade.

Tem certas coisas que não se pode deixar para depois. Ainda repousa sobre minha mesa um prospecto que recebi no final do ano passado, convidando para um evento promovido pelo museu. Não pude ir, mas prometi a mim mesmo que dedicaria um domingo qualquer para dar um pulo em Bebedouro e ver as relíquias. Por enquanto, fico de dedos cruzados esperando sua reabertura.

A quem interessar possa: o telefone do museu é (17) 3342-1217. Rogério, um dos responsáveis, pode ser contatado pelo (17) 9602-3400.

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TEM LIVRO DE FUTEBOL QUICANDO NA ÁREA

Quem leu o cabeçalho acima deve ter notado a ausência da palavra "futebol" entre meus assuntos prediletos. Sou um espécime raro: indiferente e refratário às emoções do futebol, a ponto de não ter assistido às finais das copas de 1994 e 1998 (a de 2002 eu acabei meio vendo, meio tomando conta do meu filho enquanto os familiares torciam). Tal comportamento me rendeu duríssimas discriminações, recriminações e insinuações maldosas durante a infância, a adolescência e parte da juventude (atenção, crédulos: isto é uma ironia, OK?).

Time? Se for necessário, digo que são "Santos, Jabaquara e Portuguesa Santista". Existem situações em que declarar-se indiferente ao futebol pode significar o fim de uma amizade promissora ou a perda de um bom negócio. Há relatos de quem tenha pago tal ousadia com a própria vida (mais ironia, OK?). Mas confesso ter interesse por relatos de vivências das copas de 1950, 1958 e 1962. Não me perguntem por quê: não vou saber responder.

Feito o registro pessoal, passo ao recado. Os jornalistas Tales Torraga e Alessandra Alves estão trabalhando na produção de um livro sobre o evento que ficou conhecido como “invasão do Maracanã”. Segue o e-mail enviado pela Alessandra: "Aconteceu na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, quando cerca de 70 mil torcedores corintianos ocuparam metade dos lugares disponíveis no estádio, fazendo um deslocamento sem precedentes de uma torcida para assistir a um único jogo. No final do ano, esse fato completa 30 anos, quando pretendemos lançar o livro. Tanta gente foi para lá que nós queremos coletar o maior número possível de histórias, lembranças, fatos pitorescos etc. Se você foi a esse jogo ou conhece alguém que foi, por favor mande um e-mail para o endereço invasaocorintiana@letradelta.com.br."

Sem ter relatos para colaborar, desejo sucesso ao Tales e à Alessandra. E que o livro seja um campeão de vendas.

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PIONEIRO NO MUNDIAL DE MOTOS

Camaradas, está no ar minha mais recente coluna no GPtotal. É sobre Luiz Celso Giannini, um dos primeiros pilotos brasileiros a disputar o Mundial de Motos. Tem boas histórias ali.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006


HÁ 25 ANOS, O PRIMEIRO TÍTULO DE PIQUET

Camaradas, quem ainda não sabe vai ser informado agora: meu piloto brasileiro preferido é Nelson Piquet. Emerson Fittipaldi me inspira respeito – um tremendo respeito –, mas era Piquet quem estava despontando quando comecei a acompanhar Fórmula 1. Foi com ele que "aprendi" a gostar de corridas e, paradoxalmente, notar que o automobilismo oferece muitos atrativos além de "torcer pelos brasileiros".

Admiro Piquet não apenas pelo piloto completíssimo e extremamente talentoso que ele foi, mas também por sua personalidade peculiar (ainda que muitas vezes seja difícil lidar com ela) e pela maneira como ele escolheu viver a vida. Uma frase dele, quando já era bicampeão, explica boa parte de seu jeito de ser e de agir: “Eu poderia ganhar muito mais dinheiro, mas sobraria menos tempo para fazer as coisas que gosto”.

Pois bem. O jornalista Rodrigo Mattar criou no Orkut a comunidade “Piquet – Jubileu de Prata 81”. Para quem quiser acessar, o link é http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7484064. Além de relembrar a conquista de Piquet em um dos campeonatos mais competitivos e disputados de todos os tempos, a comunidade ainda tem um presente especial: links para que os interessados baixem vídeos com um resumo de cada GP disputado em 1981 – inclusive o da África do Sul, que não valeu para o campeonato. São trechos da fita oficial daquela temporada, com narração em inglês e imagens de boa qualidade. Imperdível.

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O MODO TUCANO DE GOVERNAR

Notícia da Agência Estado que reproduzo abaixo:

"A Prefeitura de São Paulo confirma que a Marginal do Tietê vai ganhar uma praça de pedágio no ano que vem. A informação é do secretário municipal de Governo, Aloysio Nunes Ferreira. Ele disse à reportagem da Rádio Bandeirantes que as novas faixas serão concedidas à iniciativa privada e que as obras devem começar em 2007. O secretário municipal de governo declarou que as empresas que vencerem a concorrência irão construir duas pistas de cada lado. Em contrapartida, assegurou, terão o direito de cobrar pela circulação dos carros. Aloysio Nunes Ferreira afirmou que, por enquanto, o projeto de ampliação da Marginal do Tietê está em estudo. Ele acrescentou ainda que as pistas que já existem serão reformadas também com o dinheiro do pedágio."

