LA MOSCA BLANCA - NÚMERO 151: ANTES, DURANTE E DEPOIS
"Durante": a Toleman compra a Benetton e Teo Fabi participa do primeiro treino para o GP de Mônaco com o carro totalmente em branco.
"Depois": já no segundo dia de treinos, o Toleman recebe a decoração que será usada até o final do ano: bandeiras de vários países adornando o slogan "United Colors of Benetton".
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Este post foi motivado por uma única foto. Das três colocadas aí em cima, somente a do meio, mostrando Teo Fabi no primeiro dia de treinos para o GP de Mônaco de 1985, merece o título de "Mosca Blanca". Ela é rara porque o carro teve essa aparência por um único dia. E a explicação para isso merece ser esmiuçada.
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Desde sua estréia na F1, em 1981, a Toleman usou pneus Pirelli - sua parceira fiel desde o ano anterior, quando a dedicação da fábrica italiana foi decisiva na conquista do Campeonato Europeu de Fórmula 2 pelas mãos de Brian Henton. Na F1, entretanto, os pneus Pirelli nunca se mostraram tão competitivos quanto os Michelin e Goodyear.
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No GP de San Marino de 1984, a tensão entre Toleman e Pirelli explodiu, com a equipe rompendo unilateralmente o contrato e anunciando que passaria a usar pneus Michelin. O tumulto gerado pela situação foi a principal razão para que Ayrton Senna passasse, pela única vez em sua carreira, pelo vexame de não se classificar para a largada de um GP. Já na corrida seguinte, os Toleman passaram a ser calçados por pneus Michelin, o que muito contribuiu para o ganho de desempenho da equipe ao longo da temporada.
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A Toleman só não imaginava que, no final de 1984, a Michelin se retiraria da F1. Isso deixou a equipe inglesa em apuros. A Goodyear avisou que não teria capacidade para fornecer pneus para mais uma equipe e a Pirelli, ofendida com o tratamento recebido no primeiro semestre, simplesmente recusou-se a fornecer pneus à Toleman.
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Mesmo assim, a Toleman finalizou seu novo carro, o TG185, e participou de testes de pré-temporada, com vários pilotos e usando sobras de pneus de diversas marcas (Rianov Albinov conta detalhadamente esta parte da história em seu blog F1 Nostalgia). Mas não conseguiu chegar a nenhum acordo e, por pura e simples falta de pneus para seus carros, ficou fora das três primeiras corridas daquele ano.
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Crise para uns, oportunidade para outros. Logo depois do GP de San Marino, o terceiro de 1985, a paupérrima equipe inglesa Spirit anunciou sua saída da Fórmula 1. Mas com uma possibilidade inusitada de ganhar dinheiro: a situação da Toleman transformou o contrato de fornecimento de pneus Pirelli no mais valioso ativo da Spirit. Acordo financeiro fechado, a Toleman comprou o contrato e, assim, passaria a receber pneus Pirelli a partir do GP de Mônaco.
Ao mesmo tempo, outro movimento acontecia. Os donos da Toleman, empresários ingleses do ramo de transportes, cansaram-se do hobby ao qual haviam se dedicado desde o final da década de 1970 (primeiro na F2 e depois na F1). A Benetton, que havia financiado a compra do contrato de pneus Pirelli, interessou-se pelo negócio. Desde 1984, a confecção italiana patrocinava a Alfa Romeo e percebeu o potencial da F1 como ferramenta de divulgação - desde que pudesse fazer seu nome aparecer com mais frequência e, principalmente, obtivesse resultados bem mais expressivos do que os conseguidos pela Alfa Romeo.
Havia apenas duas semanas de invervalo entre os GPs de San Marino e de Mônaco. A decoração do TG185, evidentemente, estava longe de ocupar o primeiro lugar na lista de preparativos da equipe para Monte Carlo. Foi com o Toleman totalmente em branco que Teo Fabi participou dos treinos de quinta-feira. Na sexta, dia que em Mônaco é livre, a carenagem foi decorada com bandeiras de vários países e recebeu a inscrição "United Colors of Benetton". Uma jogada que, além de tudo, permitiria diferenciar o Toleman dos carros da Alfa, que corriam com o verde da Benetton.
Mesmo sem marcar nenhum ponto, a temporada de 1985 esteve longe de ser um desastre para a Toleman/Benetton. Fabi fez o melhor tempo no treino classificatório de sexta-feira para o GP da Alemanha e, com o treino de sábado acontecendo sob chuva, assegurou uma surpreendente pole position. Nas últimas corridas, a equipe conseguiu alinhar mais um carro, para Piercarlo Ghinzani.
Em 1986, a Toleman seria rebatizada como Benetton. Fabi conseguiu duas pole positions e Gerhard Berger, que entrara no lugar de Ghinzani, obteve a primeira vitória da equipe no GP do México. A Benetton continuou explorando o conceito das "cores unidas" até a temporada de 1990, a última antes de mudar sua decoração em troca de patrocínios de maior porte. Venceu dois títulos mundiais com Michael Schumacher (1994 e 1995) e transmutou-se em Renault a partir da temporada de 2002. Resta saber qual será o destino da Renault em 2010.
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