Primeira coisa que chama a atenção: as obras só vão começar em 2007 - depois das eleições deste ano. Claro: eles não têm coragem de, em pleno ano eleitoral, iniciar uma obra que vai significar mais uma escorcha aos contribuintes.

Segundo: este tipo de iniciativa é bem típica do modo tucano de agir. Inventam taxas, pedágios e impostos, além de criar rodízios e outras medidas inócuas que só servem como pretexto para arrecadar dinheiro. Seus infelizes governados que se virem para pagar e para contornar os incômodos causados pelas brilhantes soluções impostas por esses senhores.

Para quem não se lembra, foi de um tucano chamado Fábio Feldman, que se apresenta como "ecologista", a iniciativa de criar o malfadado rodízio de veículos que atravanca o cotidiano de quem precisa se deslocar por São Paulo. Também foi durante o reinado tucano no governo estadual que se permitiu a criação das "marginais pedagiadas" da rodovia Castello Branco. Criadas como "alternativa aos congestionamentos", na prática obriga quem mora nas cidades próximas a São Paulo e vizinhas à Castello Branco a pagar pedágio para poder acessá-las diretamente. Para quem não quer ou não pode arcar com o pedágio, a alternativa é prolongar o caminho em vários quilômetros até chegar à primeira entrada após o final da marginal pedagiada.

A mídia, conivente, se limita a reproduzir a notícia. Se a iniciativa partisse de outros grupos políticos, já haveria uma histeria contra mais esta exploração. Alguns órgãos de imprensa já estariam apregoando que se trata de uma prova inequívoca de desapreço pela democracia e pela liberdade do cidadão. Como vem da turma de políticos preferidos da chamada "grande mídia", é provável que a iniciativa seja saudada como "única alternativa viável para o trânsito de São Paulo". Lamentável.

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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2006


HUNT, O IRREVERENTE

A coluna de Luís Fernando Ramos no GPtotal traz uma foto que reproduzo acima e traduz muito do espírito da Fórmula 1 nos anos 70. O moço loiro é James Hunt, campeão mundial de 1976, sentando em seu McLaren. Além da bela garota ao lado dele, chamam a atenção os aditivos que ele tem nas mãos: um cigarro e uma lata de cerveja. Cena comum na década de 1970, mas praticamente banida da F1 de hoje, em que nem nome de cigarro pode aparecer nos carros e roupas.

Certa vez, mencionei no GPtotal que Hunt era um grande apreciador de álcool e de outras substâncias que, digamos assim, alteram a percepção da realidade. Não escrevi isso à toa. Em 1995, almocei com um jornalista inglês, Jeff Hutchinson, que cobriu temporadas inteiras de F1 nos anos 70 e 80. Ele contou que uma de suas entrevistas com Hunt aconteceu em um quarto de hotel e terminou às três horas da manhã de uma véspera de GP, com o piloto inglês cheirando fartas porções de... ehrr... talco de origem andina. “Era um cara muito legal, mas totalmente desregrado. Se não fosse isso, a fase competitiva dele poderia ter durado mais”, garantiu Jeff.

Tive somente uma chance de ver Hunt pessoalmente. Foi no GP da Europa de 1993, disputado em 11 de abril no circuito de Donington. Próximo à sala de imprensa havia apenas um banheiro, com duas “cabines” (masculina e feminina). Havia uma privada e uma pia em cada uma. No mesmo ambiente, havia nada menos que 16 chuveiros – absolutamente sem uso no frio típico de abril na Inglaterra. Para os homens, usar o banheiro só era possível depois de entrar em uma fila permanente com 15 ou 20 companheiros de infortúnio. O banheiro das mulheres era bem menos concorrido e chegava a ficar vazio durante a maior parte do tempo, mas ninguém se atreveu a “profaná-lo”.

Bem, quase ninguém. Eu estava na tal fila quando Hunt entrou e viu quanta gente teria o direito de usar o banheiro antes dele. Sem a menor cerimônia, disse: “Acho que vou usar o das mulheres...”. Entrou, ficou cinco segundos e saiu rindo: “Tem gente aí!”. Conversou com alguns conhecidos que estavam na fila e foi embora.

Há quem diga que Hunt só conseguiu seu título mundial porque pegou um McLaren “super-acertado” por Emerson Fittipaldi e ainda teve caminho livre com o acidente de Niki Lauda em Nurburgring. Não penso assim. O inglês era um tremendo piloto: dava calor em Lauda (de quem era muito amigo) quando o austríaco estava no auge de sua forma, e isto não era para qualquer um. Concordo com Jeff Hutchinson: o apreço de Hunt por álcool, cigarros, substâncias "exóticas", noitadas, companhias extravagantes e jantares pantagruélicos, mesmo em vésperas de corridas, era totalmente incompatível com o automobilismo da época – aliás, de qualquer época, ainda que em tempos passados houvesse mais tolerância com pilotos boêmios.

Hunt parou de correr no meio da temporada de 1979. Foi dono de boate em Marbella, na Espanha, e depois voltou para a Inglaterra, onde ganhou um bom dinheiro na bolsa de valores. Também atuou como comentarista de corridas e escrevia uma coluna sobre F 1 publicada em diversos países, inclusive no Brasil, quando morreu de ataque cardíaco em 15 de junho de 1993. Tinha 45 anos. Não venceu tantas corridas quanto poderia, mas certamente aproveitou ao máximo cada momento da curta vida que teve.

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2006


UM MUG PARA O FLAVIO GOMES

Camaradas, é séria a proposta estampada no cabeçalho do blog: “Este é um espaço para compartilhar sonhos e loucuras".

Como amigos malucos não me faltam, vou dar minha humilde contribuição para ajudar o Flavio Gomes. O homem manifestou em seu blog o desejo incontrolável de ter um Mug – esse boneco de pano da propaganda aí de cima. Para quem não sabe ou não lembra, o Mug fez parte de uma maciça campanha publicitária desencadeada no final de 1966 para divulgar uma marca de roupas também chamada Mug. Jornalistas e pessoas famosas receberam o boneco de presente. A propaganda reproduzida acima (a primeira de três páginas) afirma que Chico Buarque, Wilson Simonal, Zimbo Trio e Maurício de Sousa (o criador da turma da Mônica) tiveram muita sorte depois de ganhar o Mug. O texto fala até da "influência" do boneco para Chico ganhar o Festival da Record com a música “A Banda”.

O Mug virou mania. Todo mundo passou a querer o seu – até o Flavio, embora com quase 40 anos de atraso. Parece que em menos de um ano, não sei por qual razão, o Mug virou símbolo de azar. Quem tinha um tratou de jogá-lo no lixo.

Mas o boneco tem seu lugar no panteão do automobilismo brasileiro. A foto do pódio da histórica Mil Milhas de 1966 mostra os vencedores Camilo Christofaro e Eduardo Celidônio sorridentes no degrau mais alto segurando um Mug. Ao lado deles, Emerson Fittipaldi e Jan Balder, terceiros colocados, choravam copiosamente. Eles haviam perdido a corrida a poucas voltas do final, devido a uma falha no motor do DKW-Malzoni que pilotavam. Certa vez, Camilão me contou que tentava consolar Emerson dizendo que ele era jovem e ainda ia vencer muitas corridas. Proféticas palavras.

Mug, Festival da Record, A Banda, DKW-Malzoni, Mil Milhas de 1966. Símbolos de uma época que não conheci. E que gostaria de ter vivido, apesar da ditadura, da repressão sexual, da hipocrisia da sociedade e etc etc etc.

Se alguém descobrir um Mug por aí, por favor avise o Flavio.

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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006


MUTANTES NAS PISTAS

O boné e os óculos escuros dificultam a identificação, mas todos conhecem a moça aí em cima. É Rita Lee nos boxes de Interlagos, durante uma corrida de motos realizada em 1971. Ela estava cronometrando os tempos de um dos pilotos participantes - ninguém menos que Arnaldo Dias Baptista, então seu marido. Nessa época, os dois e mais Sérgio Dias Baptista (irmão de Arnaldo) eram os líderes da banda Mutantes, até hoje uma das mais cultuadas do rock nacional.

A participação de Arnaldo terminou com um tombo na curva 3. O músico-piloto não teve ferimentos, mas a moto ficou destruída. Só não tenho foto de Arnaldo pilotando sua moto. Se alguém tiver, por favor mande para cá.

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O FABULOSO ROBERTO FARIAS
Roberto Farias fez muitos filmes bons sobre diversos temas. Acertou em cheio ao mostrar os horrores da ditadura militar em "Pra Frente Brasil". Mas aqui vou saudá-lo pelos dois filmes que ele fez sobre automobilismo: "O Fabuloso Fittipaldi" e "Roberto Carlos a 300 Quilômetros por hora". Ambos passam de vez em quando no Canal Brasil, mas é possível encontrá-los em locadoras.

"O Fabuloso Fittipaldi" mostra Emerson no auge da popularidade. Cenas maravilhosas da campanha vitoriosa rumo ao título mundial de 1972 e da temporada de 1973, tudo temperado com um pouco da intimidade do campeão e entrevistas com outros pilotos. O acidente no começo do GP da Inglaterra de 1973 é mostrado por uma câmera exclusiva. Quem nunca ouviu barulho de carro de corrida batendo tem aqui a oportunidade que faltava.

Em "Roberto Carlos a 300 quilômetros por hora", o cantor é um mecânico que sonha ser piloto de competição e é ajudado por seu chefe, interpretado por Erasmo Carlos. Algumas cenas são açucaradas ao extremo e o enredo tem situações absurdas em se tratando de automobilismo. Mas não ligue para essas coisas. Aproveite a curtição de ver Roberto, Erasmo, Raul Cortez, cenas da Copa Brasil de 1970, de Interlagos e da cidade de São Paulo nessa mesma época. Vale a pena.

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